Morte de Soleimani. Ataque dos EUA "perigoso"

Depois da morte do general Qassem Soleimani, esta sexta-feira, num ataque aéreo ao aeroporto de Bagdad, numa operação norte-americana, o Irão prometeu vingança. As reações internacionais foram imediatas, com vários países a condenar o que consideram um ato "perigoso" e outros a alertar para o aumento da tensão na região.

RTP /
Reuters

Quando o Pentágono confirmou a "ordem do Presidente" dos Estados Unidos para matar o comandante da forçar de elite iraniana Al-Quds, o governo iraniano condenou o ataque.

Entretanto, a nível internacional têm surgido várias reações ao ataque, que muitos descrevem como "perigoso".

O Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, oferecendo "sinceras condolências ao povo iraniano", declarou que o "assassínio" do general iraniano foi "um passo arriscado que levará ao aumento das tensões na região". A Rússia lembrou ainda que "Soleimani serviu fielmente os interesses do Irão".

Em França surge o apelo à "estabilidade" no Médio Oriente, através de Amélie de Montchalin, secretária de Estado para os Assuntos Europeus, que afirmou à rádio RTL que estamos "num mundo mais perigoso" e que uma "escalada militar é sempre perigosa".

"Quando essas operações ocorrem, podemos ver claramente que a escalada está em andamento, quando queremos estabilidade e um decréscimo (da escalada) acima de tudo", sublinhou.

A China "há muito tempo que se opõe ao uso da força nas relações internacionais" e expressou "preocupação" depois do ataque em Bagdade.

Através do porta-voz da diplomacia chinesa, Geng Shuang, pediu "a todas as partes envolvidas, especialmente aos Estados Unidos, que mantenham a calma e contenção para evitar nova escalada da tensão", assim como "respeito" pela soberania e integridade territorial do Iraque.
Iraque e Síria condenam "escalada perigosa"
O primeiro-ministro demissionário iraquiano, Adel Abdelmahdi, condenou o ataque aéreo dos Estados Unidos, afirmando que este ataque é "uma escalada perigosa que desencadeia uma guerra destrutiva no Iraque, na região e no mundo".

"Operações de ajuste de contas contra figuras da liderança iraquiana em solo iraquiano são uma violação flagrante da soberania iraquiana e um ataque à dignidade do país", sublinhou.

Lamentando a morte do general, Adel Abdelmahdi lembrou que este ataque viola as condições e o papel das forças norte-americanas no Iraque e pediu, entrentanto, ao parlamento que convoque uma sessão extraordinária para "adotar medidas legislativas e disposições necessárias para salvaguardar a dignidade, segurança e soberania do Iraque".

O grande ayatollah Ali al-Sistani, figura principal da política iraquiana, também reagiu e definiu o assassínio do general iraquiano Qassem Soleimani como "um ataque injustificado".

"Covarde agressão norte-americana" é como descreve o Governo da Síria o ataque aéreo que matou Qassem Soleimani. Esta operação "apenas reforçará a determinação de seguir o exemplo desses líderes da resistência", sublinhou uma fonte do ministério dos Negócios Estrangeiros em Damasco, citado pela Sana.

Já o chefe do movimento xiita libanês Hezbollah, aliado do Irão, prometeu "uma justa punição" aos "assassinos criminosos" pela morte do general iraniano Qassem Soleimani.
Irão adverte EUA e promete vingança
Mohammad Javad Zarif, chefe da diplomacia do Irão advertiu que este ataque se trata de uma “escalada extremamente perigosa”.

"O ato de terrorismo internacional dos Estados Unidos (...) é extremamente perigoso e uma escalada imprudente", escreveu no Twitter.

Ali Khamenei, líder supremo do Irão, reagiu também declarando três dias de luto nacional e prometendo que a morte do general iraniano, considerado como "símbolo internacional de resistência", será vingada.

"O martírio é a recompensa pelo trabalho incansável durante todos estes anos. Se Deus quiser, o seu trabalho e o seu caminho não vão acabar aqui. Uma vingança implacável aguarda os criminosos que encheram as mãos com o seu sangue e o sangue de outros mártires", afirmou Ali Khamenei, citado pela France-Presse (AFP).

Também o Presidente iraniano garantiu que o Irão e "outras nações livres da região" vão vingar-se dos Estados Unidos pela morte do general iraniano Qassem Soleimani.

Em comunicado, Hassan Rouhani, disse ainda que o "mártir" general Soleimani "deixou enlutado o coração da nação iraniana e de todas as nações da região".

O Parlamento do Iraque anunciou, entretanto, que vai realizar uma sessão de emergência no sábado para debater o ataque.

Hassan al-Kaabi, o vice-presidente do Parlamento iraquiano destacou estar "na hora de acabar com a imprudência e a ignorância dos EUA", acrescentando que a sessão de sábado será dedicada à toma de "decisões para pôr fim à presença dos EUA no Iraque".

No ataque aéro ao aeroporto internacional de Bagdad foi morto Qassem Soleimani e o 'número dois' da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al-Muhandis, conhecida como Mobilização Popular.


C/ Lusa
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