Itália. 5-Estrelas e Democratas tentam formar novo Governo

É a ultima oportunidade para evitar eleições antecipadas. O Movimento 5-Estrelas e o Partido Democrata (PD) retomam esta quarta-feira as discussões para formar um novo Governo, depois do vice-primeiro ministro e ministro do Interior, Matteo Salvini, ter feito cair o Governo após 14 meses de coligação.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Luigi Di Maio, líder do Movimento 5-Estrelas, de Itália Reuters

O líder do PD, Nicola Zingaretti, e o líder do 5-Estrelas, Luigi Di Maio, deverão depois reunir-se numa nova consulta com o Presidente italiano, Sergio Matarella, a partir das 14h00 em Roma.

Espera-se que apoiem uma nova coligação, de novo liderada pelo demissionário primeiro-ministro, Giuseppe Conte, um independente próximo do M 5-Estrelas.

Nesse cenário, Conte será chamado ao Palácio do Quirinale ainda esta tarde ou quinta-feira de manhã, para ser mandadato a formar um novo Governo.

O fracasso ditará um novo escrutínio, prometeu desde já Matarella.
Distribuição de lugares
A noite passada o acordo parecia periclitante apesar de um dia de progressos, depois de o PD acusar Di Maio de pretender reservar para si o cargo de vice primeiro-ministro, apesar da oposição dos democratas.

Andrea Marcucci, líder dos senadores do PD, afastou os receios, ao confirmar aos repórteres a realização de um novo encontro, esta manhã. "Não creio que haja quaisquer vetos", acrescentou Marcucci, sobre a questão levantada contra Di Maio.

"Continuamos a trabalhar de forma produtiva", comentou por seu lado a vice líder do PD, Paola Di Micheli, revelando que "as duas partes analisaram pontos base de um novo programa" de Governo.

Stefano Patuanelli, líder do M5 no Senado, confirmou "um bom clima" de negociações e disse que o trabalho iria prosseguir esta quarta-feira.
Divididos
A crise política provocada por Salvini, alegadamente devido a estratégias politicas irreconciliáveis, levou à demissão do primeiro-ministro Giuseppe Conte a semana passada.

Mattarella torpedeou a estratégia do líder da Liga e, em vez de convocar novas eleições, incumbiu o M5, vencedor das últimas eleições legislativas, de tentar um acordo com o PD.

A solução eventualmente encontrada terá contudo de obter ainda luz verde num voto online dos membros do 5 Estrelas, hostis ao PD e que têm aconselhado Di Maio nas redes sociais a não se comprometer com os democratas.

A complicar ainda mais a solução, tanto o M 5-Estrelas como o Partido Democrata estão divididos internamente entre fações que querem um acordo e outras que preferem arriscar o voto.

Di Maio, mesmo ausente no início das negociações, terça-feira, deverá preferir uma coligação, já que o seu partido perdeu milhares de votos para a Liga de Salvini, nas eleições europeias de maio.

Sondagens recentes indicam que a Liga perdeu entre 3 a 7 pontos percentuais desde o colapso do Governo, embora se mantenha numa liderança confortável, seguido pelo PD e pelo 5-Estrelas.
Apoio de Trump
Apesar do tom otimista adotado ao longo do dia de terça-feira, os democratas resistem não só à nomeação de Di Maio como vice primeiro-ministro, mas também a apoiar o regresso de Conte à chefia do Governo.

Nas últimas horas, a recondução de Conte recebeu um apoio inesperado, por parte do Presidente norte-americano, Donald Trump, através do Twitter, e a qual deverá deixar amargos de boca a Salvini, um confesso admirador de Trump.


"Começa a correr bem ao muito respeitado primeiro-ministro da República de Itália, Giuseppe Conte", escreveu Trump, considerando Conte "um homem muito capaz que, esperemos, se irá manter primeiro-ministro".

Os mercados mantêm-se na expectativa, com os investidores a desejar que se evitem novas eleições as quais, avaliar pelos resultados obtidos em maio e pelas sondagens, poderiam ser ganhas por Matteo Salvini.

Um Governo que iria colocar provavelmente a Itália em rota de colisão com Bruxelas, num cenário de instabilidade económica.
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