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Mortalidade infantil desce 23 por cento

Morreram 9,7 milhões de crianças com menos de cinco anos em 2006, revela um relatório da UNICEF divulgado em Nova Iorque. Este valor representa uma redução de 23 por cento face a 1990, mas que a directora executiva da instituição considera “inaceitável”.

Raquel Ramalho Lopes, RTP /
As campanhas de saúde pública estão na base da redução da mortalidade infantil, considera a UNICEF EPA

“O número global de mortes de crianças registou o seu valor mais baixo de sempre, descendo abaixo dos dez milhões por ano até aos 9,7 milhões, em comparação aos quase 13 milhões registados em 1990”, declarou Ann M.Veneman.

A directora executiva da UNICEF considera que este “é um acontecimento histórico”, apesar de “a perda de 9,7 milhões de jovens por ano ser inaceitável”. A descida vem na sequência de uma evolução: em 1990 morriam 93 em cada mil nado vivos, representando uma descida de 61 por cento relativamente aos níveis de 1960. Nesta data, em cada mil morriam 184 crianças com menos de cinco anos, o que representava um total de 20 milhões.

“Mais crianças sobrevivem hoje do que nas épocas anteriores, agora temos de ir mais longe partindo deste sucesso de saúde pública no sentido da realização dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio”, acrescenta.

As maiores descidas registaram-se em países da África sub-sahariana. Malawi, Etiópia, Moçambique, Namíbia, Nigéria, Ruanda e Tanzânia obtiveram uma redução na ordem dos 30 por cento entre 2000 e 2004. A propagação do vírus da SIDA é responsável pela maioria das mortes em África.

A taxa de mortalidade desceu um terço em Marrocos, Vietname e na República Dominicana. Em São Tomé e Príncipe a queda foi de 48 por cento. A China é, igualmente, considerada uma referência na descida da mortalidade infantil ao ter reduzido de 45 para 24 em cada mil nados vivos, entre 1990 e 2006.

Outros países que registam uma elevada redução na taxa de mortalidade infantil encontram-se na região da América Latina e das Caraíbas, na Europa Oriental, na Ásia Oriental e no Pacífico.

As regiões africanas a Sul do Sahara ainda registam uma elevada mortalidade infantil.

Razões do sucesso

A redução em dois terços da mortalidade nas crianças com menos de cinco anos, entre 1990 e 2015, é um dos oito objectivos adoptados na reunião mundial de 2000.

“A maior parte das mortes é evitável e, como demonstraram os progressos recentes, as soluções foram experimentadas e testadas”, declarou Ann M. Veneman. O termo de comparação, definido no relatório, é o que se verifica nos países industrializados: “seis mortes por cada mil nados vivos”.

A redução da mortalidade infantil deve-se a várias campanhas de saúde pública que promoveram o aleitamento materno exclusivo nos primeiros meses de vida, a vacinação anti-sarampo, o fornecimento de vitamina A e o reforço das redes mosquiteiras para prevenir a malária.

Principais causas da mortalidade infantil

As complicações neonatais encontram-se entre as mais importantes causas de morte nas quatro semanas a seguir ao nascimento. Complicações derivadas do nascimento prematuro, infecções de diversa ordem, asfixia, defeitos de nascença e tétano são outras doenças que podem atingir a criança.

A pneumonia, que pode ser causada por organismos tão diferentes como bactérias, vírus e fungos, é a segunda causa mais mortífera. A perda de fluídos por diarreia, o sarampo, a malária e a falta de nutrição adequada também estão entre as causas de mortalidade infantil.

A SIDA matou 290 mil crianças com menos de cinco anos em 2006, o que também faz da doença uma das principais causa da mortalidade infantil.
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