Gronelândia na mira de Trump. Europeus prometem união e firmeza em reação a novas tarifas

“As ameaças tarifárias são inaceitáveis e não têm o seu lugar neste contexto”, reagiu o presidente francês após o homólogo dos Estados Unidos ter acenado com um novo plano tarifário como forma de pressão para adquirir a Gronelândia.

Carlos Santos Neves, Graça Andrade Ramos - RTP /
Marko Djurica - Reuters

O presidente francês, Emmanuel Macron, reagiu este sábado ao anúncio de um novo pacote de tarifas comerciais sobre produtos europeus, por parte da Administração Trump, com a promessa de uma resposta “unida”. Na mesma linha o presidente do Conselho Europeu, António Costa, garantiu que a Casa Branca poderá contar com firmeza por parte da União.

As ameaças de Trump, retorquiu Macron, são “inaceitáveis”. E “não têm o seu lugar neste contexto”.

“Os europeus vão responder de forma unida e coordenada, caso elas se confirmem. Saberemos fazer respeitar a soberania europeia”, escreveu o presidente francês na rede social X.O presidente dos Estados Unidos anunciou, pouco antes, um novo plano para implementar tarifas adicionais ao Reino Unido, Dinamarca e outros países europeus, tendo como pano de fundo as suas ambições territoriais relativamente à Gronelândia.


O novo pacote deverá começar a ser implementado a 1 de fevereiro e manter-se-á em vigor até que “seja alcançado um acordo para a compra completa e total da Gronelândia” por parte dos norte-americanos.

Na Truth Social, Trump adiantou que países como a Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia serão submetidos a uma tarifa de dez por cento sobre “todos e quaisquer” produtos exportados para os Estados Unidos.A partir de 1 de junho, a tarifa norte-americana será agravada para 25 por cento, de acordo com Donald Trump.


“Nenhuma intimidação ou ameaça poderá influenciar-nos, nem na Ucrânia, nem na Gronelândia, bem em qualquer parte do mundo”, insistiu Emmanuel Macron, acrescentando que a França está comprometida com “a soberania e a independência das nações”.

“Isso preside às nossas escolhas. Isso funda o nosso compromisso com as Nações Unidas e com a nossa Carta”, acentuou o chefe de Estado francês.


“É a esse título que apoiamos a Ucrânia e criámos uma coligação de voluntários para uma paz robusta e duradoura, para defender estes princípios e a nossa segurança. É a esse título que decidimos juntar-nos ao exercício decidido pela Dinamarca na Gronelândia. Assumimo-lo. Também porque se trata da segurança no Ártico e nos confins da nossa Europa”, rematou.França, Suécia, Alemanha, Noruega, Países Baixoss, Finlândia, Eslovénia e Reino Unido enviaram pessoal miliar para a Gronelândia com vista a uma missão de reconhecimento inscrita no exercício dinamarquês Arctic Endurence, organizado no quadro da NATO.


Também António Costa prometeu firmeza europeia na defesa do Direito Internacional e do seu território, na sequência da tomada de posição de Donald Trump.

“O que podemos dizer é que a União Europeia será sempre muito firme na defesa do Direito Internacional, seja onde for. E, claro, a começar no território dos Estados-membros da União Europeia”, redargiu o presidente do Conselho Europeu, ao intervir numa breve conferência de imprensa após a assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, em Assunção, no Paraguai.

“Por agora, estou a coordenar uma resposta conjunta dos Estados-membros da União Europeia sobre este tema”, sinalizou Costa.
“Não nos deixaremos intimidar”
Em tom semelhante, o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, assegurou já que o seu país não se deixará intimidar.

“Não nos deixaremos intimidar. Só a Dinamarca e a Gronelândia decidem as questões que lhes dizem respeito. Defenderei sempre o meu país e os nossos vizinhos aliados”, devolveu, em nota citada pela France-Presse.
Telejornal | 17 de janeiro de 2026

“A Suécia mantém atualmente discussões intensas com outros países da UE, a Noruega, e o Reino Unido para encontrar uma resposta comum”.

O ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, declarou-se "surpreendido" com o anúncio do presidente norte-americano.

c/ agências
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