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Ficheiros de Epstein. Starmer ordena divulgação de dados sobre Mandelson
A pressão sobre o primeiro-ministro britânico aumenta devido às ligações de Peter Mandelson, ex-embaixador do Reino Unido em Washington, a Jeffrey Epstein, enquanto os conservadores criticam a decisão de reter alguns registos.
Keir Starmer tentará antecipar-se ao crescente escândalo que envolve a conduta de Peter Mandelson com a esperada divulgação de ficheiros relacionados com a sua nomeação como embaixador britânico nos EUA, numa medida que um ministro descreveu como "traçar uma linha na areia".
Esta quarta-feira, em declarações a órgãos de comunicação social britânicos, Wes Streeting, secretário da Saúde, frisou que Keir Starmer “procura a máxima transparência”.
“Não consigo expressar suficientemente o quão amargamente esta traição nos afeta, a nós, no Partido Trabalhista, que nos sentimos pessoalmente desapontados e que também sentimos que ele, para além de trair dois primeiros-ministros, o nosso país e as vítimas de Epstein, traiu fundamentalmente os nossos valores e as coisas que nos motivam e que nos trouxeram para a política: o serviço público e o interesse nacional e não o interesse próprio e o egoísmo", afirmou Wes Streeting à Times Radio.
Nas declarações, o secretário da Saúde falou sobre o seu profundo sentimento de traição em relação às revelações sobre Mandelson, que o apoiou quando era um deputado em ascensão. Questionado sobre a eliminação de fotografias das redes sociais que o mostravam com Mandelson no passado, Wes Streeting disse que o fez porque outras pessoas, incluindo a sua mãe e voluntários do Partido Trabalhista, também apareciam nelas.Os conservadores preparavam-se para forçar a publicação dos registos – incluindo o que Mandelson pode ter dito a Starmer sobre a sua relação com o pedófilo condenado Jeffrey Epstein antes de ser nomeado para Washington – através de uma moção na Câmara dos Comuns.
Em vez de enfrentar uma votação difícil no meio da indignação dos seus próprios parlamentares, o primeiro-ministro ordenou a publicação destes registos – e-mails, documentos e mensagens – com exceção daqueles que são considerados prejudiciais para a segurança nacional ou que podem danificar as relações diplomáticas.
Entende-se que a intenção do Governo é ser transparente, evitando, ao mesmo tempo, que todas as comunicações sejam publicadas. Espera-se que seja aprovada uma emenda do governo à moção dos Conservadores, que obrigaria à divulgação dos documentos.Scotland Yard iniciou investigação criminal
A polícia britânica iniciou na terça-feira uma investigação contra Peter Mandelson por alegada má conduta em cargo público, após denúncias de que teria vazado informações confidenciais do mercado para o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein.
A Polícia Metropolitana de Londres afirmou em comunicado que a investigação foi iniciada após a receção de queixas de má conduta em cargos públicos, incluindo uma queixa do governo britânico.
O Governo de Keir Starmer entregou material à polícia para investigar se Mandelson divulgou informações a Epstein durante a crise financeira. O chefe do Governo britânico disse aos seus ministros na terça-feira que as alegadas fugas de informação de Mandelson para Epstein eram "vergonhosas". Poucas horas depois, Mandelson anunciou a sua reforma da Câmara dos Lordes, a câmara alta do Parlamento.
"A Polícia Metropolitana continuará a avaliar todas as informações relevantes que nos forem apresentadas no âmbito desta investigação e não fará mais comentários neste momento", disse a comandante da polícia, Ella Marriott. Num comunicado separado, a Polícia do Vale do Tamisa afirmou estar a analisar uma nova queixa contra o Ex príncipe Andrew.
A responsável explicou que "a Polícia Metropolitana recebeu várias denúncias de alegadas condutas indevidas no exercício de funções públicas, incluindo uma notificação do Governo" desde a divulgação na sexta-feira de milhões de documentos judiciais relacionados com Jeffrey Epstein - acusado de abuso sexual e tráfico de mulheres, várias das quais menores de idade - pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Mandelson passou informações confidenciais
De acordo com documentos publicados pelo Departamento de Justiça norte-americano, Mandelson terá passado informações confidenciais a Epstein enquanto era ministro do Comércio do então governo britânico trabalhista de Gordon Brown, ao encaminhar um email interno em 2009 destinado ao primeiro-ministro sobre a situação económica.
Em outra troca de emails de 2009 revelada pelo jornal Financial Times, Peter Mandelson parece sugerir a Epstein que peça ao chefe do banco JPMorgan para "ameaçar ligeiramente" o então ministro das Finanças britânico, Alistair Darling, a fim de obter uma redução do imposto sobre os bónus dos banqueiros.
Extratos bancários mostram ainda que Jeffrey Epstein terá transferido um total de 75 mil dólares (63.200 euros) em três fases para contas ligadas a Mandelson em 2003 e 2004.
Peter Mandelson, que na altura era deputado, afirmou no domingo não se lembrar dessas transferências e não saber se esses extratos eram autênticos.
O antigo político também afirmou que "não consegue localizar o local nem identificar a mulher" cujo rosto foi ocultado pelas autoridades norte-americanas e que aparece ao seu lado numa foto sem data, na qual ele aparece de camisa e cuecas.
Peter Mandelson vai abandonar voluntariamente a Câmara dos Lordes (câmara alta do parlamento britânico), depois de ter anunciado no domingo que iria sair do Partido Trabalhista.
Mandelson foi nomeado para a câmara alta do parlamento em 2008, mas suspendeu funções no final de janeiro de 2025, após a nomeação para embaixador britânico nos Estados Unidos, posição da qual foi demitido oito meses depois, em setembro, devido a revelações sobre as ligações a Epstein.
A Comissão Europeia também anunciou que iria analisar se Peter Mandelson, que foi comissário europeu para o Comércio entre 2004 e 2008, infringiu determinadas regras da instituição.
Esta quarta-feira, em declarações a órgãos de comunicação social britânicos, Wes Streeting, secretário da Saúde, frisou que Keir Starmer “procura a máxima transparência”.
“Não consigo expressar suficientemente o quão amargamente esta traição nos afeta, a nós, no Partido Trabalhista, que nos sentimos pessoalmente desapontados e que também sentimos que ele, para além de trair dois primeiros-ministros, o nosso país e as vítimas de Epstein, traiu fundamentalmente os nossos valores e as coisas que nos motivam e que nos trouxeram para a política: o serviço público e o interesse nacional e não o interesse próprio e o egoísmo", afirmou Wes Streeting à Times Radio.
Nas declarações, o secretário da Saúde falou sobre o seu profundo sentimento de traição em relação às revelações sobre Mandelson, que o apoiou quando era um deputado em ascensão. Questionado sobre a eliminação de fotografias das redes sociais que o mostravam com Mandelson no passado, Wes Streeting disse que o fez porque outras pessoas, incluindo a sua mãe e voluntários do Partido Trabalhista, também apareciam nelas.Os conservadores preparavam-se para forçar a publicação dos registos – incluindo o que Mandelson pode ter dito a Starmer sobre a sua relação com o pedófilo condenado Jeffrey Epstein antes de ser nomeado para Washington – através de uma moção na Câmara dos Comuns.
Em vez de enfrentar uma votação difícil no meio da indignação dos seus próprios parlamentares, o primeiro-ministro ordenou a publicação destes registos – e-mails, documentos e mensagens – com exceção daqueles que são considerados prejudiciais para a segurança nacional ou que podem danificar as relações diplomáticas.
Entende-se que a intenção do Governo é ser transparente, evitando, ao mesmo tempo, que todas as comunicações sejam publicadas. Espera-se que seja aprovada uma emenda do governo à moção dos Conservadores, que obrigaria à divulgação dos documentos.Scotland Yard iniciou investigação criminal
A polícia britânica iniciou na terça-feira uma investigação contra Peter Mandelson por alegada má conduta em cargo público, após denúncias de que teria vazado informações confidenciais do mercado para o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein.
A Polícia Metropolitana de Londres afirmou em comunicado que a investigação foi iniciada após a receção de queixas de má conduta em cargos públicos, incluindo uma queixa do governo britânico.
O Governo de Keir Starmer entregou material à polícia para investigar se Mandelson divulgou informações a Epstein durante a crise financeira. O chefe do Governo britânico disse aos seus ministros na terça-feira que as alegadas fugas de informação de Mandelson para Epstein eram "vergonhosas". Poucas horas depois, Mandelson anunciou a sua reforma da Câmara dos Lordes, a câmara alta do Parlamento.
"A Polícia Metropolitana continuará a avaliar todas as informações relevantes que nos forem apresentadas no âmbito desta investigação e não fará mais comentários neste momento", disse a comandante da polícia, Ella Marriott. Num comunicado separado, a Polícia do Vale do Tamisa afirmou estar a analisar uma nova queixa contra o Ex príncipe Andrew.
A responsável explicou que "a Polícia Metropolitana recebeu várias denúncias de alegadas condutas indevidas no exercício de funções públicas, incluindo uma notificação do Governo" desde a divulgação na sexta-feira de milhões de documentos judiciais relacionados com Jeffrey Epstein - acusado de abuso sexual e tráfico de mulheres, várias das quais menores de idade - pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Mandelson passou informações confidenciais
De acordo com documentos publicados pelo Departamento de Justiça norte-americano, Mandelson terá passado informações confidenciais a Epstein enquanto era ministro do Comércio do então governo britânico trabalhista de Gordon Brown, ao encaminhar um email interno em 2009 destinado ao primeiro-ministro sobre a situação económica.
Em outra troca de emails de 2009 revelada pelo jornal Financial Times, Peter Mandelson parece sugerir a Epstein que peça ao chefe do banco JPMorgan para "ameaçar ligeiramente" o então ministro das Finanças britânico, Alistair Darling, a fim de obter uma redução do imposto sobre os bónus dos banqueiros.
Extratos bancários mostram ainda que Jeffrey Epstein terá transferido um total de 75 mil dólares (63.200 euros) em três fases para contas ligadas a Mandelson em 2003 e 2004.
Peter Mandelson, que na altura era deputado, afirmou no domingo não se lembrar dessas transferências e não saber se esses extratos eram autênticos.
O antigo político também afirmou que "não consegue localizar o local nem identificar a mulher" cujo rosto foi ocultado pelas autoridades norte-americanas e que aparece ao seu lado numa foto sem data, na qual ele aparece de camisa e cuecas.
Peter Mandelson vai abandonar voluntariamente a Câmara dos Lordes (câmara alta do parlamento britânico), depois de ter anunciado no domingo que iria sair do Partido Trabalhista.
Mandelson foi nomeado para a câmara alta do parlamento em 2008, mas suspendeu funções no final de janeiro de 2025, após a nomeação para embaixador britânico nos Estados Unidos, posição da qual foi demitido oito meses depois, em setembro, devido a revelações sobre as ligações a Epstein.
A Comissão Europeia também anunciou que iria analisar se Peter Mandelson, que foi comissário europeu para o Comércio entre 2004 e 2008, infringiu determinadas regras da instituição.
Epstein morreu a 10 de agosto de 2019 numa prisão federal de Nova Iorque, após ter sido acusado de múltiplos crimes de tráfico sexual de jovens mulheres e raparigas menores de idade que poderiam resultar numa pena de prisão de até 45 anos.
c/ agências