Mundo
"Já consigo contactar com a minha mãe". Volta a ser possível comunicar com o Irão
Depois de vários dias em que as comunicações estiveram limitadas, aos poucos começa a ser possível comunicar com o Irão. A Antena 1 conversou com um iraniano que vive em Portugal e que ficou aliviado por ter tido esta terça-feira novidades da família.
Ashkan Seifi mora na região de Lisboa há mais de 40 anos, depois de vir para Portugal na altura da revolução iraniana de 1979.
"Cheguei a Portugal com 14 anos, ainda me lembro da revolução", diz à Antena 1, sublinhando que "persistiu uma sensação de medo no ar" e de "não ter liberdade", pelo que os pais concluiram que "não era naquele ambiente que pensavam que iriam ter o melhor para a nossa vida".
Com as manifestações no Irão que se arrastam há três semanas, Ashkan descreve que se vive um "desgaste social prolongado".
Mesmo após os protestos de 2022, quando houve manifestações após a morte de Masha Amini, "as coisas continuavam vivas, mas com muito medo" e com uma "repressão muito grande", descreve.
O imigrante iraniano explica que tem sido impossível falar para o país desde o dia 8 de janeiro, quando começou o bloqueio de internet no Irão. Enquanto Ashkan conversava com a Antena 1, recebeu uma chamada da mãe.
"A minha mãe está a telefonar do Irão, já não falo com ela há quatro dias", relatou antes de desligar.
Excerto da conversa de Ashkan Seifi com a Antena 1
Depois, mais aliviado, disse que está tudo bem com ela dentro do possível: "Fico mais aliviado, já consigo estar em contacto com a minha mãe".
São dias de incerteza numa altura em que os Estados Unidos tem ameaçado intervir no Irão, com Ashkan Seifi a dizer, na sua opinião, que o presidente norte-americano não está realmente preocupado com os direitos humanos no país.
"Há grandes interesses da parte dos Estados Unidos", defende, lembrando a questão do petróleo.
Na segunda-feira, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão garantiu que "a situação está agora sob total controlo do país", mas, em entrevista à Antena 1, o diretor da organização não governamental Iran Human Rights afirmou que, "por causa do corte na internet, é muito difícil obter informação", sem que exista "uma imagem clara" da situação.
Já esta terça-feira, citado pela Reuters, um oficial iraniano aponta uma estimativa de duas mil mortes relacionadas com os protestos no país.