Novo ataque russo deixa quase metade de Kiev sem aquecimento

Um ataque aéreo noturno levado a cabo por Moscovo deixou mais de 5.600 casas em Kiev sem aquecimento, afetando quase metade da capital, onde as temperaturas caíram a pique para -14°C.

Cristina Sambado - RTP /
Gleb Garanich - Reuters

"Após este ataque, 5.635 casas estão sem aquecimento", declarou o presidente da Câmara de Kiev, Vitaly Klitschko, no Telegram.

A vasta área da cidade localizada na margem leste do rio Dnieper, composta principalmente por bairros residenciais, também está sem água canalizada, segundo o autarca.
Vários jornalistas da AFP que vivem nestes bairros confirmaram a falta de água canalizada e de eletricidade.

A 9 de Janeiro, Kiev já tinha sofrido um ataque russo que deixou seis mil edifícios sem aquecimento, o pior ataque de Moscovo à rede elétrica da capital ucraniana desde o início da invasão, há quatro anos. Muitos residentes ficaram sem eletricidade durante dias após o ataque, que ocorreu durante um período de frio extremo.

Segundo o presidente da câmara de Kiev, quase 80 por cento dos edifícios que ficaram sem aquecimento esta terça-feira já apresentavam o mesmo problema após o ataque de 9 de janeiro.

Kiev já sofria com graves cortes de energia e aquecimento após os ataques anteriores à cidade, no início de janeiro, e dezenas de equipas de reparação trabalharam ininterruptamente durante mais de uma semana para restabelecer o fornecimento aos residentes.

"Milhares de casas estão sem aquecimento em Kiev, com -15°C no exterior, após o ataque em massa da Rússia durante a noite", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Andrii Sybiha, numa mensagem publicada no X.

"O ataque bárbaro de Vladimir Putin esta manhã é um aviso para os líderes mundiais reunidos em Davos: o apoio ao povo ucraniano é urgente".

Sybiha reiterou o pedido de assistência energética adicional urgente, defesa aérea e intercetores por parte dos aliados da Ucrânia.

Os ataques russos também danificaram infraestruturas energéticas críticas e outras instalações nas regiões de Vinnytsia, Dnipro, Odessa, Zaporizhzhia, Poltava e Sumy, disse Sybiha."A Rússia não mudou de rumo: destruir a Ucrânia", lamentou a vice-ministra dos Negócios Estrangeiros, Mariana Betsa.

Segundo a Força Aérea Ucraniana, 34 mísseis e 339 drones foram lançados durante a noite contra o país, tendo a região de Kiev como "alvo principal".

Impactos de projéteis ou destroços de alvos abatidos pelas defesas aéreas foram registados em 23 locais diferentes, segundo a mesma fonte.

As autoridades ucranianas alertavam há vários dias para outro ataque russo em grande escala à rede elétrica.

Outras regiões da Ucrânia, incluindo Odessa (sul), Rivne (oeste) e Vinnytsia (centro-oeste), também sofreram bombardeamentos nas suas infraestruturas energéticas durante a noite, de acordo com as autoridades locais.
A empresa estatal de energia Ukrenergo anunciou cortes de energia de emergência durante a manhã para estabilizar o sistema.

Na região de Rivne, mais de dez mil casas ficaram sem eletricidade, anunciou a administração regional.

Segundo a presidente da câmara, Vitali Klitschko, “vários edifícios foram danificados, incluindo uma escola primária”Central nuclear de Chernobyl perdeu toda a energia externaA central nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, palco da pior catástrofe nuclear civil do mundo, perdeu toda a sua energia externa após uma intensa atividade militar na manhã de terça-feira, informou a agência de vigilância atómica da ONU numa publicação no Facebook.

A AIEA afirmou que várias subestações elétricas ucranianas vitais para a segurança nuclear foram afetadas pela atividade militar, enquanto as linhas elétricas de outras centrais nucleares também foram impactadasSeis horas de alerta aéreo
Na região de Kiev, perto da cidade de Butcha, dois postos de abastecimento de combustível foram danificados e um homem de 50 anos morreu no ataque, revelou o governador regional através do Telegram.

Foram ouvidas várias explosões no centro da cidade durante o alerta aéreo, que durou mais de seis horas, segundo a AFP.No relatório diário, o Ministério russo da Defesa afirmou ter bombardeado indústrias militares, depósitos de munições e "infraestruturas energéticas e de transporte" utilizadas pelo exército ucraniano.

O Ministério afirmou que o ataque foi uma resposta a ataques ucranianos contra alvos não militares russos e que todos os alvos, incluindo fábricas de drones de longo alcance e depósitos de munições, foram atingidos.

A Rússia tem vindo a bombardear o sistema energético da Ucrânia desde o início da sua invasão em grande escala em 2022, uma tentativa que Kiev afirma ter como objetivo minar a moral ucraniana e quebrar a sua resistência.


À medida que a guerra com a Rússia se aproxima do seu quarto ano, os esforços diplomáticos para encontrar uma forma de pôr fim ao conflito não produziram resultados tangíveis até à data, apesar da pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre Kiev e Moscovo.

A Ucrânia foi convidada a participar na iniciativa Conselho de Paz do presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, esta terça-feira, acrescentando que diplomatas estavam a trabalhar no convite.
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