Joe Biden promulga nova lei de ajuda à Ucrânia

por Graça Andrade Ramos - RTP
O presidente Joe Biden de regresso à casa Branca Elizabeth Frantz - Reuters

Os Estados Unidos vão enviar material militar à Ucrânia já "nas próximas horas", anunciou o presidente norte-americano ao promulgar a lei de auxílio externo orçada num total de 95 mil milhões de dólares, dos quais 61 mil milhões reservados ao esforço de guerra ucraniano.

O pacote teve luz verde do Senado esta terça-feira, culminando meses de tensão e de negociações, que resultaram numa divisão no campo republicano e que continua a ameaçar a liderança de Mike Johnson na Câmara dos Representantes.

"É um investimento na nossa própria segurança", declarou Joe Biden. A legislação vai "reforçar a segurança da América e da segurança do mundo", insistiu o presidente norte-americano, reconhecendeo que o processos legislativo foi "difícil".

"Não abandonamos os nossos aliados, apoiamo-los. Não deixamos os tiranos vencer, opomo-nos a eles. Não assistimos enquanto espetadores às evoluções do mundo, nós moldamo-las", declarou Biden, saudando o consenso político encontrado entre os representantes democratas e alguns dos seus pares republicanos "após meses de difíceis negociações em torno do texto".

"Estivemos à altura do momento. Estivemos unidos. E conseguimos. Agora precisamos de agir rapidamente", disse Biden, no evento na Casa Branca para anunciar a assinatura da medida de ajuda externa.

"Eis o que significa ser superpotência mundial", frisou o presidente. "Não nos curvamos perante ninguém. Ninguém. E certamente não perante (o presidente russo) Vladimir Putin", acrescentou.

Moscovo criticou severamente a aprovação do pacote, com Kiev a agradecer o auxílio. O presidente Zelensky, que há meses pressionava o Ocidente por mais meios de combate, saudou o apoio de que a Ucrânia "necessita". O que está incluído

O pacote, aprovado por 79 votos contra 18, inclui o envio de munições, entre as quais de defesa aérea e munições de artilharia, pedidas pelas forças ucranianas, bem como veículos blindados e outro armamento.

O plano autoriza nomeadamente do presidente Biden a confiscar e a vender ativos russos para que sejam usados para financiar a reconstrução da Ucrânia.

Grande parte do pacote irá também servir para renovar os arsenais norte-americanos e será investido na indústria de armamento dos Estados Unidos.

A ajuda militar norte-americana à Ucrânia, que foi suspensa há várias semanas, deverá ser retomada, "nos próximos dias", avançou um porta-voz do Pentágono na terça-feira.

Ao promulgar a lei, Biden revelou contudo que mil milhões de dólares foram desbloqueados de imediato, de forma a que as armas e munições possam começar a ser enviadas "nas próximas horas".

A adoção deste plano de ajuda é um alívio para o exército ucraniano, que enfrenta uma escassez de novos recrutas e de munições face à pressão constante das tropas russas no leste.

A longo prazo, permanece incerto se a Ucrânia -- depois de meses de perdas militares no leste do país e de ter sofrido enormes danos nas suas infraestruturas -- poderá fazer progressos suficientes para sustentar o apoio político norte-americano antes de gastar o mais recente influxo de dinheiro.

"Isto não vai favorecer os ucranianos no Donbass, e certamente também não em outras partes do país", disse o porta-voz de Segurança Nacional da Casa Branca, John Kirby, referindo-se ao coração industrial do leste, onde a Ucrânia sofreu reveses.
Israel e TikTok
Além da verba destinada à Ucrânia (o equivalente a 57 milhões de euros), 26 mil milhões vão ser enviados a Israel e outros oito mil milhões para Taiwan. 

Ao assinar a lei, Joe Biden apelou ao governo israelita que permita aos palestinianos de aceder "sem demora" à ajuda humanitária.

"Israel deve garantir que toda esta ajuda chegue aos palestinianos em Gaza, sem demora", disse Biden. "Temos de levar ajuda humanitária a Gaza o mais rapidamente possível". 

"Esta lei inclui mil milhões de dólares de ajuda humanitária adicional em Gaza. Vamos garantir essa ajuda e melhorá-la com alimentos, suprimentos médicos e água e Israel deve garantir que esta ajuda chega a todos os palestinianos em Gaza", disse o presidente norte-americano, após assinar a lei.

Biden afirmou ainda que esta ajuda à Faixa de Gaza destina-se a "pessoas inocentes que estão a sofrer gravemente as consequências do que o Hamas iniciou", referindo-se ao ataque deste grupo islamita em 07 de outubro contra Israel, no qual morreram 1.200 pessoas e outras 230 foram raptadas.

Embora Biden tenha pressionado publicamente Israel para permitir a entrada de ajuda humanitária no enclave, o líder norte-americano também reiterou o apoio ao seu principal aliado no Médio Oriente.

"O meu compromisso com Israel é inabalável", garantiu o Presidente.

A lei inclui ainda provisões que poderão proibir as operações da rede TikTok nos Estados Unidos, dando à empresa chinesa proprietária da rede, ByteDance, cerca de nove meses para a vender sob pena de ser banida das lojas de aplicações norte-americanas.


A campanha de recandidatura presidencial de Joe Biden já confirmou entretanto que planeia  "continuar a utilizar a plataforma TikTok".

(com agências)
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