Gronelândia. União Europeia convoca reunião de emergência após novas ameaças de Trump

O encontro está marcado para quinta-feira em Bruxelas, de acordo com uma porta-voz do conselho. A cimeira extraordinária destina-se a discutir as ameaças repetidas do presidente norte-americano que insiste em apoderar-se da Gronelândia e ameaça a União Europeia com novas tarifas aduaneiras.

Joana Bénard da Costa - RTP /
Reuters

Donald Trump promete agora cobrar uma taxa de importação de 10%, a partir de fevereiro, sobre mercadorias de oito países europeus, devido à oposição ao controlo dos Estados Unidos sobre a Gronelândia.

No ar, deixou ainda a possibilidade de uma subida maior, até 25%, a partir de junho.

A hipótese de novo conflito comercial com os EUA está a causar agitação nos mercados. Esta manhã, as principais bolsas europeias abriram hoje em forte queda.
União Europeia promete resposta concertada

A partir de Berlim, o ministro da Economia alemão, Lars Klingbeil, assegurou que a Europa não vai ceder a chantagens. Segundo a agência France-Presse, o governante garantiu ainda que a União Europeia dará uma resposta clara e firme através de medidas concertadas.

Entre as opções apontadas por Klingbeil estão o congelamento do acordo aduaneiro entre os Estados Unidos e a União Europeia (UE) ou a entrada em vigor de taxas sobre produtos norte-americanos importados.

Klingbeil considera que as ameaças de Trump à soberania da Gronelândia e da Dinamarca ultrapassaram um limite, e exigem uma reação forte da UE. A situação é considerada séria mas, segundo afirmou, não significa o fim da relação transatlântica.

Também o comissário europeu Stéphane Séjourné afirmou nesta segunda-feiraque a UE dispõe de ferramentas para dissuadir Trump de impor novas taxas aduaneiras aos países que se opõem à anexação da Gronelândia pelos Estados Unidos.

Séjourné defendeu, em declarações à rádio France Inter, que a chantagem deve parar e considerou que Trump cometeu um erro grave ao testar os europeus nos princípios fundamentais da autodeterminação dos povos e da soberania territorial.

O comissário afirmou que a Gronelândia nunca será norte-americana e defendeu que se a Europa não se afirmar, não haverá limites para o desejo de poder e de anexação da ilha do Ártico.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, disse que irá pedir aos homólogos europeus a ativação do instrumento anticoerção da UE caso as ameaças de Trump sejam concretizadas.Reino Unido recusa guerra comercial com EUA Num tom que contrasta com a posição assumida por vários governantes da União Europeia, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, recusou nesta segunda-feira entrar numa guerra comercial com os Estados Unidos, afirmando que é preferivel uma "discussão calma entre aliados".

"Uma guerra comercial não é do interesse de ninguém e a minha função é sempre agir no interesse nacional do Reino Unido", adiantou Starmer em conferência de imprensa em Londres.


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