Lua, 50 anos. De Saturno V para o satélite natural

Desde os primeiros passos bípedes, o ser humano olha para a Lua com um misto de admiração, curiosidade, espanto e até secretismo. A vontade de lá ir é quase tão velha como o desejo de voar. Alcançar o “eterno” satélite natural da Terra era considerado um feito só materializável pelos deuses. Mas aconteceu mesmo há 50 anos.

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O caminho começou a ser trilhado no início dos anos 60. No dia 16 de julho de 1969, soltaram-se as amarras deste pesado planeta a que chamamos casa. Era o dia 1 da chegada do Homem à Lua.

Cinco, quatro, três, dois, um, zero. “All engines running. LIFT-OFF! We have a lift-off, 32 minutes past the hour. Lift-off on Apollo 11” – Jack King, relações públicas da NASA.



As imagens históricas documentam a partida do poderoso foguetão Saturno V, que transportava no topo os três astronautas que iriam protagonizar um dos momentos marcantes da História universal.

Erguer a missão Apollo 11

Os últimos meses de Armstrong, Aldrin e Collins tinham sido de intenso treino. Os três astronautas iam ser o rosto da escalada espacial que tinha vindo a ser construída ao longo das várias missões Mercury e Apollo. Mas se estes foram as faces mais visíveis, outros astronautas prepararam todo um trabalho que culminaria nesse dia 16 de julho de 1969.

Neil Armstrong, Edwin Aldrin e Michael Collins passaram meses a treinar com as tripulações das missões que os antecederam e que iriam efetuar, passo a passo, todas a fases desta primeira viagem à superfície lunar.

Os três astronautas realizavam treinos conjuntos com a tripulação de apoio da Apollo 8 quando, a 9 de janeiro de 1969, tomaram conhecimento de que seriam eles os nomeados para a Apollo 11, a primeira a desembarcar homens na Lua.

Seis meses apenas para praticar cada ação uma, outra e outra vez , desde o manuseamento do Módulo de Comando (MC) à entrada e saída da escada do Módulo Lunar (ML), até ao simples recuperar de amostras lunares.

Mas apesar de estes três homens serem os eleitos, não era razão suficiente para terem acesso aos simuladores, ocupados nesta fase pelos companheiros e astronautas das missões Apollo 9 (teste de acoplagem entre MC e ML) e Apollo 10 (viagem Terra-Lua, teste acoplagem e regresso), que iriam executar todas as manobras, deixando-lhes pouco tempo para treinar.


Todos eles receberam extensa instrução em geologia, até Collins, mesmo sendo este o “sacrificado” - sem poder pisar a Lua. Há relatos de que o capitão Armstrong mostrava sinais de nervosismo, com medo de errar neste momento único. Mas o geólogo Elbert King assegurou-lhe que quaisquer amostras e observações que ele pudesse recolher, por mais pequenas que fossem, seriam históricas e inestimáveis.

Treinos de sobrevivência no mar e em terra.

A viagem até à Lua não terminava com o sucesso dos astronautas em viajarem durante três dias pelo espaço, alunarem e pisarem o astro. Faltava todo um segundo capítulo, que consistia em regressarem à Terra sãos e salvos. Se grande parte da equipa de apoio estava concentrada na grande viagem até à Lua e no regresso, outros pensavam na reentrada e no que poderia acontecer caso a aterragem não decorresse onde e como previsto.

Diferentes perguntas - como "e se uma cápsula espacial Apollo falhasse o oceano e atingisse terra", ou "o que fazer caso a cápsula se afundasse" - eram colocadas com a mesma importância das que implicavam a sobrevivência no espaço.

Por isso, a NASA quis que os astronautas estivessem preparados para sobreviver onde quer que fossem parar. Os treinos passaram por vários locais hostis: selva do Panamá, Base Aérea Stead, no Nevada, e Washington, para treino de sobrevivência no deserto.

Os astronautas Thomas Mattingly, Alfred Worden e John Swigert (da esquerda para a direita) aprendem a lidar com uma cobra não venenosa com o oficial de Operações Médicas James McGee, durante o treino de sobrevivência no deserto, no Estado de Washington, em agosto de 1967.

Os 14 astronautas da NASA posam para uma foto de grupo depois de completarem o treino no deserto do Nevada, em janeiro de 1964. Fila da frente: (da esquerda para a direita) William Anders, Walter Cunningham, Roger Chaffee, Richard Gordon e Michael Collins. Segunda fila: (da esquerda para a direita) Clifton Williams, Eugene Cernan, David Scott, Donn Eisele, Russell Schweickart, Edwin Aldrin, Alan Bean, Charles Bassett e Theodore Freeman.

A intensidade do treino exigido pela NASA nesta missão era tal que em junho, semanas antes do lançamento, a tripulação teve de recusar um convite para jantar com o Presidente Nixon, na Casa Branca, porque só isso implicaria tirar um único dia do calendário apertado e poderia adiar o lançamento por um mês.



O dia 16 julho de 1969
Ninguém pregara olho na noite de 15 para 16 de julho de 1969 em Cabo Canaveral. Com todas as atenções virada para a rampa de lançamento número 39A, onde estava o imponente foguetão Saturno V construído no Marshall Space Flight Center. Um foguete de três estágios, que era mais alto do que um prédio de 36 andares e pesava 3817 toneladas.

Seria dentro desta seta metálica branca com faixas negras, onde se podia ler, impressas na fuselagem vertical, United States, que três homens viajariam cerca de 360 mil quilómetros, para longe do planeta azul.

O relógio marcava 6h45 na península americana da Florida quando os astronautas ocuparam os lugares que lhes estavam destinados na cápsula. Mas antes Armstrong, Edwin e Aldrin ainda teriam tempo para disfrutar de uma pequena refeição a bordo da carrinha cinzenta construída especialmente para efetuar o transporte dos astronautas. Nervosos como qualquer ser humano perante tal ato que iriam realizar, mal continham no estômago a refeição de ovos mexidos, bifes, umas torradas, o sumo de laranja e um café.
T minus: a contagem
Três horas e meia antes do lançamento, os anúncios sobre o progresso da contagem regressiva são feitos pelo oficial de Assuntos Públicos (PAO) Jack King, a "Voz de Apollo". O registo escrito (aqui traduzido) é das comunicações entre a tripulação e o Centro de Controlo de Missão, através da CapCom (Comunicador da Cápsula).

Esta secção (tipo diário da missão) dá conta das comunicações do voo, desde a descolagem do foguetão Saturno V até à sua inserção na órbita terrestre, cerca de 12 minutos depois, até à conclusão e a confirmação dos parâmetros orbitais e o check-out seguro do terceiro estágio S-IVB em órbita.

PAO: "T menos (T-) três horas, 30 minutos e a aguardar, mas estamos prestes a retomar a contagem em breve. Esperamos retomar a contagem um pouco menos de um minuto deste tempo. Estivemos numa espera interna planeada de uma hora e 32 minutos de duração e parece que todos os aspetos da missão estão prontos para retomar a contagem regressiva da Apollo 11 em breve. Agora a cerca de 25 segundos de distância. A tripulação de astronautas da Apollo 11, Neil Armstrong, Michael Collins e Edwin Aldrin, encontram-se nos vestiários, nos aposentos da tripulação do Centro Espacial Kennedy, vestindo e conferindo os fatos espaciais de pressão. Na plataforma de lançamento, no nível de 320 pés, a escotilha do Módulo de Comando Apollo 11 foi aberta há cerca de dez minutos. O piloto do Módulo Lunar de apoio, o astronauta Fred Haise, deverá embarcar na nave, em breve, para fazer algumas verificações preliminares. Vamos retomar nossa contagem em breve. Mark, T- três horas, 30 minutos e a contar. Estamos a contar para a Apollo 11, todos os elementos Go neste momento, apontando para uma decolagem planeada para as 9h32 EDT. A tripulação de astronautas está prevista sair dos seus aposentos cerca de 24, 25 minutos a partir desta hora, para iniciar a viagem de oito milhas até a plataforma de lançamento. Eles vão estar a embarcar na nave espacial a partir da marca de 2 horas e 40 minutos na contagem. Tudo está pronto com a Apollo 11 neste momento. Às três horas, 29 minutos, 27 segundos e a contar; Aqui Kennedy Launch Control.

Faltava pouco mais de três horas quando a tripulação saiu do resguardo habitacional do Centro Espacial Kennedy. Os astronautas Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins, já vestidos com os fatos espaciais, eram agora acompanhados pelos técnicos e diretor de Operações de Tripulação de Voo, Deke Slayton, até ao veiculo que os iria conduzir até à rampa de lançamento 39A.

Fotos: NASA/DR

A viagem na carrinha de transferência levou cerca de 15 minutos para cumprir os quase 13 quilómetros desde as instalações até junto do Saturno V, onde os astronautas teriam de apanhar o primeiro de dois elevadores até ao nível de 320 pés (97,5 metros) dentro da plataforma de lançamento, onde entrariam na cápsula espacial.

Foto: NASA/DR

PAO: "Aqui Controlo de Lançamento de Saturno Apollo; T- duas horas, 34 minutos, 44 segundos e a contar. O comandante da nave espacial Neil Armstrong está já a bordo da nave Apollo 11 no nível de 320 pés no pad. (…) O comandante foi agora amarrado no sistema e entrou nas linhas de comunicação. Foi-lhe desejado um "Bom dia" pelo Condutor de Teste da Nave Espacial Skip Chauvin e Armstrong em troca disse que parece ser um bom dia. Enquanto isso, a 37 metros abaixo dele, os técnicos continuam a trabalhar para apertar os parafusos em torno de uma válvula de vazamento associada ao sistema que reabastece o combustível hidrogénio para a terceira etapa. Repetindo mais uma vez, isso não é um problema no veículo de lançamento em si, mas no equipamento de apoio terrestre associado. T- duas horas, 33 minutos, 45 segundos e a contar; Aqui é o Kennedy Launch Control.



Na hora e meia seguinte a esta comunicação, os astronautas despediram-se da equipa técnica e ficariam, após a selagem do compartimento estanque da cápsula Columbia, isolados do mundo exterior.

Os três astronautas passariam, a partir de então, a respirar oxigénio puro através dos orifícios existentes nos fatos espaciais. A atmosfera na cabine tinha uma combinação de 60 por cento de oxigénio e 40 por cento de nitrogénio, usada para descolagem.

Tudo havia sido preparado de forma minuciosa. E se algo falhasse as mensagens estavam dispostas no locais certos.

Neil Armstrong estava agora encarregado de fazer a maior parte do trabalho. Tinha de verificar as diferentes luzes de sinalização, significando diferentes dificuldades, bem como painel de aborto, colocado ligeiramente ao lado esquerdo do comandante da missão.

Ainda havia alguns problemas, considerados menores, detetados no computador que monitorizava ao promenor todos os instrumentos do grande Saturno V, da NASA. O Centro de Controlo em Cabo Canaveral conhecia-os e desvalorizava a questão, tranquilizando os astronautas.

PAO: "Aqui Controlo de Lançamento do Apollo Saturn; T-61 minutos a contar; T-61 minutos na contagem regressiva da Apollo 11, e todos os elementos estão prontos neste momento. O astronauta Neil Armstrong acaba de completar uma série de verificações naquele grande motor do Service Propulsion System que se encontra por baixo dele na pilha. Queremos assegurar-nos antes da descolagem que esse motor pode responder aos comandos de dentro da nave espacial (…) Isso, é claro, é importante para manobras no espaço. A contagem regressiva está indo muito satisfatoriamente, com exceção de dois pequenos problemas, já que detetámos na contagem às 23h, horário de verão do leste, ontem à noite, e tudo correu bem. À medida que nos aproximamos da marca de uma hora agora na contagem, uma série de verificações de radiofrequência e telemetria estará em andamento com o veículo de lançamento. Também verificaremos os faróis de rastreio na Unidade de Instrumentos que viaja como um sistema de orientação para o Saturno V durante a fase de propulsão máxima do voo. Agora 59 minutos, 48 segundos e a contar; aqui é o Kennedy Launch Control".

Foto: NASA Jonhson/DR

Deitados de costas voltadas para o solo e com as pernas ligeiramente fletidas, os três astronautas confinados à pequena cápsula (322.6 × 391.2cm, 4141,3kg) do Módulo de Comando Columbia, construída pela North American Rockwell, estavam dispostos da seguinte forma: Neil Armstrong (lado esquerdo), Edwin (Buzz) Aldrin (no meio) e Michael Collins (lado direito).

Bill Schick, supervisor de testes, avisava o centro de controlo que o grande braço oscilante anexado ao foguetão seria removido para uma posição de segurança metro e meio metros do Saturno V. “Alertamos os astronautas porque há um pequeno abanão quando o braço oscilante é afastado”, referia PAO na sua comunicação.

Armstrong, Aldrin e Collins ainda poderiam sair dali caso algo corresse mal. Sabiam que existia um elevador parado precisamente ao nível da cápsula em que embarcaram.

Com o relógio a marcar cerca de 45 minutos para a descolagem, o trabalho duro estava agora a cargo de Buzz Aldrin, instalado no banco do meio. A sua função era trabalhar em conjunto com o Condutor de Teste da Aeronave Espacial nos sistemas de pressurização e controlo de reação. "Estes são estes grandes propulsores no lado do Módulo de Serviço. Na verdade, há 16 deles em quatro quadrantes ao redor do Módulo de Serviço. Eles são usados para manobras no espaço. Nós pressurizamos esse sistema antes da descolagem". Buzz tem agora a maior parte dos interruptores à sua frente. Prepara-se para esse evento específico.

Só na descolagem o Saturno V pesará cerca de 300 toneladas na plataforma de lançamento, fora os mais de um milhão de litros para os propulsores a bordo dos três estágios do Saturn V.

Foto: NASA Jonhson/DR

PAO: "Aqui fala o Controlo de Lançamento de Saturno Apollo. Passamos a marca dos 11 minutos. Agora T - dez minutos e 54 segundos na nossa contagem regressiva para a Apollo 11. (…) A nave também está agora em plena potência interna. Isso aconteceu logo após a marca de 15 minutos. A aeronave agora está com toda a potência das suas células de combustível. Até então, ela estava compartilhar a carga com uma fonte de energia externa. Tanto Armstrong quanto Buzz Aldrin armaram seus controladores manuais rotacionais - os controladores que eles usam em voo - e agora estamos com o sistema automático, com o Sistema de Deteção de Emergência. Esse sistema avisaria os astronautas se houvesse problemas lá em baixo com o foguetão Saturno V durante o voo motorizado. Agora estamos a atingir a marca dos dez minutos. A dez minutos da descolagem planeada. Mark, T- dez minutos e a contar, T- 10. Estamos a apontar para nossa decolagem planeada em 32 minutos depois da hora. Aqui é o Controlo de Lançamento de Kennedy".


Faltam cinco minutos e 20 segundos quando o diretor de operações de lançamento, Paul Donnelly, dá a ordem de seguir para lançamento, aprovada logo de seguida por Rocco Petrone, que o gere. "Estamos e contar", diz PAO. O grande braço oscilante está agora completamente retraído para a descolagem e a telemetria do Módulo Lunar foi desligada. "Demos uma boa vista de olhos ao Eagle e ele parece bom".

A sequência automática teria início aos três minutos e sete segundos. Era tempo de desejar boa sorte à tripulação: "Paul Donnelly deseja à tripulação, em nome das equipas de lançamento. Boa sorte e que Deus vos acompanhe".

"Muito obrigado”, diz Neil Armstrong. “Sabemos que será um bom voo. Comando de disparo a chegar agora. Estamos na sequência automática”.

T-2 minutos e 45 segundos. Os membros da equipa de lançamento no Centro de Controlo, a cerca de dois quilómetros de distância da rampa 39A, seguem os números que denominam de valores de linha vermelha. Tudo dentro dos limites.

O alvo Lua, para os astronautas da Apollo 11, na descolagem, está agora a uma distância de 403.914 quilómetros.



PAO: "T-1 minuto e 35 segundos na missão Apollo, o voo para alunar os primeiros homens na Lua. Todas as indicações que chegam ao Centro de Controlo neste momento indicam que estamos Go. Um minuto e 25 segundos a contar. O computador indica a terceira etapa completamente pressurizada. A marca de 80 segundos já foi ultrapassada. Entraremos em plena energia interna na marca de 50 segundos na contagem regressiva. O sistema de orientação entra em funcionamento interno aos 17 segundos, levando à sequência de ignição aos 8,9 segundos. Estamos nos aproximando da marca de 60 segundos na missão Apollo 11".

"T- 60 segundos a contar. Passamos de T-60. 55 segundos a contar. Neil Armstrong acabou de relatar: "Tem sido uma contagem regressiva muito suave". Passámos a marca dos 50 segundos. A transferência de energia está completa - estamos com energia interna com o veículo de lançamento neste momento. A 40 segundos da descolagem da Apollo 11. Todos os tanques do segundo estágio agora pressurizados. Trinta e cinco segundos a contar. Ainda estamos com a Apollo 11. Trinta segundos a contar. Os astronautas dizem, Sabe bem. T - 25 segundos. Vinte segundos e a contar. T-15 segundos, a orientação é interna. Doze, onze, dez, nove, a sequência de ignição começa...".



“Cinco, quatro, três, dois, um, zero. Todos os motores a funcionar. DESCOLAGEM! Nós temos descolagem, 32 minutos depois da hora [9:32 ECT]. Descolagem para a Apollo 11”.

Milhares de olhos choravam; Milhares de vozes gritavam: "Come on, Baby! Come on, Baby!" E o Saturno-5 subia no céu - in Jornal O Século (17 de julho 1969)


Saturno V - O foguete lunar

Construir uma máquina voadora que levasse o Homem, através do vazio do espaço, até à Lua ainda estava, na mente de muitos, no campo da ficção científica. Saturno V era essa imagem tornada realidade. Complexo, caro, gigante, este foguetão construído através do projeto do Centro Espacial Marshall, da NASA, controlado por Wernher von Braun, constitui ainda hoje um marco na história da aviação e das viagens espaciais.

Composto por três andares (estágios) S-IC (primeiro andar), S-II (segundo) e S-IVB (terceiro), usava oxigénio líquido (lox) como oxidante. O primeiro andar, construído pela Boeing, era pura potência graças aos cinco motores Rocketdyne F-1, os maiores alguma vez construídos até então. Só seriam ultrapassados, dez anos mais tarde, pelo sistema de propulsão RD-170 soviético. Motores alimentados com combustível RP-1, enquanto os segundo e terceiro usavam hidrogénio líquido.

O modelo Saturno V das 15 missões inicialmente programadas (SA 501/513) foi efetivamente lançado 13 vezes do Centro Espacial John F. Kennedy, na Florida, sem perda alguma de carga ou tripulação.

Nomes, datas e missões


  • SA-501/Apollo 4, 9 de novembro de 1967, primeiro voo de teste;
  • SA-502/Apollo 6, 4 de abril de 1968, segundo voo de teste;
  • SA-503/Apollo 8, 21 de dezembro de 1968, primeiro voo tripulado do Saturno V e da órbita lunar;
  • SA-504/Apollo 9, 3 de março de 1969, testes do módulo lunar (LM) na órbita da Terra;
  • SA-505/Apollo 10, 18 de maio de 1969, testes do módulo lunar (LM) na órbita lunar;
  • SA-506/Apollo 11, 16 de julho de 1969, primeira alunagem tripulada;
  • SA-507/Apollo 12, 14 de novembro de 1969, alunagem perto do Surveyor 3;
  • SA-508/Apollo 13, 11 de abril de 1970, missão abortada, problemas no MC, tripulação a salvo;
  • SA-509/Apollo 14, 31 de janeiro de 1971, alunagem perto da cratera Fra Mauro;
  • SA-510/Apollo 15, 26 de julho de 1971, alunagem tendo transportado o primeiro jipe lunar;
  • SA-511/Apollo 16, 16 de abril de 1972, alunagem nos altos de Descartes;
  • SA-512/Apollo 17, 6 de dezembro de 1972, primeiro e único lançamento noturno, Final do programa Apollo (tripulado);
  • SA-513/Skylab 1, 14 de maio de 1973, Estação Espacial Skylab de dois estágios;
  • SA-514 não foi lançado;
  • SA-515 não foi lançado.

Até ao dia 7 de fevereiro de 2018, o Saturno V fora o mais alto, o mais pesado e o mais potente (em termos de impulso total) foguetão já operado. Sendo também o recordista da maior e mais pesada carga útil lançada na órbita terrestre baixa [Estação Espacial norte –americano Skylab], só suplantado recentemente pelo Falcon Heavy da empresa privada norte-americana SpaceX, de Silicon Valley pertencente a Elon Musk, que curiosamente foi lançado da mesma plataforma [39A] que o seu potente antecessor.


Caminho da glória

O movimento do foguetão, desde o local da montagem até à plataforma de lançamento, estava previsto para 20 de maio de 1969. De forma muito lenta, as pesadas portas de 142 metros de altura abriram-se ao mundo revelando o imponente veículo dentro da enorme estrutura cinza conhecida como Vehicle Assembly Building (VAB).

À medida que as portas dobráveis se moviam para cima, o Sol brilhante da manhã destacava a brancura do veículo de lançamento de três estágios com suas letras escarlate e marcas pretas. A maioria do público norte-americano e o mundo conheciam o imponente foguete de 110,6 metros, 10,1 metros de diâmetro e 2.970.000 quilos como o Saturn V ou Apollo 11. Para quem o redesenhou e construiu, o nome de código era AS-506.


Não há datas oficiais para o início da construção do Saturno V. Mas, de acordo com a NASA, as primeiras imagens dos diferentes estágios do poderoso foguetão foram apresentadas no hangar de construção VAB, no Kennedy Space Center, a 21 de fevereiro de 1969. Precisamente cinco meses antes de Neil Armstrong pisar solo lunar.


Independentemente do nome, todos conheciam o destino. Ia ser o foguete a transportar os homens que pisariam pela primeira vez a Lua.

Imprensa da época
Apesar dos vários voos de teste efetuados pelos norte-americanos - a missão que antecedeu a ida à Lua [Apollo 10] efetuou com sucesso todos os passos que Armstrong, Aldrin e Collins iriam realizar entre 16 e 24 de julho de 1969 -, a imprensa portuguesa, à época, ainda dava conta de alguns receios.

Foto: in Diário de Notícias 1969/Cortesia BNP

Todos estavam de olhos postos em Cabo Canaveral. Mas a imprensa não excluía os avanços e progressos dos russos. No fim de contas tinham sido eles os primeiros a lançar para órbita terrestre um satélite artificial, o primeiro animal e o primeiro homem. Em época de Guerra Fria, todos os trunfos eram válidos para demonstrar o poderio tecnológico, eventualmente bélico, das duas superpotências.

Foto: in Diário de Notícias 1969/Cortesia BNP

Os russos ainda enviaram uma sonda (Luna 15) a 14 de julho, que chegaria antes dos três astronautas. Uma missão russa que suscitou alguns receios na comunidade cientifica, visto haver o receio de que a sonda pudesse de alguma forma prejudicar ou colidir com os veículos norte-americanos. Mas não foi o suficiente para anular ou atrasar a missão da NASA.

Os norte-americanos lançavam no dia 16 de julho de 1969 a primeira missão tripulada à Lua, um mérito que ainda hoje detêm.

Foto: in Diário de Notícias 1969/Cortesia BNP

A imprensa nacional dava honras de capa ao feito norte-americano. "O sonho começou (...) a realizar-se". Um feito tão grandiosso ao qual não se poupou adjetivos: "A Terra tremeu quando Apolo partiu".

Até a rádio (Emissora Nacional) dava destaque e honras de transmissão à partida para a Lua.

Faltam quatro dias para o Homem pisar a Lua (em atualização).

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