"Fraturas em braços e costelas". Ativistas italianos deportados denunciam agressões por Israel

"Fraturas em braços e costelas". Ativistas italianos deportados denunciam agressões por Israel

Pelo menos três pessoas terão sido hospitalizadas, segundo a organização dos Direitos Humanos Adalah.

Joana Raposo Santos - RTP /
Foto: AGTW via Reuters

Alguns dos mais de 400 ativistas deportados de Israel esta quinta-feira relataram agressões graves durante a detenção pelas forças israelitas. Há relatos de ossos partidos, humilhações e abusos sexuais.

Os primeiros ativistas a regressarem a casa, um deputado e um jornalista italianos, disseram que pelo menos 20 pessoas sofreram fraturas em braços, pernas e costelas. A informação foi confirmada pela ONG Adalah.

“Bateram-me, bateram no [deputado italiano] Dario Carotenuto e bateram ainda mais noutros ativistas. Vi pessoas com possíveis fraturas em braços e costelas”, denunciou o jornalista e ativista italiano Alessandro Mantovani. “Ouvíamos os gritos à distância”.

À chegada ao aeroporto de Fiumicino após ter sido libertado pelas autoridades israelitas, Dario Carotenuto, deputado do Movimento 5 Estrelas, disse por sua vez que “outros ainda foram vítimas de violência sexual”.

“Estou muito abalado, foi uma experiência terrível”, contou. “Nós ainda nos safámos, mas outros foram torturados, incluindo mulheres e idosos. Alguns sofreram fraturas, outros tinham os olhos vendados e sofreram golpes no rosto”.

“Quando nos levaram para o contentor, os israelitas disseram-nos ‘bem-vindos a Israel’ e, pelo menos a mim, não disseram mais nada, apenas nos espancaram”, continuou. “Deram-me um soco num olho e, durante algum tempo, nem sequer consegui ver. Muitas pessoas foram levadas em mau estado para a enfermaria”.

“Colocaram-nos uma pulseira. Eu tinha o número 147, enquanto o Mantovani tinha o 167. A certa altura, chamaram-nos, fizeram-nos avançar e virar-nos. Tinham as metralhadoras apontadas: foi o pior momento da minha vida”.

Um vídeo divulgado pelo ministro israelita da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, mostra ativistas da flotilha para Gaza detidos, algemados no chão, no porto de Ashdod.

Este não é o primeiro incidente a envolver o ministro. Já em outubro de 2025 Ben Gvir publicou um vídeo com ativistas detidos da flotilha humanitária, chamando-lhes "terroristas".
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