Iémen. Bombardeamentos sauditas fizeram 20 mortos entre separatistas

Iémen. Bombardeamentos sauditas fizeram 20 mortos entre separatistas

O Conselho de Transição do Sul (STC), separatista, afirmou que os bombardeamentos da Arábia Saudita contra duas das suas bases, esta sexta-feira, provocaram 20 mortos. A escalada da tensão pode pôr em causa as tréguas vigentes no país e colocar Riade e Abu Dabi em rota de colisão.

Graça Andrade Ramos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Iémen. Bombardeamentos sauditas fizeram 20 mortos entre separatistas do STC Reuters

Os 20 mortos foram as primeiras vítimas desde que, numa ofensiva relâmpago das suas forças no último mês, o STC assumiu o controlo das províncias de Mahra e de Hadramuth. Esta última faz fronteira com a Arábia Saudita e é rica em petróleo. Riade, aliada do governo iemenita sunita que combate a revolta xiita há uma década, recusa-se a admitir as conquistas do STC, movimento que goza do apoio dos Emirados Àrabes Unidos.


O movimento separatista pretende estabeler uma República no sul do Iémen nos próximos dois anos.

"Com base na vontade do nosso povo no Sul de restaurar e proclamar o seu Estado, anunciamos o início de uma fase de transição de dois anos", declarou o presidente do Conselho de Transição do Sul (STC), Aidarous al-Zoubaidi, num discurso televisivo.

Al-Zoubadi apelou também à comunidade internacional para que patrocine um diálogo entre as várias partes, alertando que o grupo declararia a independência imediatamente, caso o apelo ao diálogo não fosse atendido ou se o sul do Iémen fosse novamente alvo de agressão militar.

O líder separatista afirmou que o período de transição incluiria, entre outras coisas, a organização de um referendo sobre a autodeterminação, dado que uma República Democrática Popular foi independente no sul do país entre 1967 e 1990.

Anteriormente, um comandante local do Conselho de Transição do Sul (STC) em Hadramaut reportou sete ataques aéreos sauditas contra uma base militar separatista em al-Khasha. Uma fonte do STC e testemunhas relataram posteriormente ataques contra outra base e um aeroporto em Seyoun, na mesma província. Vinte combatentes do STC foram mortos nestes ataques, segundo um oficial militar do movimento.


O comandante local do STC disse ainda à AFP que os separatistas repeliram um ataque terrestre à base de al-Khasha, levado a cabo por "milícias" islâmicas e pelo grupo jihadista Al-Qaeda.

O porta-voz militar do STC, Mohamed Al-Naqib, falou de uma "guerra existencial" contra estas forças, que, segundo ele, recebiam "apoio saudita".

O governador de Hadramaut, Salem Al-Khanbashi, tinha já anunciado uma operação terrestre das forças governamentais apoiadas por Riade, para assumir o controlo das bases militares na região de Hadramaut "pacificamente".

Fontes sauditas confirmaram que os ataques de sexta-feira foram levados a cabo pela coligação liderada por Riade, estabelecida em 2015 para apoiar o governo contra os rebeldes houthis, apoiados pelo Irão, que capturaram a capital Sana'a em 2014 e, posteriormente, grandes áreas do norte da Arábia Saudita.

com agências
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