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Mundo tem "razão para ter medo" mas deve confiar nas empresas de IA
O número um da OpenAI, criadora do ChatGPT, afirma que as pessoas devem confiar mais na sua empresa - e noutras do setor - para agirem corretamente no desenvolvimento da inteligência artificial. Isto no contexto de crescentes preocupações do público sobre os riscos.
"O mundo deve confiar que faremos a coisa certa porque é a coisa certa a fazer e sentimos a magnitude disso", disse Sam Altman na terça-feira, durante uma conferência em São Francisco.
No entanto, Altman reconheceu que os receios das pessoas em relação à IA são justificados, uma vez que a capacidade destas ferramentas tem evoluído rapidamente.Entretanto, em Washington, o senador de esquerda Bernie Sanders e o antigo conselheiro de Trump, Steve Bannon, defenderam uma maior governação da IA.
Os comentários de Altman foram feitos durante a sua participação numa conferência anual organizada pela empresa de software Salesforce.
"Não é preciso tanta imaginação como antes para imaginar como isto pode correr mal", realçou. "Acho que o mundo tem razão em ter medo disto".
Esta foi a primeira vez que Sam Altman falou publicamente desde que uma publicação de um investigador que deixou a empresa de IA Anthropic se tornou viral na semana passada. O investigador alegou que a IA poderia matar todos os humanos até ao final da década, caso não fosse devidamente controlada.Autorregulação em vez de regulação governamental
Outros executivos e especialistas da área da IA concordaram com esta avaliação, embora não tenham explicado como chegaram a tais conclusões ou de que forma, exatamente, a IA poderia causar tal desfecho.
A repercussão destas alegações levou a um maior escrutínio sobre o desenvolvimento da IA nos últimos dias. Em resposta, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, defendeu a desaceleração do ritmo de desenvolvimento de todas as IA e instou os governos a regularem o setor.
A publicação foi elogiada por Altman, bem como por Demis Hassabis (cofundador da DeepMind, da Google) e Elon Musk (proprietário da rede social X e da assistente de IA Grok).Já na terça-feira, mais líderes do setor da IA manifestaram apoio à autorregulação, em vez da intervenção governamental.
Altman afirmou acreditar que as empresas de IA, como a sua, são capazes de, essencialmente, autorregular as suas atividades.
"Vamos acertar; estou muito confiante na capacidade da nossa empresa e do setor para o fazer em segurança", disse Altman, acrescentando ter a certeza de que manteriam "o alinhamento e a segurança muito à frente das capacidades" e que, caso não o conseguissem, "desacelerariam ou parariam".
Apesar das garantias, as figuras políticas têm alertado contra a autorregulação.
Bernie Sanders, senador independente do Vermont que vota com os Democratas, afirmou que as decisões sobre o desenvolvimento da IA têm sido tomadas por "um punhado das pessoas mais ricas do mundo", citando nomes como Elon Musk, o responsável da Meta, Mark Zuckerberg, e o fundador da Amazon, Jeff Bezos, entre outros.
Steve Bannon, que serviu como estratega da Casa Branca durante o primeiro mandato de Trump, também questionou a capacidade do setor tecnológico para se autorregular.
"Nunca podemos confiar no que um oligarca diz porque... são desonestos e mentem", disse Bannon na mesma conferência.
Após os comentários de SAM Altman, Mark Zuckerberg escreveu no X que todos os laboratórios de IA têm a capacidade e o incentivo "para tomar as suas próprias medidas" no sentido de criar ferramentas e modelos de IA concebidos com foco na segurança.
"Qualquer laboratório que não priorize o alinhamento ficará para trás", escreveu Zuckerberg. "Os laboratórios enfrentam riscos jurídicos significativos no caso de os seus modelos causarem danos; por isso, também têm um forte incentivo para evitar que isso aconteça." "Segurança é um problema de engenharia "
Já Jensen Huang, responsável da Nvidia, afirmou ainda na mesma conferência, realizada na terça-feira em São Francisco, que as empresas de IA deveriam decidir sobre o lançamento de novas versões da tecnologia, em vez de serem geridas por forças externas.
"Não precisamos de novas leis ou regulamentos", disse Huang, acrescentando que não deve haver uma "falsa escolha" entre a velocidade da inovação e a segurança dos produtos de IA.
A Nvidia é a empresa mais valiosa do mundo, tendo registado um aumento explosivo dos lucros devido à intensa procura pelos chips de computação para IA que fabrica.“A segurança é fundamental. No entanto, a segurança é um problema de engenharia", acrescentou responsável da Nvidia.
Jensen Huang acrescentou que se em algum momento o líder de uma empresa de IA não tiver confiança no seu produto, deve optar por não o lançar.
"É uma atitude óbvia", frisou Huang. "Avance o mais rápido que puder, mas, se em algum momento sentir que a organização não está no controlo, faça uma pausa."
Algumas figuras do setor argumentaram que o ressurgimento dos receios em relação à IA era exagerado e estava a ser aproveitado para gerar hype em torno da indústria.
Durante a conferência, Sam Altman falou a centenas de empresários, dizendo que deveriam usar ferramentas de IA para auxiliar no seu trabalho, mas que também precisavam delas para proteger as suas empresas contra ataques cibernéticos potencialmente viabilizados pela Inteligência Artificial.A ideia de deixar que os executivos de IA se autorregulem totalmente pareceu uma má ideia para alguns no setor.
Jack Clark, executivo e cofundador da Anthropic, disse à BBC na segunda-feira que deixar a IA tornar-se uma "indústria totalmente desregulada" seria como "lançar dados correndo imensos riscos".
Patrick Hillman, diretor de operações da Logical Intelligence — empresa presidida por Yann LeCun, uma das maiores autoridades do setor da IA —, observou na terça-feira a pouca confiança que as pessoas depositam nas empresas tecnológicas para fazerem algo que realmente sirva o interesse público.
"A única instituição em que os americanos talvez confiem menos do que em Washington, hoje em dia, é Silicon Valley." "Trabalhei e vivi em ambas e garanto que ambas fizeram por merecer este ceticismo", disse Hillman.
"Se acreditam que o que estão a construir é perigoso, mostrem-nos o que estão dispostos a deixar de fazer", acrescentou diretor de operações da Logical Intelligence.
Os líderes da OpenAI e da Anthropic afirmaram ter começado recentemente a trabalhar em algum tipo de acordo setorial sobre segurança.
Durante uma breve participação na conferência na terça-feira, Dario Amodei disse que a Anthropic está agora em "diálogo com o resto do setor" sobre o compromisso com melhores padrões de segurança e verificações no desenvolvimento e nas ferramentas de IA.O CEO da Anthropic avançou ainda que uma das maiores surpresas do boom da IA não foi o avanço da tecnologia em si, mas o seu impacto mais abrangente.
"Não prevíamos que isso levasse as empresas a crescer tão rapidamente, nem a rapidez com que se tornariam centrais para as coisas", sublinhou Amodei.
O executivo da OpenAI, Chris Lehane, tinha afirmado na semana passada que a empresa também estava a trabalhar com outros laboratórios de Inteligência Artificial "para promover os padrões de IA fronteiriços, construindo uma iniciativa voluntária agora, com ou sem apoio governamental". Estes laboratórios incluem a Anthropic e o Google DeepMind.
No entanto, Altman reconheceu que os receios das pessoas em relação à IA são justificados, uma vez que a capacidade destas ferramentas tem evoluído rapidamente.Entretanto, em Washington, o senador de esquerda Bernie Sanders e o antigo conselheiro de Trump, Steve Bannon, defenderam uma maior governação da IA.
Os comentários de Altman foram feitos durante a sua participação numa conferência anual organizada pela empresa de software Salesforce.
"Não é preciso tanta imaginação como antes para imaginar como isto pode correr mal", realçou. "Acho que o mundo tem razão em ter medo disto".
Esta foi a primeira vez que Sam Altman falou publicamente desde que uma publicação de um investigador que deixou a empresa de IA Anthropic se tornou viral na semana passada. O investigador alegou que a IA poderia matar todos os humanos até ao final da década, caso não fosse devidamente controlada.Autorregulação em vez de regulação governamental
Outros executivos e especialistas da área da IA concordaram com esta avaliação, embora não tenham explicado como chegaram a tais conclusões ou de que forma, exatamente, a IA poderia causar tal desfecho.
A repercussão destas alegações levou a um maior escrutínio sobre o desenvolvimento da IA nos últimos dias. Em resposta, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, defendeu a desaceleração do ritmo de desenvolvimento de todas as IA e instou os governos a regularem o setor.
A publicação foi elogiada por Altman, bem como por Demis Hassabis (cofundador da DeepMind, da Google) e Elon Musk (proprietário da rede social X e da assistente de IA Grok).Já na terça-feira, mais líderes do setor da IA manifestaram apoio à autorregulação, em vez da intervenção governamental.
Altman afirmou acreditar que as empresas de IA, como a sua, são capazes de, essencialmente, autorregular as suas atividades.
"Vamos acertar; estou muito confiante na capacidade da nossa empresa e do setor para o fazer em segurança", disse Altman, acrescentando ter a certeza de que manteriam "o alinhamento e a segurança muito à frente das capacidades" e que, caso não o conseguissem, "desacelerariam ou parariam".
Apesar das garantias, as figuras políticas têm alertado contra a autorregulação.
Bernie Sanders, senador independente do Vermont que vota com os Democratas, afirmou que as decisões sobre o desenvolvimento da IA têm sido tomadas por "um punhado das pessoas mais ricas do mundo", citando nomes como Elon Musk, o responsável da Meta, Mark Zuckerberg, e o fundador da Amazon, Jeff Bezos, entre outros.
"O povo deste país deve tomar as decisões sobre a IA, e não apenas um punhado de oligarcas", afirmou Sanders numa conferência realizada em Washington.
"Nunca podemos confiar no que um oligarca diz porque... são desonestos e mentem", disse Bannon na mesma conferência.
Após os comentários de SAM Altman, Mark Zuckerberg escreveu no X que todos os laboratórios de IA têm a capacidade e o incentivo "para tomar as suas próprias medidas" no sentido de criar ferramentas e modelos de IA concebidos com foco na segurança.
Last month I wrote about how we can build a positive and safe future for everyone: https://t.co/1KtONlqBs5
— Mark Zuckerberg (@finkd) September 15, 2026
Every lab has the responsibility and incentive to move at the pace required to train its models safely, and the ability to take its own actions to ensure that happens.
The…
"Qualquer laboratório que não priorize o alinhamento ficará para trás", escreveu Zuckerberg. "Os laboratórios enfrentam riscos jurídicos significativos no caso de os seus modelos causarem danos; por isso, também têm um forte incentivo para evitar que isso aconteça." "Segurança é um problema de engenharia "
Já Jensen Huang, responsável da Nvidia, afirmou ainda na mesma conferência, realizada na terça-feira em São Francisco, que as empresas de IA deveriam decidir sobre o lançamento de novas versões da tecnologia, em vez de serem geridas por forças externas.
"Não precisamos de novas leis ou regulamentos", disse Huang, acrescentando que não deve haver uma "falsa escolha" entre a velocidade da inovação e a segurança dos produtos de IA.
A Nvidia é a empresa mais valiosa do mundo, tendo registado um aumento explosivo dos lucros devido à intensa procura pelos chips de computação para IA que fabrica.“A segurança é fundamental. No entanto, a segurança é um problema de engenharia", acrescentou responsável da Nvidia.
Jensen Huang acrescentou que se em algum momento o líder de uma empresa de IA não tiver confiança no seu produto, deve optar por não o lançar.
"É uma atitude óbvia", frisou Huang. "Avance o mais rápido que puder, mas, se em algum momento sentir que a organização não está no controlo, faça uma pausa."
Algumas figuras do setor argumentaram que o ressurgimento dos receios em relação à IA era exagerado e estava a ser aproveitado para gerar hype em torno da indústria.
Durante a conferência, Sam Altman falou a centenas de empresários, dizendo que deveriam usar ferramentas de IA para auxiliar no seu trabalho, mas que também precisavam delas para proteger as suas empresas contra ataques cibernéticos potencialmente viabilizados pela Inteligência Artificial.A ideia de deixar que os executivos de IA se autorregulem totalmente pareceu uma má ideia para alguns no setor.
Jack Clark, executivo e cofundador da Anthropic, disse à BBC na segunda-feira que deixar a IA tornar-se uma "indústria totalmente desregulada" seria como "lançar dados correndo imensos riscos".
Patrick Hillman, diretor de operações da Logical Intelligence — empresa presidida por Yann LeCun, uma das maiores autoridades do setor da IA —, observou na terça-feira a pouca confiança que as pessoas depositam nas empresas tecnológicas para fazerem algo que realmente sirva o interesse público.
"A única instituição em que os americanos talvez confiem menos do que em Washington, hoje em dia, é Silicon Valley." "Trabalhei e vivi em ambas e garanto que ambas fizeram por merecer este ceticismo", disse Hillman.
"Se acreditam que o que estão a construir é perigoso, mostrem-nos o que estão dispostos a deixar de fazer", acrescentou diretor de operações da Logical Intelligence.
Os líderes da OpenAI e da Anthropic afirmaram ter começado recentemente a trabalhar em algum tipo de acordo setorial sobre segurança.
Durante uma breve participação na conferência na terça-feira, Dario Amodei disse que a Anthropic está agora em "diálogo com o resto do setor" sobre o compromisso com melhores padrões de segurança e verificações no desenvolvimento e nas ferramentas de IA.O CEO da Anthropic avançou ainda que uma das maiores surpresas do boom da IA não foi o avanço da tecnologia em si, mas o seu impacto mais abrangente.
"Não prevíamos que isso levasse as empresas a crescer tão rapidamente, nem a rapidez com que se tornariam centrais para as coisas", sublinhou Amodei.
O executivo da OpenAI, Chris Lehane, tinha afirmado na semana passada que a empresa também estava a trabalhar com outros laboratórios de Inteligência Artificial "para promover os padrões de IA fronteiriços, construindo uma iniciativa voluntária agora, com ou sem apoio governamental". Estes laboratórios incluem a Anthropic e o Google DeepMind.
"Com riscos tão elevados, não podemos deixar que o perfeito se torne inimigo do bom", escreveu Chris Lehane.
c/ agências