Israel segue diplomacia norte-americana e abandona UNESCO

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Benjamin Netanyahu diz que a decisão dos Estados Unidos foi "corajosa e moral".
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Depois dos Estados Unidos, é a vez de Israel anunciar que vai sair da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura. Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita, saúda uma decisão de Washington que diz ser “corajosa e moral” e pediu aos seus diplomatas para que também iniciem o processo de retirada.

O chefe do Governo de Israel anunciou esta quinta-feira que vai retirar a representação diplomática do país junto da UNESCO. A decisão surge poucas horas depois de a Administração Trump ter confirmado a saída da organização devido à postura “anti-israelita” deste órgão da ONU. 

“Esta é uma decisão corajosa e moral, a UNESCO tornou-se num teatro do absurdo. Em vez de preservar a história, esta organização distorce-a”, afirmou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em comunicado.

O mesmo documento fez saber que o líder israelita “já deu instruções ao Ministério dos Negócios Estrangeiros para que prepare a retirada de Israel da organização, paralelamente ao que foi feito pelos Estados Unidos”. 

Tal como o primeiro-ministro de Israel, também Avigdor Lieberman, ministro israelita dos Negócios Estrangeiros, elogiou a decisão de Washington.  

“Foi um passo importante, na direção certa, por parte do nosso maior aliado, em relação a uma organização antissemita e politicamente tendenciosa, que transformou mentiras em práticas comuns e perdeu o seu rumo”, considerou o chefe máximo da diplomacia israelita.  
Uma decisão revogável?
Ao jornal israelita Haaretz, um alto funcionário do Governo de Telavive esclarece que esta decisão deixa uma porta aberta à eventual permanência do país na UNESCO. 

Tal como os Estados Unidos, cuja saída efetiva está prevista apenas para dezembro de 2018, a decisão de Israel não terá efeitos imediatos e envolve um processo que deverá durar pelo menos um ano. 

“Se os Estados Unidos mudarem de opinião sobre a UNESCO no próximo ano e dois meses devido a uma mudança de comportamento da organização, após a nomeação de um novo diretor-geral, Israel poderá eventualmente decidir que não sai”, esclareceu o funcionário. 

Antes de ser conhecida a decisão de Israel, a Administração Trump explicava que a decisão de abandonar a organização da ONU para a Educação, Ciência e Cultura “não foi tomada de forma ligeira”. 

De saída, os Estados Unidos pretendem, no entanto, continuar ativos junto da organização como observadores, em defesa de importantes temas que estão sob a chancela da UNESCO, nomeadamente “a proteção do património mundial e a defesa da liberdade de imprensa”. 
"Uma perda para o multilateralismo"
A saída dos Estados Unidos representa para a UNESCO a perda de um financiador crucial, responsável por doar cerca de um quinto dos fundos desta organização. 

Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO já veio lamentar "profundamente" a decisão dos Estados Unidos em abandonar uma organização fundada no final da II Guerra Mundial, que tem como objetivo proteger a herança cultural e natural por todo o mundo. 

"Numa altura em que os conflitos continuam a dilacerar sociedades, é profundamente lamentável que os Estados Unidos saiam da agência das Nações Unidas, que promove a Educação para a paz e a proteção da Cultura sob ataque. Esta é uma perda para a família das Nações Unidas, é uma perda para o multilateralismo", disse a responsável.

A UNESCO foi a primeira organização das Nações Unidas a admitir a Palestina como membro pleno, em 2011. Desde então, Israel e Estados Unidos têm cortado o financiamento ao órgão da ONU e intensificaram esforços diplomáticos na tentativa de fazer recuar esta decisão.
 
A última gota de água terá sido a decisão de julho último, quando a UNESCO declarou a cidade de Hebron, na Cisjordânia, como “zona protegida” da Palestina. A cidade está ocupada por Israel desde 1967 e é uma das muitas zonas onde foram instalados colonatos judaicos.

c/ agências internacionais

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