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Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Israel lança nova vaga de bombardeamentos. Irão reivindica ataque a curdos no Iraque

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Israel lança nova vaga de bombardeamentos. Irão reivindica ataque a curdos no Iraque

O regime iraniano afirma ter atacado combatentes curdos em território iraquiano e adverte "grupos separatistas" contra qualquer forma de intervenção no conflito em expansão. Atualizamos aqui, ao minuto, todas as informações sobre o evoluir da guerra no Médio Oriente.

Joana Raposo Santos, Carlos Santos Neves - RTP /

Emissão da RTP Notícias


Abedin Taherkenareh - EPA

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Momento-Chave
RTP /

Espanha vai enviar fragata Cristóbal Colón para Chipre

Espanha vai enviar a fragata Cristóbal Colón para o Mediterrâneo Oriental, juntamente com o porta-aviões francês Charles de Gaulle e outros navios da Marinha grega, para proteger Chipre, segundo o Ministério da Defesa.

"Com o envio da Cristóbal Colón, Espanha demonstra o seu compromisso com a defesa da União Europeia e da sua fronteira oriental", sublinhou Madrid.

A Cristóbal Colón, a fragata mais moderna da Marinha espanhola, com mais de 200 tripulantes, juntou-se no dia 3 ao grupo naval do porta-aviões francês para realizar tarefas de escolta, proteção e treino avançado no mar Báltico.

Este grupo aeronaval seguirá para o Mediterrâneo para chegar à costa de Creta por volta de 10 de março.
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Momento-Chave
Lusa /

Ministro da Defesa britânico vai deslocar-se às bases militares no Chipre

O secretário da Defesa britânico, John Healey, vai deslocar-se hoje ao Chipre, quatro dias depois de um ataque com um drone ter atingido a base britânica de Akrotiri.

Quando contactado pelos jornalistas, o Ministério da Defesa não confirmou de imediato a viagem, que acontece numa altura em que Londres enfrenta críticas das autoridades cipriotas pela demora no envio de reforços para proteger as duas bases que mantém na ilha.

As instalações militares britânicas no Chipre, país da União Europeia, foram visadas por mísseis e drones de fabrico iraniano, supostamente lançados pelo Hezzbollah (Partido de Deus), movimento apoiado pelo Irão no Líbano.

A Grécia e a França enviaram meios militares para a zona. 

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RTP /

Oito mortos em ataques israelitas no Líbano

Pelo menos oito pessoas morreram esta quinta-feira em ataques de Israel no sul e leste do Líbano, de acordo com a imprensa estatal desse país.

O Exército israelita renovou, entretanto, a sua ordem de evacuação de vastas áreas do sul do país.

O Hezbollah pró-iraniano reivindicou, por sua vez, um ataque com mísseis contra posições no extremo norte de Israel.
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Momento-Chave
RTP /

Rússia acusa EUA e Israel de tentarem arrastar países árabes para conflito mais amplo no Médio Oriente

A Rússia acusou hoje os Estados Unidos e Israel de tentarem arrastar países árabes para um conflito mais amplo no Médio Oriente, provocando o Irão e levando-o a atacar alvos em toda a região.

"Eles provocaram deliberadamente o Irão, levando-o a retaliar contra alvos em alguns países árabes, o que causou perdas humanas e materiais, o que o lado russo lamenta profundamente", disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia em comunicado.

"Ao fazerem isso, estão a tentar arrastar os árabes para uma guerra em prol dos interesses de terceiros".

A única maneira de impedir que o Médio Oriente se desestabilize ainda mais é parar a "agressão" dos EUA e de Israel, acrescentou o ministério, dizendo que não há sinais, por enquanto, de que os dois "agressores" irão interromper os seus ataques.
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Lusa /

Exército norte-americano divulga identidades dos dois últimos soldados mortos no Kuwait

As autoridades americanas divulgaram hoje os dois últimos nomes dos seis soldados mortos no domingo no Kuwait, após a explosão de um drone iraniano, num dos mais recentes incidentes do conflito no Médio Oriente.

A divulgação ocorreu um dia após a identificação das outras quatro vítimas fatais.

O Pentágono afirmou, em comunicados à imprensa separados, que os soldados são Jeffrey O`Brien e Robert Marzan, cuja identificação "será concluída após investigação da medicina legal".

Ambos eram membros da Reserva do Exército e trabalhavam na área de logística num centro de comando em Port Shuaiba, no Kuwait, que foi atingido por um drone.

O ataque ocorreu no domingo no porto de Shuaiba, onde se encontra um centro de operações táticas dos EUA.

O drone atingiu a instalação depois de contornar as defesas aéreas, de acordo com o Comando Central.

O Departamento de Defesa já havia identificado os outros quatro soldados mortos no ataque na quarta-feira. O ataque, que está sob investigação, faz parte da resposta do Irão à ofensiva, que envolveu ataques em território israelita e contra interesses americanos no Oriente Médio.

Os militares dos Estados Unidos confirmaram oficialmente apenas seis mortes de militares nessas ações no Irão, onde as autoridades já elevaram o número de mortos para mais de mil - incluindo civis - decorrentes da ofensiva conjunta americanas e israelita.

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Lusa /

Guarda Revolucionária avisa que navios fora do protocolo em Ormuz serão afundados

A Guarda Revolucionária da República Islâmica iraniana declarou hoje o estreito de Ormuz, entre golfos Pérsico e de Omã, sob seu controlo de acordo com o direito internacional e que quaisquer navios fora do protocolo serão afundados.

"De acordo com as leis e resoluções internacionais em tempos de guerra, as regras de trânsito pelo estreito de Ormuz estarão sob o controlo da República Islâmica", disse o brigadeiro-general Kiumars Heidari, vice-comandante da base Khatam al-Anbiya, o comando central unificado das forças armadas iranianas, às televisões locais.

O responsável militar frisou que alguma quebra das normas por parte das embarcações que cruzem a zona pode implicar que sejam "atacadas e afundadas".

Este é o sexto dia da nova guerra que eliminou o `líder supremo` iraniano, `ayatollah` Ali Khamenei, de 86 anos e no poder desde 1989.

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RTP /

Azerbaijão diz que duas pessoas ficaram feridas por drones iranianos

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Azerbaijão apresentou um protesto oficial à embaixada iraniana depois de dois drones vindos do Irão ter cruzado a fronteira com o Azerbaijão, ferindo duas pessoas no aeroporto de Nakhchivan.

"Este ataque ao território do Azerbaijão contradiz as normas e os princípios do direito internacional e contribui para o aumento das tensões na região", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros em comunicado.

"Exigimos que a República Islâmica do Irão esclareça o assunto no mais curto prazo possível, forneça uma explicação e tome as medidas urgentes necessárias para evitar que tais incidentes se repitam no futuro", acrescentou.

O embaixador iraniano em Baku foi convocado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros para receber uma nota formal de protesto, disse ainda o ministério.

O comunicado refere que o Azerbaijão se reserva o direito de tomar "medidas de resposta apropriadas" contra Teerão.

Segundo Baku, um drone caiu no edifício do terminal do Aeroporto Internacional de Nakhchivan, que fica a aproximadamente dez quilómetros da fronteira com o Irão, e outro drone aterrou perto de um edifício escolar numa aldeia próxima.

Uma fonte próxima do governo do Azerbaijão disse à agência Reuters que um incêndio começou como resultado do incidente. Imagens de vídeo partilhadas pela mesma fonte mostram fumo negro a subir perto do aeroporto e danos na claraboia dentro do edifício do terminal.
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RTP /

Turquia acompanha de perto ações do grupo militante curdo-iraniano PJAK

A Turquia disse esta quinta-feira estar a acompanhar de perto as ações do grupo militante curdo-iraniano PJAK, acrescentando que as suas ações ameaçam a segurança do Irão e a estabilidade regional.
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Lusa /

Teerão ameaçou atacar instalações nucleares israelitas

As Forças Armadas do Irão ameaçaram hoje lançar um ataque contra as instalações nucleares israelitas em Dimona caso os Estados Unidos e Israel tomem medidas para alcançar uma "mudança de regime" em Teerão.

Um alto responsável militar iraniano afirmou que se os Estados Unidos e Israel procurarem uma mudança de regime no Irão, Teerão admite atacar o reator nuclear de Dimona, nos territórios ocupados por Israel.

A ameaça foi divulgada hoje pela a agência de notícias iraniana ISNA.

As instalações israelitas, localizadas no deserto do Negev, são cruciais para Israel e, por isso, estão entre os locais mais fortemente protegidos do país.

O Governo israelita enfatizou que alcançar uma mudança de regime no Irão é um dos objetivos da campanha.

O ministro da Defesa, Israel Katz, ameaçou na quarta-feira que qualquer sucessor de Khamenei seria também "um alvo inequívoco para eliminação".

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RTP /

Coreia do Sul proíbe viagens ao Irão

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul acaba de anunciar a proibição das viagens ao Irão a partir das 18h00 locais desta quinta-feira. A informação está a ser avançada pela agência de notícias sul-coreana Newsis.
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RTP /

Israel denuncia nova vaga de mísseis disparados a partir do Irão

O Exército israelita disse esta quinta-feira ter identificado uma nova vaga de mísseis disparados a partir do Irão.

"Há pouco foram disparados mísseis do Irão em direção ao território do Estado de Israel. Os sistemas de defesa estão a ser ativados para interceptar esta ameaça", declarou o Exército em comunicado.
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Lusa /

Itália pondera enviar baterias anti-aéreas

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, declarou hoje estar em ponderação o envio de baterias antiaéreas para ajudar vários países do golfo Pérsico, entretanto visados por retaliações iranianas aos ataques conjuntos israelo-americanos.

"A Itália, assim como o Reino Unido, a França e a Alemanha, pretende enviar ajuda aos países do Golfo. Estamos a falar claramente de defesa, defesa aérea, não apenas porque são países amigos, mas também porque dezenas de milhares de italianos vivem na região, além de aproximadamente dois mil militares que precisamos proteger", declarou à rádio RTL 102.5.

Meloni acrescentou que aquela região do Médio Oriente é economicamente "vital".

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Lusa /

Mais de 275 mil deslocados em países afetados pelos ataques

Os conflitos no Médio Oriente causaram mais de 275 mil deslocados internos em alguns dos países mais afetados pelos ataques, como o Irão, o Líbano, o Afeganistão e o Paquistão, segundo a ONU.

De acordo com dados mais recentes da Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR), desde sábado, pelo menos 100 mil pessoas fugiram das suas casas no Irão devido aos ataques dos Estados Unidos e de Israel e 115 mil no Afeganistão, país envolvido no conflito em curso com o Paquistão.

A agência da ONU estima que pelo menos 58.000 pessoas tenham sido deslocadas no Líbano, devido às hostilidades entre Israel e o Hezbollah, (embora outras agências da ONU, como o Programa Alimentar Mundial, apontem para um número de 65.000).

No Paquistão, pelo menos 2.600 pessoas abandonaram as suas casas.

Os deslocados no Irão são, na sua maioria, pessoas que abandonaram a capital, Teerão, de onde estão a sair da cidade aproximadamente 1.000 a 2.000 veículos, principalmente em direção ao norte, segundo dados da polícia de trânsito iraniana.

O ACNUR refere que as áreas afetadas já tinham uma população deslocada de cerca de 24,6 milhões de pessoas, muitas das quais com enormes necessidades humanitárias, também partilhadas pelas comunidades de acolhimento.

Na terça-feira, a agência da ONU alertou que a escalada da guerra contra o Irão "ameaça sobrecarregar a capacidade humanitária" no Médio Oriente, que já está praticamente no limite.

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RTP /

Mísseis e drones iranianos terão caído perto de aeroporto no Azerbaijão

Uma fonte próxima do Governo do Azerbaijão ouvida pela agência Reuters afirmou que mísseis e drones lançados pelo Irão caíram perto do aeroporto de Nakhchivan. Este aeroporto fica a cerca de dez quilómetros da fronteira iraniana.
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RTP /

Internet no Irão permanece "em cerca de 1% do seu nível habitual"

A Internet no Irão está "em cerca de 1% do seu nível habitual" após um corte nas comunicações causado pela guerra com Israel e os Estados Unidos, sugundo a ONG de monitorização da cibersegurança NetBlocks.

"A interrupção da Internet no Irão já ultrapassa as 120 horas, com a conectividade a permanecer em cerca de 1% do seu nível habitual", indicou a NetBlocks na rede social X.

"Ao mesmo tempo, surge um ambiente cada vez mais 'orwelliano', com as operadoras de telecomunicações a ameaçarem com ações judiciais os utilizadores que tentam ligar-se à Internet global", acrescentou.
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RTP /

Irão diz ter atingido petroleiro americano no Golfo

Segundo a Guarda Revolucionária do Irão, um míssil iraniano atingiu um petroleiro americano no Golfo.

O navio em questão "foi atingido por um míssil no norte do Golfo Pérsico" e "está atualmente em chamas", indicou a Guarda Revolucionária numa declaração lida na televisão estatal.

Este incidente, ainda não confirmado por fontes independentes, ocorre numa altura em que a Guarda Revolucionária garantiu ter "controlo total" do Estreito de Ormuz, ponto de passagem fundamental para o comércio mundial de petróleo.
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Lusa /

Teerão pede "sangue sionista" e de Trump

O `ayatollah` Abdollah Javadi Amoli convocou hoje um "derramamento de sangue sionista" e "do sangue de [Donald] Trump", através da televisão estatal do Irão, na sequência dos ataques conjuntos de Israel e dos Estados Unidos da América (EUA).

"Estamos agora à beira de um grande teste e devemos ter cuidado para preservar plenamente a unidade, para preservar plenamente a aliança", disse, apelando ao "derramamento de sangue sionista, ao derramamento do sangue de Trump.

O atual imã diz: `Lutem contra a América opressora, o sangue dele está sobre meus ombros`", afirmou.

O Irão lançou hoje uma nova onda de ataques contra bases israelitas e norte-americanas, avisando que os EUA se vão arrepender "amargamente" de torpedear um navio de guerra iraniano no oceano Índico, ao passo que Israel anunciou nova ofensiva "em grande escala" contra Teerão.

Segundo a agência noticiosa norte-americana AP, as sirenes de aviso de ataque aéreo soaram em Telavive e em Jerusalém e as Forças da Defesa de Israel (IDF) lançaram mais ataques no Líbano, dirigidos a posições do grupo islamista radical Hezbollah, além de uma "onda em grande escala de ataques contra infraestruturas" na capital iraniana.

A Marinha dos EUA afundou um navio de guerra iraniano na noite de terça-feira no oceano Índico, matando pelo menos umas dezenas de elementos da guarnição, ato classificado como "uma atrocidade no mar" pelo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi.

"A fragata Dena, convidada da Marinha da Índia e com quase 130 marinheiros a bordo, foi atingida em águas internacionais sem aviso prévio. Fixem estas palavras: os EUA vão arrepender-se amargamente do precedente que criaram", escreveu o responsável nas redes sociais.

Este é o sexto dia da nova guerra que eliminou o `líder supremo` iraniano, `ayatollah` Ali Khamenei, de 86 anos e no poder desde 1989.

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Lusa /

Cruz Vermelha e Crescente Vermelho alertam que desinformação também é uma questão de vida ou morte

A Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) advertiu hoje que em contextos humanitários a "informação prejudicial", o caso da desinformação, também é "uma questão de vida ou morte", exortando todos os atores relevantes a combatê-la.

O alerta consta do Relatório Mundial de 2026 sobre Catástrofes da FICV, hoje apresentado em Genebra (Suíça), que apela a governos, empresas de tecnologia, meios de comunicação social, comunidades e organizações da sociedade civil a unirem esforços para garantirem informação fiável, apontando que, em crises humanitárias, "é tão essencial quanto alimentos, água e abrigo".

Definindo informação prejudicial como "informação com o potencial de causar, contribuir para ou resultar em danos a um indivíduo ou entidade" e apontando que esta "inclui desinformação, informação errada, maliciosa, discurso de ódio e outras narrativas prejudiciais", o relatório sublinha que a mesma "não é apenas ruído de fundo", pois "molda ativamente a forma como as pessoas entendem as crises, em quem confiam e se podem aceder à assistência humanitária e proteção".

Por outro lado, "representa um desafio operacional e estratégico que afeta a aceitação, a segurança e a ação humanitária baseada em princípios", prossegue o documento.

"À medida que o ecossistema da informação se torna cada vez mais complexo, também deve aumentar a capacidade de a ler, responder a ela e proteger as populações, indivíduos e organizações afetados dos seus danos. Navegar neste ecossistema é agora uma parte essencial do que significa agir em crises humanitárias", salienta o relatório da FICV, que, entre os muitos exemplos dados no extenso documento, relata o caso da informação prejudicial que ocorreu quando, em outubro de 2024, Valência foi atingida por cheias provocadas pela tempestade DANA que provocaram 236 mortos.

"Incidentes específicos de informação prejudicial que se espalharam nas redes sociais incluíram comentários negativos, insultos e ameaças dirigidos aos nossos trabalhadores e voluntários nas ruas e, em menor grau, atos de vandalismo contra os nossos escritórios e veículos, como grafites e pneus furados", aponta a Cruz Vermelha, alvo de boatos de que não estava a atuar ou estava a usar fundos indevidamente.

O relatório refere que a desinformação não impediu o trabalho humanitário, mas criou "uma carga de trabalho extraordinária dedicada a negar, explicar ou minimizar o impacto de informações prejudiciais, causando sofrimento emocional e até mesmo dúvidas sobre a organização, tanto na sociedade como entre os membros da Cruz Vermelha Espanhola, minando a confiança do público, com alguns doadores a questionarem a organização".

Salientando que "a informação prejudicial não é nova, mas hoje circula com uma velocidade e um alcance sem precedentes", pois "as plataformas digitais abrem canais vitais para as vozes da comunidade, mas também proporcionam um terreno fértil para mentiras", um cenário agravado pela Inteligência Artificial, a FICV exorta então à ação coordenada de todos os atores relevantes.

"A responsabilidade não pode recair exclusivamente sobre as organizações humanitárias. Lidar com informações prejudiciais requer aumentar a resiliência, construir confiança e aprofundar o envolvimento da comunidade. Também exige uma ação coordenada e multilateral, por parte de governos, empresas de tecnologia, meios de comunicação social, comunidades e organizações da sociedade civil", sustentam.

Comentando o relatório, este ano intitulado "Verdade, confiança e ação humanitária na era da informação prejudicial", o secretário-geral da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, Jagan Chapagain, sublinha a importância vital da informação em situações de crise.

"Em todas as crises que testemunhei, e em todas as respostas da rede internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho a desastres, emergências de saúde pública, movimentos populacionais em massa ou consequências humanitárias de conflitos armados, a informação é tão essencial quanto alimentos, água e abrigo", pois "orienta as pessoas para a segurança, conecta-as aos seus entes queridos e dá-lhes o conhecimento necessário para protegerem a si mesmas e às suas comunidades", destaca.

"Mas a informação também pode causar danos: quando falsa, enganosa ou deliberadamente manipulada, pode aprofundar o medo, alimentar a discriminação, obstruir o acesso humanitário e custar vidas. Vimos isso com demasiada frequência: durante surtos de doenças, quando os rumores ultrapassam os conselhos de saúde, após desastres, quando a desconfiança dificulta a entrega de ajuda, e em conflitos armados, quando narrativas inflamatórias intensificam a violência", prossegue.

Reforçando o apelo do relatório, Chapagain exorta "governos, atores humanitários, meios de comunicação social, empresas de tecnologia e comunidades a reconhecerem que a fiabilidade da informação é uma questão de vida ou morte" e a agirem em conformidade.

"Assim como planeamos a logística, o alojamento e os cuidados de saúde em situações de emergência, também devemos planear o ambiente informativo. Isso requer investir no envolvimento da comunidade, priorizar ouvir em vez de falar, construir resiliência contra narrativas prejudiciais e defender consistentemente a humanidade, neutralidade, imparcialidade e independência em todas as interações e mensagens", sustenta o secretário-geral da FICV.

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Israel Katz
RTP /

Aliança com América de Trump está a mudar a história, advoga ministro israelita da Defesa

O ministro israelita da Defesa, Israel Katz, disse ao secretário norte-americano da Defesa, Pete Hegseth, que a aliança militar entre os dois países está a mudar a história, numa referência à ofensiva contra o Irão.Katz esteve em contacto, na última noite, com o homólogo norte-americano.

Segundo um comunicado do ministro da Defesa de Israel, Hegseth salientou que os Estados Unidos dispõem de munições suficientes para concluir a ofensiva contra o Irão, sugerindo que a guerra pode prolongar-se por oito semanas.

Na quarta-feira, o Senado dos Estados Unidos, de maioria republicana, rechaçou uma resolução que procurava interromper a intervenção militar contra o Irão, por não ter sido previamente autorizada.

A resolução do Partido Democrático caiu por 47 votos contra 53 do Partido Republicano.
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Lusa /

Novas explosões em Teerão durante a noite

Novas explosões voltaram a abalar Teerão, a capital iraniana, ao longo noite de quinta-feira e madrugada de hoje, segundo meios de comunicação iranianos e regionais, no sexto dia de guerra entre Irão, Estados Unidos e Israel.

Majid Khahi - ISNA, WANA via Reuters

A agência iraniana Tasnim, associada à Guarda da Revolução do Irão, afirmou que as defesas antiaéreas iranianas foram ativadas por volta das 5h00 locais (2h00 em Lisboa) e que várias explosões foram ouvidas.

A emissora catari Al Jazeera também identificou, pelo menos, dois ataques contra a capital iraniana.

O número de mortos no Irão em resultado da guerra atingiu, pelo menos, 1.045 pessoas, segundo uma agência governamental iraniana na quarta-feira, a Fundação de Mártires e Assuntos dos Veteranos do Irão, que especificou que o número é relativo aos corpos identificados e preparados para o enterro até o momento, noticiou a AP.

Em sentido inverso, o Irão lançou uma nova onda de ataques esta na manhã contra bases israelitas e norte-americanas, após uma ameaça de destruir infraestruturas militares e económicas em toda a região, que surgiu depois de os EUA e Israel terem intensificado os bombardeamentos e de um submarino da marinha norte-americana ter afundado um navio de guerra iraniano no Oceano Índico.

O ministro das Relações Exteriores do Irão disse hoje que os Estados Unidos "vão arrepender-se amargamente do precedente que criaram" com o afundamento da fragata iraniana na costa do Sri Lanka, uma declaração que representa o primeiro reconhecimento de Teerão sobre o naufrágio do IRIS Dena no Índico.

O comentário de Araghchi na rede social X especificou que "os EUA cometeram uma atrocidade no mar, a 2.000 milhas da costa do Irão".

"A fragata Dena, convidada da Marinha da Índia e transportando quase 130 marinheiros, foi atingida em águas internacionais sem aviso prévio", escreveu.

"Anotem minhas palavras: os EUA vão arrepender-se amargamente do precedente que criaram", ameaçou.

O Irão está a ser bombardeado por Israel desde o sábado passado, quando o Estado israelita lançou uma ofensiva conjunta com os Estados Unidos, que resultou na morte do líder supremo iraniano, o ayatollah Ali Khameneí.

Teerão respondeu com ataques contra Israel e países aliados dos Estados Unidos no Golfo Pérsico.

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Lusa /

China ordena suspensão de exportações de gasolina e diesel devido a conflito

A principal autoridade de planeamento económico da China pediu às maiores refinarias do país que suspendam temporariamente as exportações de gasolina e gasóleo, devido à incerteza sobre o fornecimento de crude do Médio Oriente.

Maxim Shemetov - Reuters

Segundo fontes citadas pela agência de notícias Bloomberg, responsáveis da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (CNDR) reuniram-se com executivos do setor e solicitaram a suspensão imediata das vendas externas de produtos refinados.

As refinarias foram também instadas a deixar de assinar novos contratos de exportação e a tentar cancelar carregamentos já acordados, de acordo com as mesmas fontes.

A medida inclui algumas exceções, como o combustível de aviação e o combustível marítimo armazenado em depósitos aduaneiros, bem como os fornecimentos destinados a Hong Kong e Macau.

A decisão surge num contexto de forte incerteza no mercado energético após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão e as subsequentes represálias de Teerão, que alertou que a navegação no estreito de Ormuz deixou de ser segura.

O estreito é um dos principais pontos estratégicos do transporte energético mundial, por onde transita cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos globalmente.

Embora a maior parte da produção refinada chinesa seja destinada ao mercado interno - uma vez que o país é o maior importador mundial de petróleo - a decisão reflete a estratégia adotada por várias economias asiáticas dependentes de energia importada para priorizar o abastecimento doméstico durante a crise.

Nos últimos dias, outros países da região, como Japão, Indonésia e Índia, também adotaram medidas para reforçar a segurança energética.

A escalada no Médio Oriente já levou algumas grandes companhias marítimas internacionais a suspender ou desviar rotas na região, aumentando as preocupações sobre a estabilidade do abastecimento energético global.

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Lusa /

Líder do FMI diz que economia mundial volta a ser "posta à prova"

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou hoje, em Banguecoque, que a economia mundial está "novamente a ser posta à prova", desta vez pela guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão.

Valentyn Ogirenko - Reuters

"Vivemos num mundo onde os choques são mais frequentes e inesperados, e há algum tempo que alertamos os nossos membros de que a incerteza é agora a nova norma", afirmou durante uma conferência que debate a Ásia em 2050, que decorre na capital tailandesa, de acordo com o portal de notícias económicas FX Street.

"Este conflito, se vier a prolongar-se, poderá obviamente afetar os preços mundiais da energia, o sentimento dos mercados e a inflação", acrescentou a diretora-geral do FMI.

Desencadeada no sábado por uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, a guerra alastrou-se rapidamente com a resposta de Teerão aos vários aliados dos dois países na região, ameaçando igualmente a navegação no Estreito de Ormuz e Golfo Pérsico, fazendo disparar os preços mundiais do petróleo e mergulhando os mercados na turbulência.

"Os mercados têm evoluído como uma montanha-russa nos últimos dias", descreveu Kristalina Georgieva, asublinhando que "o conflito colocará novas exigências aos decisores políticos em todo o mundo".

"Quanto mais cedo esta calamidade terminar, melhor será para o mundo inteiro", continuou, concedendo porém que o mundo está "potencialmente num período prolongado de instabilidade".

A Ásia é o continente mais afetado pela crise no Estreito de Ormuz, uma rota estratégica por onde passam cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) comercializados no mundo.

De acordo com dados da Kpler e da Administração de Informação Energética dos Estados Unidos (EIA), entre 84% e 90% do petróleo bruto que passa por Ormuz tem como destino a Ásia, onde também chega 83% do GNL proveniente dessa rota crucial, cujos principais compradores são China, Índia, Coreia do Sul e Japão.

Apesar do contexto de incerteza energética, a Ásia continua a ser um dos grandes motores da economia mundial, uma vez que a região gera "dois terços do crescimento global e concentra cerca de 40% do comércio", o que faz com que "não seja possível falar do futuro económico global sem mencionar a Ásia", segundo Georgieva.

A economista também destacou que o continente enfrenta vários desafios fundamentais para manter essa liderança no crescimento, entre eles, o aumento da produtividade através do desenvolvimento da inteligência artificial (IA), e salientou que países como Singapura lideram os índices de preparação para a adoção desta tecnologia.

Da mesma forma, Georgieva observou que a China e a Coreia do Sul estão entre os líderes no desenvolvimento e implementação da IA. A Índia, acrescentou, está a impulsionar iniciativas para democratizar o acesso à inteligência artificial, enquanto a Indonésia, Malásia e Tailândia avançam na sua aplicação nos setores comerciais.

 

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Primeiro-ministro do Canadá afirma que "apoiará os aliados" mas "com algum pesar"

O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, afirmou hoje que "não pode excluir" a participação militar do país na guerra que se intensifica no Médio Oriente, manifestando apoio aos seus aliados, porém "com algum pesar".

Blair Gable - Reuters

"Estamos a enfrentar ativamente o mundo como ele é, não esperando passivamente por um mundo que desejamos. Mas também assumimos essa posição com algum pesar, porque o conflito atual é mais um exemplo do fracasso da ordem internacional", disse em declarações na capital australiana, no terceiro dia da visita oficial ao país, uma viagem que visa atrair investimentos e aprofundar os laços com Camberra.

Quando instado, porém, pelos jornalistas a responder sobre se o Canadá encara a hipótese de se envolver no conflito, Carney deixou claro que "nunca se pode excluir categoricamente uma participação".

"Apoiaremos os nossos aliados", acrescentou, ao lado do homólogo australiano, Anthony Albanese, em Camberra.

Nas primeiras declarações que proferiu sobre o assunto desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, Carney sublinhou ainda que o Canadá não foi informado antecipadamente dos ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel.

"Não fomos informados com antecedência, não nos foi pedido para participar", deixou claro, em declarações aos jornalistas que o acompanham na visita à Austrália.

"À primeira vista, parece que estas ações são incompatíveis com o direito internacional", afirmou, acrescentando no entanto que, se os ataques aéreos dos EUA e de Israel violaram o direito internacional, é "uma decisão que cabe a outros tomar", afirmou.

"Geoestrategicamente, as potências hegemónicas estão cada vez mais a agir sem restrições ou respeito pelas normas ou leis internacionais, enquanto outros sofrem as consequências. Agora, os extremos dessa rutura estão a ser vividos em tempo real no Médio Oriente", disse Carney.

O Canadá apoiou os esforços para impedir que o Irão obtivesse uma arma nuclear e ameaçasse a paz e a segurança internacionais, disse Carney. Os dois países não mantêm relações há 15 anos devido a relatos de violações dos direitos humanos no Irão. No ano passado, o Canadá designou a Guarda da Revolução do Irão como uma entidade terrorista.

Durante uma reunião na quarta-feira no Lowy Institute, um grupo de reflexão com sede em Sydney (sudeste da Austrália), Carney exortou "todas as partes" envolvidas na guerra desencadeada pelos ataques americano-israelitas contra o Irão a respeitarem as regras internacionais de combate e apelou a uma "desescalada".

Mark Carney repete há meses que o mundo se tornou cada vez mais perigoso e que os Estados Unidos deixaram de ser um parceiro confiável. O Canadá reduziu fortemente a dependência em relação à economia norte-americana, que continua a ser a peça central da política económica externa do país.

"A questão que se coloca hoje às potências médias como a nossa é se estabelecemos as convenções e contribuímos para a elaboração de novas regras que determinarão a nossa segurança e prosperidade, ou se deixamos as potências hegemónicas ditar os resultados no novo ambiente global", afirmou hoje Carney perante as duas câmaras do Parlamento australiano em Camberra.

"Neste melhor dos mundos, as potências médias não podem contentar-se em construir muros mais altos para se entrincheirarem", acrescentou, numa aparente alusão ao romance distópico de Aldous Huxley.

O Canadá e a Austrália manifestaram a intenção de aumentar a cooperação em minerais críticos, inteligência artificial e tecnologias de defesa. Ambos os países são ricos em minerais essenciais e estão empenhados em construir "a maior reserva mineral detida por nações democráticas confiáveis", na expressão de Carney.

Depois da Austrália, Mark Carney é esperado no Japão esta sexta-feira.

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Ponto de situação
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Forças iranianas visam grupos curdos no Iraque

  • Teerão afirma ter atacado grupos curdos em território iraquiano e deixa um aviso a "separatistas" contra quaisquer formas de intervenção no conflito em curso. Os alvos, indica o regime, são grupos "opostos à revolução". Esta tomada de posição foi conhecida após terem circulado informações de que os Estados Unidos pretenderiam armar milícias curdas para proceder a incursões em solo iraniano. Terá morrido um membro de um grupo curdo iraniano exilado;


  • As Forças de Defesa de Israel sinalizaram nas últimas horas o início de uma nova vaga de bombardeamentos sobre o Irão;


  • Também o Irão lançou nova vaga de mísseis contra Israel às primeiras horas desta quinta-feira, o que obrigou a acionar os alarmes em diferentes regiões do Estado hebraico, incluindo Telavive;


  • As Forças Armadas iranianas negam ter disparado qualquer míssil contra a Turquia, depois de o Ministério da Defesa deste país ter adiantado que um míssil iraniano foi abatido por sistemas de NATO em espaço aéreo turco. Teerão garante respeitar a soberania turca;


  • O gabinete do primeiro-ministro israelita veio clamar que Israel e Estados Unidos obtiveram já "ganhos históricos" com a ofensiva contra o Irão. Um porta-voz de Benjamin Netanyahu justificou mesmo o ataque do último fim de semana com supostos "novos bunkers subterrâneos" em construção para o desenvolvimento de armas nucleares;


  • O conflito no Médio Oriente já fez pelo menos 1.045 mortos desde sábado. É o balanço oficial de Teerão. Além do Irão, o Líbano também está sob ataque e o número de baixas civis já ultrapassa as 50;


  • Um navio de guerra britânico com ordens para rumar a Chipre só deverá partir na próxima semana, de acordo com responsáveis ocidentais citados pela agência France-Presse. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou na passada terça-feira o destacamento do HMS Dragon, um contratorpedeiro Type 45, para "operações defensivas";


  • Um bombardeamento aéreos atingiu o bastião do Hezbollah xiita libanês no sul de Beirute;


  • Um submarino norte-americano torpedeou e afundou um vaso de guerra do Irão ao largo do Sri Lanka. O navio IRIS Dena acabava de cumprir uma visita amigável à Índia quando foi atingido. A marinha do Sri Lanka deu conta da recuperação de 87 corpos;


  • O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abas Araghchi, avisou que os Estados Unidos vão "arrepender-se amargamente" de terem afundado no navio da República Islâmica, "uma atrocidade no mar", nas palavras de Teerão;


  • O próximo líder supremo do Irão pode ser Mojtaba Khamenei. A decisão cabe a uma assembleia de peritos e ainda não foi anunciada formalmente, mas está ser confirmada por várias fontes no Irão. Mojtaba é filho de Ali Khamenei, morto nos bombardeamentos do fim de semana. Tem 56 anos e é considerado uma das figuras mais poderosas de regime, com uma postura anti-ocidental;


  • Em Portugal, o Governo admite avançar com um desconto extraordinário no imposto sobre combustíveis, se o preço subir mais de dez cêntimos na próxima semana. A decisão foi anunciada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, no debate quinzenal de quarta-feira;


  • A ministra do Ambiente e Energia assegura que Portugal tem reservas de Petróleo e de gás suficientes para três meses. Maria da Graça Carvalho destaca a autonomia do país em relação às energias renováveis e lembra que já existem mecanismos europeus que evitam que o aumento do preço do gás arraste o da eletricidade;


  • Chegaram na última noite a Lisboa 122 portugueses que estavam no Dubai. Viajaram num voo comercial e confessaram estar aliviados.
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"Alienou EUA e países árabes". Durão Barroso critica posição espanhola

Na Grande Entrevista desta quarta-feira, Durão Barroso avaliou a decisão do Governo espanhol de não permitir o uso das suas bases militares pelos EUA como um "erro grave" que afastou Madrid de Washington e irritou o mundo árabe.

No programa “Grande Entrevista”, Durão Barroso defendeu que a Europa tem de assumir “maturidade geopolítica” e decidir se fica ao lado dos Estados Unidos ou de um regime teocrático e opressor como o Irão.

“Nós, europeus, não podemos ser os únicos vegetarianos num mundo de carnívoros”, disse.


“Podemos ou não gostar da administração Trump, mas temos de pensar fora da ideologia. Eles são o nosso maior aliado”, lembrou.

Durão Barroso criticou a decisão de Espanha de não permitir o uso das suas bases militares pelos EUA para atacar o Irão, afirmando que Madrid “não ganhou nada com esta posição”. “Alienou os EUA e os países árabes e está numa posição praticamente isolada na Europa”, afirmou.

“Nós somos obviamente pelo Direito Internacional, mas não somos nós que decidimos se há ou não uma guerra dos EUA contra o Irão”, disse, afirmando que “naquilo que está no nosso controlo, devemos defender o direito internacional. Mas naquilo que está fora do nosso controlo devemos tomar a posição que melhor serve os nossos interesses”.

Já em relação a Portugal, o antigo presidente da Comissão Europeia considera que a utilização da Base das Lajes mostra que o país continua a ser visto como um “aliado credível”.

Lembrando que foi o próprio que negociou, em 1995, o atual acordo de utilização da Base das Lajes pelos EUA, Durão Barroso esclareceu que o documento diz que, “em alguns casos de guerra, os EUA têm que informar ou pedir autorização ao governo português”.

O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros disse não ter ficado surpreendido com esta nova ofensiva ao Irão, afirmando que “há muito que Israel procurava convencer os EUA a juntarem-se a eles numa ação contra Irão”.

“Desde que houve o ataque do Hamas contra Israel, Israel viu uma oportunidade de realizar o seu objetivo estratégico: a neutralização completa do Irão, porque o Irão tem como objetivo destruir o Estado de Israel”, explicou.

Durão Barroso não tem dúvidas de que o objetivo é a “neutralização completa do poderio militar do Irão”, afirmando que para Israel “esta é uma questão existencial”.

“Os EUA têm uma oportunidade para destruir este regime. Não necessariamente para o substituir por um regime democrático, mas para aniquilar as capacidades destrutivas do Irão”, disse, afirmando que a morte do líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, “foi muito significativa”.
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Sanchez responde a Trump. Espanha preparada para resistir a represálias

Pedro Sanchez respondeu ao anúncio de que os Estados Unidos vão acabar com os acordos comerciais com Espanha.

Foto: Susana Vera - Reuters

O chefe do Governo espanhol disse que o seu país dispõe de uma fortaleza institucional e económica forte para fazer face às eventuais represálias comerciais.
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Montenegro. "Não houve nenhuma informação adicional a Portugal" antes do ataque

O debate quinzenal desta quarta-feira ficou marcado pelo conflito em curso no Médio Oriente. O primeiro-ministro revelou que "antes do ataque inicial dos EUA ao Irão não houve nenhuma informação adicional a Portugal", quando questionado sobre a utilização da Base das Lajes.

Foto: Tiago Petinga - Lusa

O chefe de Governo afirmou que houve o acompanhamento que "fazemos de todos os voos na base das Lajes", ao abrigo de um regime de 2017 adotado por um Governo socialista, lembrou.

Esse regime "prevê uma autorização anual de permanente, atribuída a 50 países nos quais os EUA se integram", e que obriga à comunicação do destino e das cargas das aeronaves.

Portugal "tem 24 horas para se opor" aos voos, sendo que isso "só acontecerá se algo nessa informação for suscetível de ferir alguma das disposições da lei ou dos princípios a que estamos obrigados", acrescentou.

"Não houve nenhuma informação capaz de dar o enquadramento para objetarmos às notificações que recebemos em particular dos Estados Unidos da América, nosso aliado da NATO".
Presidente, Presidente eleito e partidos foram "consultados"
"Depois do ataque, fomos efetivamente instados a autorizar, nos termos do acordo técnico que temos com os EUA, a utilização da Base das Lajes", refere Montenegro.

Esse "pedido formal para a utilização da Base das Lajes ocorreu na tarde de dia 28", mas, frisou Montenegro, "nós antecipamo-lo".

"A nossa consulta ao presidente da República, ao presidente da República eleito e aos partidos políticos com maior representatividade", ocorreu "na tarde anterior", acrescenta, lembrando que o executivo "não é alheio" às notícias.

"Depois do pedido ter sido formalizado, nós informamos todos estes intervenientes da decisão que tínhamos tomado que já tínhamos antecipado", referiu ainda o primeiro-ministro, sem revelar o que foi debatido nas relações bilaterais com cada um deles.“Relação mais próxima” com os EUA
O primeiro-ministro disse também no debate quinzenal não haver dúvidas que Portugal é mais próximo dos Estados Unidos do que do Irão.

Luís Montenegro referiu-se ao Irão como um país que “viola de forma reiterada o direito internacional e que tem em curso um programa nuclear”, enquanto os EUA são um parceiro e membro da NATO.

“Que não haja dúvidas que Portugal tem objetivamente uma relação muito mais próxima com o nosso aliado, os Estados Unidos da América”, vincou.

Montenegro respondia à questão de José Luís Carneiro, que começou a intervenção dizendo "de forma clara e inequívoca" que o PS condena a intervenção militar dos Estados Unidos e de Israel no Irão, mas também repudia o regime "teocrático" iraniano.

Na resposta, o primeiro-ministro assegurou que “o Governo português obviamente fez a sua análise e a sua interação em toda esta tripla dimensão: União Europeia, NATO, parceiros na zona do Golfo”.

A prioridade de Portugal “é a proteção e segurança dos portugueses que residem ou se encontram naquela região”, frisou Luís Montenegro.

“Portugal tem uma tradição muito saudável” de, em matérias de política externa, “ter um largo consenso” e um “respeito pelo direito internacional, pela carta das Nações Unidas, pelo papel de Portugal no mundo”, acrescentou.

“Tendo havido uma ação militar dos EUA, Portugal não acompanhou, não subscreveu e não esteve envolvido nessa ação militar. O que não quer dizer que não esteja a acompanhar desde a primeira hora”, disse ainda.

O Estado português “defende a via diplomática e negocial para garantir a paz internacional”.Uso das Lajes salvaguardou o "interesse nacional"
A autorização do uso da Base das Lajes ocorreu dentro de três "grandes critérios", explicou o primeiro-ministro.

"Serem operações de natureza defensiva ou de retaliação", "necessárias e proporcionais ao ataque visavam contrapor", e "visarem exclusivamente alvos militares", referiu.

Condições "em linha com o direito internacional e isso mesmo foi transmitido aos EUA, exatamente nestes termos", acrescentou Montenegro.

O primeiro-ministro frisou que também aqui foi defendido o "interesse nacional".

"Atuamos no respeito pelos nossos princípios de orientação de política externa, por respeito aos princípios de preservação, proteção e salvaguarda do interesse nacional", porque este "também pressupõe a nossa relação com os nossos aliados" e em esforços que vão "consubstanciar a nossa própria segurança", diz.Prioridade são operações de repatriamento
O primeiro-ministro afirmou esta quarta-feira que a primeira prioridade do Governo é o repatriamento em curso dos portugueses que se encontram no Médio Oriente.

"A primeira prioridade, aquela que é o motivo da nossa intervenção mais imediata, é a proteção e a segurança dos portugueses que residem ou se encontram naquela região", declarou Luís Montenegro em resposta a José Luís Carneiro durante o debate quinzenal.

De acordo com o líder do executivo, perante o conflito, o Governo aumentou os esforços de contacto e de recolha de informação.

"Temos já em curso operações de repatriamento que estão, neste momento, a decorrer e que, naturalmente, têm contornos que não podem ser totalmente publicitados, precisamente por razão da segurança", disse.

Também de acordo com o primeiro-ministro, o Governo convocou uma reunião extraordinária do Gabinete Coordenador de Segurança para reforçar as medidas de segurança interna.

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Primeiro voo do Dubai. Avião da Emirates já aterrou em Lisboa

Chegou a Lisboa o primeiro voo que saiu do Dubai, desde o início do ataque ao Irão.

No entanto, muitos outros voos permanecem cancelados e as Embaixadas de Portugal em Abu Dhabi e em Riade estão a informar os cidadãos nacionais de possíveis voos de repatriamento cujos custos ficarão a cargo de quem os utilizar.
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Norte da Europa prepara planos comuns de retirada de civis em caso de conflito

Dez nações do Norte da Europa concordaram em preparar-se para possíveis evacuações transfronteiriças de civis em caso de crise ou conflito militar na região

Cidadãos eslovacos, retirados de Israel e da Jordânia embarcam numa aeronave militar C-27J Spartan da Força Aérea Eslovaca num voo organizado pelo governo. Foto: Ministério da Defesa da Eslováquia - Reuters

A Suécia referiu que a iniciativa procura responder ao que foi aprendido com a guerra na Ucrânia. Os 10 países irão elaborar planos conjuntos que abrangem transportes, controlo das fronteiras, corredores de viagem e outras questões.

A Alemanha e a Polónia, juntamente com outros membros da NATO, como a Estónia, a Letónia, a Lituânia, a Suécia, a Noruega, a Finlândia, a Islândia e a Dinamarca, intensificaram nos últimos anos os seus planos para um possível futuro conflito armado com a Rússia.

"A experiência da Ucrânia demonstrou que as deslocações temporárias da população permitem a defesa contínua do país, protegendo simultaneamente os civis", afirmou o Ministério da Defesa sueco num comunicado que anuncia o acordo com o norte da Europa.

Milhões de pessoas fugiram da Ucrânia nos quatro anos desde a invasão russa em grande escala, em Fevereiro de 2022, a maioria procurando refúgio noutros países europeus enquanto o conflito interno persiste.

No seu comunicado, a Suécia sublinhou que, para além dos corredores de transporte e de viagem, o planeamento das evacuações transfronteiriças incluirá o acolhimento e o registo de pessoas e a protecção de grupos vulneráveis.

"O objetivo do acordo é melhorar a proteção da população civil em caso de grandes crises ou, na pior das hipóteses, de guerra", afirmou. 

O Kremlin tem afirmado repetidamente que a Rússia não deseja invadir países da NATO. 

A Estónia, a Letónia e a Lituânia assinaram um acordo semelhante no ano passado, elaborando planos de contingência para lidar com a possibilidade de centenas de milhares de pessoas fugirem de um aumento da presença militar russa ou de um ataque.

A Finlândia, que partilha uma fronteira de 1.340 quilómetros com a Rússia, assinou um acordo semelhante com a Suécia em 2024.
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