Marcelo na China para cimentar "salto qualitativo" nas relações

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À chegada à China, Marcelo Rebelo de Sousa recordou a visita do Presidente chinês, Xi Jinping, a Portugal, em dezembro do ano passado
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Foi junto à Muralha da China que o Presidente da República deu início, esta sexta-feira, a uma visita de seis dias ao colosso asiático, que terá Macau como derradeira escala. Marcelo Rebelo de Sousa quis sinalizar o que descreveu como “um momento excelente” nas relações entre os dois países. Relações que podem “ainda ser mais claras e melhores”, desde logo “em termos económicos".

“Todos os presidentes portugueses da democracia aqui estiveram na China, aqui estiveram nesta muralha, e é tradicional começar-se a visita pela Muralha da China. E é verdade que todos os presidentes chineses estiveram em Portugal”, começou por assinalar Marcelo Rebelo de Sousa.

“É ainda mais verdade que o momento que vivemos nas relações entre os dois países é um momento excelente, como ficou comprovado pelas visitas recíprocas dos primeiros-ministros, primeiro, e dos presidentes, a seguir. Excelente a vários níveis”, prosseguiu o Chefe de Estado.Marcelo Rebelo de Sousa vai participar num jantar de gala oferecido pelo Presidente da China, Xi Jinping, aos líderes internacionais convidados para o fórum Faixa e Rota, no Grande Palácio do Povo.

O Presidente falou de um “salto qualitativo que é dado”, passando “para um relacionamento político ao nível de países como a França, como o Reino Unido, como os Estados Unidos da América, implicando encontros anuais entre os primeiros-ministros dos dois Estados”.

“É um salto qualitativo em termos bilaterais, ao nível de potências mundiais”, insistiu Marcelo, para sustentar que “isto é muito significativo”.

“Significa que a China reconhece um papel cimeiro de Portugal, quer no quadro da União Europeia, quer no relacionamento com países de língua portuguesa, que é no quadro da CPLP, e só Portugal pode desempenhar esse papel”, apontou o Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou ainda esperar que o relacionamento económico e financeiro entre os dois países possa expandir-se: “Essa é outra das realidades que irão ser tratadas durante esta visita. Já o fora durante a visita do Presidente Xi [Jinping]”.


“Há aqui muito a considerar, mas também muito a considerar pensando que Portugal, ao mesmo tempo, está presente bilateralmente, está presente no quadro da União Europeia. No fundo, estamos a falar de uma ponte entre uma estratégia e uma plataforma, a estratégia subscrita pelos tais 20 países, em que Portugal foi um pioneiro da União Europeia, mas a plataforma aprovada por toda a União Europeia, o que significa que Portugal não esquece o seu enquadramento europeu e não esquece o papel fundamental do secretário-geral das Nações Unidas”, continuou.

As relações “em termos económicos” entre Portugal e a China, disse o Presidente, “vão bem”.

“É fundamental que sejam ainda mais claras e melhores. Quereria ainda juntar uma outra ideia: é que nós temos – e isso vai ser tratado na sessão em que participarei – uma parceria cooperativa em domínios muito importantes, à escala mundial, com a China, como é, por exemplo, o caso das alterações climáticas. Aí, não é uma parceria concorrencial, não é uma diversidade de enquadramento ou de posições, é uma cooperação efetiva”, notou.

“Apostar em mais investimento chinês, mas investimento no terreno. É muito importante. Mais relações económicas, sim no sentido de mais exportações portugueses, em domínios em que Portugal tem aptidão. Já arrancámos no agroalimentar. Como sabem, a carne de porco foi um exemplo, ao fim de oito anos, em que houve um triunfo nas relações bilaterais”, enumerou o Presidente da República.
“O mercado a funcionar”
Questionado sobre o fim da oferta pública de aquisição (OPA) da China Three Gorges à EDP, Marcelo respondeu que “é o mercado a funcionar”.

“Não há intervenção dos Estados, não há sequer intervenção dos reguladores. É o mercado a funcionar e, portanto, o mercado funciona nos termos em que deve funcionar. Essa é uma das realidades que são conhecidas de todos os países. Quem intervém num quadro como o da economia portuguesa e da economia europeia sabe que o mercado funciona naturalmente”.

Quanto à possibilidade de o investimento chinês na EDP ficar em causa, o Presidente sublinhou que “não há sinais nenhuns nesse sentido”.
A comitiva
Nesta visita de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa vai manter reuniões com as maiores empresas a investir em território português, além de exportadores para aquele mercado asiático e autoridades de Xangai e da Região Administrativa Especial de Macau.O fórum Faixa e Rota, que reúne líderes de 37 países, é uma iniciativa de Pequim para o investimento em infraestruturas desde a Ásia até à Europa. O Presidente português intervém no sábado neste evento.

A receção com honras militares, por parte do Presidente Xi Jinping, no Palácio do Povo, está prevista para a próxima segunda-feira.

Haverá igualmente lugar a um encontro com o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang.

Marcelo é acompanhado por uma delegação parlamentar que inclui Adão Silva, do PSD, Filipe Neto Brandão, do PS, Telmo Correia, do CDS-PP, o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, e Heloísa Apolónia, do Partido Ecologista “Os Verdes”. Bloco de Esquerda e PAN rejeitaram estar presentes, invocando o quadro dos Direitos Humanos na China.

Em representação do Governo estão os ministros dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, e Eurico Brilhante Dias, secretário de Estado da Internacionalização.

c/ Lusa

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