Geórgia. Manifestantes bloqueiam acesso a maior porto do país
Os protestos anti-governo na Geórgia bloquearam pelo menos uma das entradas para Poti, no Mar Negro, o maior porto comercial do país, reportou a agência de notícias Interpress. No braço de ferro político, o governo rejeitou a realização de novas eleições legislativas.
O porto de Poti é propriedade e operado pela empresa holandesa APM Terminals, pertencente ao grupo de Transporte Marítimo Maersk. É o maior porto da Georgia, passando por ali 80 por cento do movimento alfandegário de bens do país.
Zourabichvili rejeitou no sábado abandonar o cargo, como previsto no início de 2025, exigindo em vez disso a repetição das eleições de 26 de outubro. O escrutínio foi vencido com quase 54 por cento dos votos pelo partido Sonho da Geórgia, que pretende suspender as negociações de adesão à União Europeia.
A oposição, pró-europeia, e os manifestantes, entendem que as eleições foram fraudulentas e têm boicotado o Parlamento desta ex-República Soviética, que Moscovo não quer deixar fugir para a Europa.
A presidente da Comissão Europeia deixou entretanto a porta "aberta" à Geórgia para retomar o caminho rumo à União Europeia, lamentando a decisão do atual Governo pró-russo das negociações de adesão ao bloco até 2028.
"Lamentamos que a liderança georgiana se tenha afastado da União Europeia e dos seus valores. A UE apoia o povo da Geórgia e a sua escolha de um futuro europeu. A porta da UE continua aberta. O regresso da Geórgia ao caminho da UE está nas mãos da liderança georgiana", afirmou Ursula von der Leyen numa mensagem nas redes sociais.
A nova alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, e a comissária europeia para o Alargamento, Marta Kos, expressaram o mesmo sentimento numa declaração conjunta publicada em Bruxelas.
"A porta da UE continua aberta, e o regresso da Geórgia aos valores europeus e o caminho para a adesão à UE estão nas mãos da liderança georgiana", sublinharam ainda Kallas e Kos, que se deslocaram hoje a Kiev para reafirmar o apoio da UE à Ucrânia, juntamente com o novo presidente do Conselho Europeu, António Costa.
Lamentando a decisão de Kobajidze de "não avançar com a abertura das negociações de adesão à UE e de recusar o apoio financeiro da UE até 2028", Kallas e Kos observaram que a decisão "representa um afastamento das políticas de todos os anteriores governos georgianos e das aspirações europeias da grande maioria do povo georgiano, consagradas na Constituição da Geórgia".