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Hamas ausente da assinatura oficial do acordo para Gaza

Hamas ausente da assinatura oficial do acordo para Gaza

Um responsável político do movimento islamita palestiniano afirmou este sábado à Agência France Press, AFP, que o Hamas não irá participar da assinatura oficial do acordo proposto por Donald Trump para Gaza. A cerimónia está marcada para segunda-feira à tarde, na estância egípcia de Sharm-el-Sheik.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Içar da bandeira da Arábia Saudita em Sharm el-Sheik, Egito, para a cimeira sobre Gaza Amr Abdallah Dalsh - Reuters

"Em relação à assinatura oficial, não estaremos presentes", disse Hossam Badran em entrevista à AFP, sublinhando que o movimento islamista palestiniano estava a agir "através de mediadores do Qatar e do Egito".

Os preparativos para a assinatura têm estado a ser coordenados pelo ministro do Egito para os Negócios Estrangeiros com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

O presidente Donald Trump é aguardado em Sharm-el-Sheik depois de ter estado de manhã em Israel, onde irá discursar no parlamento, o Knesset, e encontrar-se com raféns libertados e as suas famílias.

Em Sharm-el-Sheik, Trump será recebido pelo presidente egipcio, Abdul Fattah al-Sisi. Estará também presente o representante dos EUA para o Médio Orientem Steve Witkoff, assim como os mediadores.

O primeiro-ministro Pedro Sánchez estará presente na cerimónia de assinatura do acordo.

Outros líderes europeus, como os de Itália, França e Reino Unido, deverão participar na cerimónia de assinatura do tratado de paz enquanto potências, Ainda não é claro se o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, irá comparecer.
Paz e futuro de Gaza reúnem líderes no Egito
Está prevista também uma cimeira de líderes mundiais sobre Gaza.

Al-Sisi enviou convites à Alemanha, a França, ao Reino Unido, a Itália, ao Qatar, aos Emirados Árabes Unidos, à Jordânia, à Turquia, à Arábia Saudita, ao Paquistão e à Indonésia.

A participação de Israel não foi imediatamente assegurada.

O encontro, irá realizar-se segunda-feira, logo após a assinatura do acordo, com a presença de 20 líderes, de acordo com um porta-voz do gabinete presidencial egípcio. Visa angariar apoio internacional para o plano de paz de Trump para o enclave, negociado com o apoio do Catar, do Egipto e da Turquia. Marco Rubio descreveu a cimeira como uma ocasião histórica e única, referiu um comunicado da diplomacia egípcia.

O Eliseu confirmou sábado a presença do presidente francês, Emmanuel Macron, referindo que este irá debater os próximos passos previstos na proposta de Trump e reafirmar o compromisso francês com a solução de dois Estados, como base para uma paz duradoura, segurança e reconstrução.

Jornais alemães noticiaram igualmente que o chanceler Friedrich Merz, "aceitou com gratidão" o convite, num telefonema com al-Sisi.
Segunda fase "não será tão fácil"

Apesar do cessar fogo acordado por Israel e pelo Hamas, que entrou em vigor sexta-feira, para permitir a libertação de reféns e de palestinianos, várias questões sobre governação, segurança e reconstrução no pós-guerra, permanecem por regularizar.

O plano de Trump procurou num primeiro momento, estabelecer um cessar-fogo permanente, garantir a libertação de todos os reféns e restabelecer o acesso humanitário total a Gaza.

Seguir-se-ão outras duas fases, para as quais o Hamas espera negociações "mais complexas", conforme referiu sábado Hossam Badran, à AFP.

"A segunda fase das negociações exige discussões mais complexas e não será tão fácil como a primeira fase", referiu. 

O Hamas já recusou desarmar-se e, juntamente com a Jihad Islâmica e a Frente Popular para a Libertação da Palestina, rejeitou sexta-feira, numa declaração conjunta, qualquer "tutela estrangeira" sobre Gaza.

Também a ideia de expulsar de Gaza os membros do movimento islamita é "absurda", mencionou Badran, na mesma entrevista. 

"Os dirigentes do Hamas presentes na Faixa de Gaza estão na sua terra, a terra onde viveram, com as suas famílias e o seu povo. Portanto, é natural que lá permaneçam", disse, considerando que expulsar palestinianos, sejam eles membros do Hamas ou não, "não tem sentido".

Donald Trump, que mencionou a ideia no início do ano, desistiu dela em março e na semana passada voltou a rejeita-la. "Ninguém será obrigado a partir, muito pelo contrário", afirmou.

Badran assegurou também que o Hamas "repelirá a agressão", se a guerra recomeçar em Gaza. Ameaça que responde a declarações, sexta-feira, do porta-voz do exército israelita de que este está "bem preparado para regressar ao combate" contra o Hamas se o grupo militante mantiver o controlo de Gaza após o fim da guerra.
O que falta negociar

A proposta de Donald Trump inclui a retirada faseada do enclave por parte das forças de Israel, cuja primeira fase está em curso desde sexta-feira.

Como parte do plano, um destacamento inicial de 200 soldados norte-americanos está programado para chegar a Israel para ajudar a monitorizar o cessar-fogo em Gaza.

O novo chefe do Comando Militar do Médio Oriente (CENTCOM) dos EUA, Brad Cooper, anunciou no sábado que visitou Gaza para discutir a "estabilização" da situação, garantindo ao mesmo tempo que nenhuma tropa norte-americana seria enviada para o território palestiniano.

Em vez disso, espera-se que os militares norte-americanos coordenem uma força-tarefa multinacional que será enviada para Gaza.

Os países árabes e muçulmanos comprometeram-se por seu lado a "desmilitarizar Gaza" rapidamente. Os túneis e as instalações de produção do Hamas serão também destruídos, estando previsto o desarmamento do grupo e proibida a sua participão na nova administração do enclave.

Estas duas últimas condições deverão ser as mais difíceis de negociar.

O plano envolve também o treino das forças policiais locais.
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