"Momento decisivo". UE pede a Estados-membros determinação contra segunda vaga

por Joana Raposo Santos - RTP
O continente europeu é atualmente o terceiro mais afetado do mundo pelo SARS-CoV-2. Francois Lenoir - Reuters

Os Estados-membros da União Europeia devem "desenvolver imediatamente e estar prontos para lançar no momento certo medidas de controlo" de modo a conseguirem impedir uma segunda onda do novo coronavírus, alertaram esta quinta-feira as autoridades de saúde da UE.

“É abundantemente evidente que esta crise não foi ultrapassada. Estamos num momento decisivo”, alertou a comissária da União Europeia para a Saúde, Stella Kyriakides, em conferência de imprensa. “Esta pode ser a nossa última oportunidade para evitar uma repetição da última primavera”.

“Em alguns Estados-membros, a situação atual é até pior do que durante o pico de março”, lamentou, enquanto apresentava os últimos dados do boletim de avaliação de risco elaborado pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (CDC).

O boletim revelou um “aumento preocupante” de casos de Covid-19 na Europa desde agosto, com alguns países a apresentar picos superiores aos de março passado. “O muito aguardado e necessário levantamento de restrições durante o início do verão levou-nos ao estado sobre o qual temos alertado de forma continuada”, considerou Kyriakides.

Por ser incerta a data de criação de uma vacina eficaz contra a Covid-19, a comissária avisou que “todos os Estados têm de desenvolver imediatamente e estar prontos para lançar no momento certo medidas de controlo sempre que vejam os primeiros sinais de surto”.

O aumento de casos também “pode ser parcialmente explicado por melhores estratégias de testagem”, explicou por sua vez Andrea Ammon, diretora do CDC. “No entanto, vários países parecem estar a progredir novamente da transmissão local para a transmissão comunitária. A pandemia está longe de acabar e não devemos baixar a guarda”.

Nesse sentido, o distanciamento social, higiene e equipamentos de proteção individual como máscaras são fundamentais, mas não são o suficiente para controlar a exposição ao vírus, segundo o CDC. O centro pede, por isso, “intervenções não-farmacêuticas, estratégias de testes, rastreamento de contactos, medidas de quarentena, comunicação adequada dos riscos e medidas de proteção da saúde mental”.
“Irmandade da Covid-19 e gripe sazonal”
Com a chegada do outono e a aproximação do inverno nos países europeus, a comissária da UE para a Saúde quis deixar claro o risco de uma potencialmente letal “irmandade das epidemias da Covid-19 e da gripe sazonal”, apelando aos governos para que encorajem os seus cidadãos a receberem a vacina da gripe e a cumprirem as medidas de distanciamento social.

Os adultos com maior risco de contrair o vírus da gripe são também os com maior risco de apanhar Covid-19, revelou esta semana um estudo da agência governamental Public Health England.

Os cientistas responsáveis por este estudo sugerem também que o risco de morte mais do que duplica em pessoas que testam positivo aos dois vírus - o da gripe sazonal e o SARS-CoV-2 – em comparação com aqueles que apenas testam positivo ao novo coronavírus.

A Europa é uma das regiões mais afetadas pelo vírus da gripe, com dezenas de milhões de infeções registadas todos os anos. Milhares de pessoas morrem anualmente por causas relacionadas com esse vírus.

O continente europeu é atualmente o terceiro mais afetado do mundo pelo SARS-CoV-2. Desde que foi detetado pela primeira vez, em dezembro do ano passado, o novo coronavírus já infetou na Europa cerca de cinco milhões de pessoas, das quais mais de 218 mil são vítimas mortais. Há ainda a registar 2,3 milhões de casos recuperados.
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