Reportagem

Ofensiva russa na Ucrânia. A evolução da guerra ao minuto

Acompanhamos aqui todos os desenvolvimentos sobre a ofensiva militar desencadeada pela Rússia na Ucrânia.

RTP /

Alexander Ermochenko - Reuters

Mais atualizações


22h47 – Ponto de situação

  • O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, visitou tropas da linha da frente na região de Zaporizhzhia, anunciou o seu gabinete este domingo, uma semana após uma viagem semelhante à região de Kharkiv.

  • Um assessor do presidente da Câmara de Mariupol alertou hoje que a escassez de água potável atingiu um nível crítico. Petro Andrushenko explicou que as pessoas precisam de se registar para obter água potável e só podem recebê-la a cada dois dias.

  • A Ucrânia frisou este domingo que precisa de ajuda "constante" do Ocidente, não de entregas “pontuais” de armas.

  • Kiev foi abalada por várias explosões ao início do dia, tendo sido atingidas instalações de reparação de comboios, avançou o presidente da Câmara da capital ucraniana.

22h07 – Rússia diz ter destruído tanques fornecidos por países europeus em ataques aéreos em Kiev

“Mísseis de alta precisão e longo alcance disparados pelas Forças Aeroespaciais Russas nos arredores de Kiev destruíram tanques T-72 fornecidos por países do leste europeu e outros veículos blindados que estavam em hangares”, disse o porta-voz do Ministério russo da Defesa, Igor Konashenkov.

21h31 – Venezuela diz ter petróleo que o mundo necessita e acusa Europa e EUA de suicídio económico

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse hoje que o país tem o petróleo que o mundo necessita e acusou Europa e Estados Unidos de cometerem um suicídio económico ao sancionar a Rússia no âmbito da invasão da Ucrânia.

“O petróleo que o mundo necessita para funcionar está aqui na Venezuela”, disse.

Nicolás Maduro falava ao canal de televisão Telesur, no qual explicou ainda que “a Venezuela tem a quarta maior reserva mundial de gás", estando a avaliar o que poderá fazer para ter "a terceira ou a segunda".

“Temos uma impressionante faixa de gás nas Caraíbas, no norte da Venezuela. Todo o gás de que necessitem”, disse, sublinhando que toda a América do Sul é uma potência em gás e petróleo.

No entanto, insistiu que “o mundo tem de se livrar da relação baseada em chantagem, ameaças, coerção e em sanções”.

“Vejam o que estão a fazer com a Rússia. Sancionam a Rússia e todas as sanções contra a economia russa regressam contra os Estados Unidos, a Europa e o mundo. É o suicídio económico que a Europa e os Estados Unidos estão a cometer, sancionando e perseguindo a Rússia, porque a Rússia é uma potência económica, tecnológica e financeira”, disse o governante.

20h02 – Ucrânia recebe sem surpresa ameaça de Putin sobre novos ataques

O povo e o Governo da Ucrânia não ficaram surpreendidos com a ameaça de Vladimir Putin, que prometeu atacar novos alvos se forem fornecidos mísseis de longo alcance a Kiev.

Este domingo, a ministra ucraniana da Defesa disse já não ser segredo nenhum que o alvo prioritário do presidente russo é a capital do país.

19h34 – Zelensky visita tropas na linha da frente

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, visitou tropas da linha da frente na região de Zaporizhzhia, anunciou o seu gabinete este domingo, uma semana após uma viagem semelhante à região de Kharkiv.

"Quero agradecer-vos pelo vosso grande trabalho, pelo vosso serviço, por protegerem todos nós e o nosso Estado", escreveu Zelensky num comunicado, acrescentando que fez um minuto de silêncio pelos soldados que morreram a defender a nação.

18h33 – Água potável em Mariupol em “nível crítico”

Um assessor do presidente da Câmara de Mariupol alertou hoje que a escassez de água potável atingiu um nível crítico. Petro Andrushenko explicou que as pessoas precisam de se registar para obter água potável e só podem recebê-la a cada dois dias.

“A quantidade de água já era pequena antes, mas agora diminuiu ainda mais”, adiantou o autarca, acrescentando que a água agora fornecida precisa de ser fervida antes do consumo.

As infraestruturas e serviços básicos como água, gás e eletricidade ainda não foram restaurados na cidade após o prolongado cerco das forças russas enquanto tentavam tomá-la.

18h05 - Ucrânia pede ajuda constante e não “pontual”

A Ucrânia frisou este domingo que precisa de ajuda "constante" do Ocidente, não de entregas “pontuais” de armas.

17h14 - Zelensky dá `luz verde` ao arranque do campeonato de futebol em agosto

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, autorizou hoje a federação de futebol daquele país a preparar o regresso das competições profissionais, paradas desde a ofensiva militar da Rússia, lançada em 24 de fevereiro, com o início apontado para agosto.

"Falei com o nosso presidente, Volodymyr Zelensky, sobre o grande poder do futebol para ajudar as pessoas a pensar no futuro, porque todos estão focados na guerra. Por isso, tomámos a decisão com o presidente de retomar o campeonato ucraniano em agosto", revelou Andriy Pavelko, presidente da federação ucraniana de futebol, em entrevista à agência Associated Press (AP).

O dirigente adiantou que vão ser reatadas as competições profissionais em todos os níveis: primeira, segunda e terceira divisões masculinas, bem como a primeira divisão feminina.

"Todas as ligas vão começar em agosto. A decisão foi tomada com o presidente da Ucrânia", reforçou Pavelko.

(Agência Lusa)

16h23 - Ponto de situação

  • Kiev foi abalada por várias explosões ao início do dia, tendo sido atingidas instalações de reparação de comboios, avançou o presidente da Câmara da capital ucraniana.

  • As forças ucranianas contra-atacaram em Sievierodonetsk, no leste do país, disse o Ministério da Defesa do Reino Unido. O governador regional de Luhansk, Serhiy Gaidai, assegurou que a Ucrânia controla agora cerca de metade de Sievierodonetsk.

  • O presidente Vladimir Putin alertou os Estados Unidos de que a Rússia atacará novos alvos se o Ocidente fornecer mísseis de longo alcance à Ucrânia.

  • As sanções da Rússia contra a Gazprom Germania e subsidiárias podem custar aos contribuintes alemães mais cinco mil milhões de euros por ano.

14h12 - Custos das sanções

As sanções contra a Gazprom e às suas filiais na Alemanha vão custar aos contribuintes alemães e utilizadores de gás mais de cinco mil milhões de euros por ano.

13h30 - Identificada a fábrica que alegadamente explorava refugiadas ucranianas

Trata-se de uma empresa panificadora de Rio Maior. A proprietária nega todas as acusações e acusa a Amnistia Internacional e a trabalhadora de estarem a mentir.

13h15 - Chanceler austríaco apela a adesão preparatória da Ucrânia à UE

Karl Nehammerc defende uma cooperação para a adesão preparatória para países como a Ucrânia e a Moldava à União Europeia.

A chamada “adesão preparatória” permitiria aos países atingir os padrões da União Europeia.

"Estamos unidos pelo mesmo objetivo, todos queremos uma Ucrânia forte, independente e economicamente bem sucedida", disse Nehammer.

"Atualmente, a Ucrânia está a lutar pela sua sobrevivência política territorial. Todos os nossos esforços têm como principal objetivo acabar com a guerra de agressão russa. Numa tal fase, uma adesão rápida à união não pode, de qualquer forma, ser uma questão premente", acrescentou o chanceler austríaco.

12h25 - Papa pede "verdadeiras negociações" para cessar-fogo

O Papa pediu hoje "verdadeiras negociações" para um cessar-fogo "e uma solução sustentável" na Ucrânia, em guerra há 100 dias, na sequência do ataque militar da Rússia de 24 de fevereiro.

"Quando se cumprem 100 dias do início da agressão armada na Ucrânia, de novo caiu sobre a Humanidade o pesadelo da guerra, que é a negação do sonho de Deus", disse Francisco a milhares de pessoas reunidas na praça de São Pedro, no Vaticano, no final da oração habitual de domingo.

"Renovo o meu apelo aos responsáveis das nações: não levem a Humanidade à ruína, por favor", acrescentou o Papa, que repetiu uma segunda vez esta última frase e foi aplaudido por quem estava na praça.

(Agência Lusa)

11h59 - Moscovo "recorre a ataques insidiosos”

"O Kremlin recorre a novos ataques insidiosos. Os ataques mísseis de hoje em Kiev têm apenas um objetivo - matar o maior número possível de civis”, escreveu o conselheiro presidencial ucraniano Mikhailo Podolyak num tweet.


11h22 - Seis explosões sentidas em Dniprovsky

Foram sentidas seis explosões na zona de Dniprovsk, uma zona de bairros sociais a 10 quilómetros do centro de Kiev. Os bombardeamentos russos destruíram as janelas de vários prédios dos subúrbios da capital ucraniana.

Os alvos foram as infraestruturas ferroviárias em Dniprovsk.
Rita Marrafa de Carvalho - RTP

11h12 - França em conversações com os Emirados Árabes Unidos

A França está em conversações com os Emirados Árabes Unidos para substituir as compras de petróleo russo, o que irá impedir a imposição de uma proibição da União Europeia ao crude russo, revelou o ministro das Finanças Bruno Le Maire.

"Há conversações com os Emirados Árabes Unidos. Temos de encontrar uma alternativa ao petróleo russo", disse Le Maire à rádioEurope 1.

10h41 - Moscovo diz que destruiu tanques enviados pela Europa no ataque a Kiev

A Rússia garantiu hoje ter destruído tanques blindados fornecidos à Ucrânia por países da Europa com ataques aéreos a Kiev, os primeiros das últimas semanas na capital ucraniana.

"Mísseis de alta precisão e longo alcance disparados pelas forças aeroespaciais russas nos arredores de Kiev destruíram tanques T-72 fornecidos por países da Europa e e outros veículos blindados que estavam nos hangares", disse o porta-voz do Ministério da Defesa russo, Igor Konashenkov.

10h26 - Kiev atingida por bombardeamentos russos

A capital ucraniana acordou por volta das 5 horas com o som das sirenes. Três horas depois ouviram-se várias explosões muito próximo do centro da capital ucraniana. Os enviados da RTP, revelam que o ataque russo visou as infraestruturas ferroviárias e que vários prédios ficaram com as janelas danificadas.

O sistema de defesa aéreo ucraniano intercetou um míssil a cerca de 50 quilómetros de Kiev.

10h02 -Putin avisa Ocidente

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, advertiu hoje que Moscovo atacará novos alvos se o Ocidente fornecer mísseis de longo alcance à Ucrânia, dizendo que as atuais entregas de armas têm por objetivo "prolongar o conflito".

"Tiraremos as conclusões apropriadas e utilizaremos as nossas armas (...) para atacar locais que até agora não visámos", afirmou o líder russo, citado por agências noticiosas do país, sem especificar, porém, quais os alvos que poderiam estar em causa.

Se tais mísseis forem fornecidos, "atacaremos os alvos que ainda não atingimos", afirmou Vladimir Putin.

(Agência Lusa)

9h43 - Ataque em Kiev

Uma série de bombardeamentos russos visando infraestruturas ferroviárias abalou Kiev ao amanhecer de domingo, o primeiro desde finais de abril.

“Várias explosões nos distritos de Darnytsky e Dniprovsky" no sudeste da capital escreveu o presidente da câmara de Kiev, Vitali Klitschko, no Telegram, sem especificar que locais tinham sido atingidos.

"As explosões visaram as infraestruturas da Ukrzaliznytsia, a empresa ferroviária ucraniana", escreveu Sergei Lechtchenko, membro do conselho de fiscalização da Ukrzaliznytsia e conselheiro da presidência ucraniana, no Telegram


9h18 - Espanha vai enviar mísseis e tanques antiaéreos para a Ucrânia

Espanha vai fornecer à Ucrânia mísseis antiaéreos e tanques de batalha num aumento do seu apoio militar ao país, de acordo com fontes governamentais citadas pelo jornal El Pais.

A Espanha também dará formação essencial aos militares ucranianos sobre como utilizar os tanques. A formação terá lugar na Letónia, onde o exército espanhol destacou 500 soldados no âmbito da operação de Presença Avançada Melhorada da NATO.

Uma segunda fase de treino poderá ter lugar em Espanha, de acordo com as fontes citadas por El Pais.

O jornal afirma que o Ministério da Defesa de Espanha está a finalizar a entrega a Kiev de antiaéreos Shorad Aspide de baixo nível, que o Exército espanhol substituiu por um sistema mais avançado.

A Espanha tem fornecido até agora munições, equipamento de proteção individual e armas ligeiras.

Fontes disseram ao El Pais que a oferta de maior apoio tinha sido angariada quando o primeiro-Ministro Pedro Sanchez visitou a Ucrânia e se encontrou com o Presidente Volodymyr Zelensky a 21 de Abril, mas tinha sido adiada devido à complexidade da operação.


8h45 - Cidade de Sievierodonetsk dividida entre forças russas e ucranianas

O controlo da cidade de Sievierodonetsk está dividida entre as forças russas e ucranianas, revelou o governador da região de Lugansk, Serhiy Gaidai.

As tropas russas perderam terreno em Severodonetsk, uma cidade considerada estratégica no controlo pela região leste da Ucrânia, disse hoje o governador regional de Lugansk, Sergui Gaidai em declarações proferidas na plataforma de mensagens Telegram, citadas pela AFP.

"Os russos controlavam cerca de 70 por cento da cidade, mas nos últimos dois dias foram empurrados para trás. A cidade está dividida em duas, têm medo de circular livremente", disse o responsável da região de Lugansk, que tem sido parcialmente controlada por separatistas pró-russos desde 2014 e da qual Severodonetsk é a capital administrativa.

Segundo Serhiy Gaidai, “a cidade está agora, mais ou menos, dividida ao meio”.

8h19 - Míssil russo voou muito perto de central nuclear

O operador de energia nuclear estatal da Ucrânia Energoatom revelou que um míssil de cruzeiro russo voou muito perto da central nuclear de Pivdennoukrainska, no sul do país.

8h00 - Bloqueio nos portos sobe preços e economia portuguesa sai penalizada

O bloqueio nos portos ucranianos poderá levar a um novo aumento dos preços, escassez, insegurança alimentar ou a tensões sociais e a economia portuguesa vai sair penalizada, defenderam analistas consultados pela Lusa, que descartam uma crise alimentar.

"Podemos voltar a observar novas pressões de alta nos preços das matérias-primas, nomeadamente nos grãos, o que poderá aumentar também as pressões inflacionistas que temos vindo a observar há vários meses", defendeu, em resposta à Lusa, o analista da XTB Henrique Tomé.

Porém, o analista excluiu, para já, um aumento da fome a nível mundial, recordando que, só na Europa, perto de 40% dos alimentos são desperdiçados e que existem alternativas que podem atenuar o impacto da guerra.

No que se refere às consequências diretas para Portugal, Henrique Tomé perspetiva a possibilidade de "aumentos generalizados" nos preços das mercadorias, levando a uma redução do poder de compra e a novas pressões inflacionistas.

Questionado sobre a possibilidade de os corredores russos poderem ser uma opção para escoar os cereais, o analista não descartou a hipótese, embora sublinhe ser "importante que se comece a procurar alternativas devido a toda a instabilidade na posição da Rússia".

De acordo com os dados avançados pela XTB, "o rally nos preços das 'commoditires'" tem vindo a dar sinais de abrandamento, apesar de estes ainda estarem em níveis elevados.

"No entanto, o petróleo e o gás natural continuam a ser as 'commodities' mais voláteis neste momento e espera-se que a volatilidade se mantenha enquanto os países ocidentais continuarem a aplicar sanções à Rússia, sobretudo, a Europa, que pretende avançar com o embargo ao petróleo russo", notou.

Por sua vez, o diretor executivo da ActivTrades Europe, Ricardo Evangelista, prevê que o bloqueio nos portos ucranianos possa desencadear uma "sucessão de eventos que levam à perda da colheita" de cereais.

"Segundo dados das Nações Unidas, através do 'World Food Programe', a não utilização dos portos, com os fluxos a dependerem inteiramente do transporte rodoviário, provoca uma redução de cerca de 80% na capacidade de exportação de cereais da Ucrânia, um cenário que se antevê catastrófico para vários países que dependem em larga escala das importações de produtos agrícolas ucranianos para alimentar as suas populações", destacou.

Se este bloqueio se mantiver, as preocupações relacionadas com a segurança alimentar podem aumentar, referiu, lembrando que países como o Egipto, Sudão ou Líbano, que dependem dos cereais ucranianos, dificilmente encontrarão alternativas, "sobretudo num cenário de subidas acentuadas de preços e medidas de protecionismo alimentar".

À semelhança da XTB, a ActivTrades Europe também acredita que Portugal pode sair penalizado com um "eventual aumento dos preços nos mercados globais, o que poderá exacerbar as pressões inflacionistas".

Quanto a possíveis soluções, Ricardo Evangelista disse que a Rússia "não tem dado mostras de ser um parceiro fiável, tanto em negociações, como depois na implementação do acordado, por isso, o cenário de criação de corredores continua rodeado de incertezas".

Conforme destacou o economista sénior do Banco Carregosa Paulo Rosa, os cereais "são cada vez mais valiosos e há uma propensão dos agentes económicos a guardarem o que tende a valorizar".

Neste sentido, a Malásia já proibiu as exportações de frango, "causando consternação em Singapura, que importa um terço dessa carne de ave", e a Índia decidiu conter as exportações de trigo e açúcar, enquanto a Índia decidiu restringir as vendas de óleo de palma.

"As economias mais avançadas não estão imunes", apontou Paulo Rosa, dando como exemplo que "quase 10 milhões de britânicos cortaram alimentos em abril, em consequência do aumento do custo de vida".

Em França foram emitidos vales-alimentação e os EUA reduziram o tamanho das doses, "numa alusão à 'shrinkflation' ou 'reduflação', técnica utilizada num contexto de elevada inflação", acrescentou, sublinhando ainda que o aumento dos preços nas "economias avançadas afeta desproporcionalmente" as famílias com menores rendimentos, que gastam grande parte do seu dinheiro em alimentos".

O bloqueio portuário pode ainda ameaçar a alimentação animal, tendo em conta que as colheitas do final do verão destinam-se, em grande parte, à alimentação do gado no inverno. Se tal se verificar, poderá haver escassez de carne e um consequente aumento do seu preço.

Paulo Rosa antecipou ainda um cenário de tensões sociais, mais evidentes em países desenvolvidos, em virtude da escassez de cereais e de uma consequente crise alimentar e do aumento da inflação.

"A China e a Índia são os maiores produtores mundiais de trigo e arroz, mas a maior parte das suas colheitas são para consumo interno e satisfazem as necessidades de 36% da população mundial. A possibilidade de falta de trigo nos mercados internacionais aumenta a procura de cereais alternativas, como o arroz", precisou.

A Índia, por seu turno, é responsável por quase metade das exportações mundiais de arroz e não teria um substituto, se deixasse de exportar.

"Os cereais são a base da dieta global e a sua escassez aumenta a possibilidade de uma crise alimentar, além de elevar a inflação. Em suma, menos cereais no mercado global elevam potenciais tensões sociais, mais visíveis em países subdesenvolvidos", afirmou.

A economia portuguesa, sendo das mais abertas, é também "das mais penalizadas" pela escassez dos cereais e pelo aumento do protecionismo.

Este fenómeno agrava assim a inflação e penaliza o crescimento económico, podendo estender-se um "crescente protecionismo alimentar" às economias avançadas, ameaçando a segurança alimentar global.

(Agência Lusa)

Ponto da situação
  • Várias explosões abalaram Kiev
O presidente da câmara de Kiev, Vitali Klitschko, afirmou hoje que várias explosões abalaram esta manhã a cidade, numa mensagem difundida na plataforma Telegram. "Várias explosões nos bairros de Darnytsky e Dniprovsky da cidade. Os bombeiros estão a extinguir as chamas", escreveu."O agressor continua a lançar mísseis e a realizar ataques aéreos contra as infraestruturas militares e civis do nosso país, sobretudo em Kiev", escreveu o Estado-maior das forças armadas ucranianas na rede social Facebook.
  • Prosseguem "combates de rua" em Severodonetsk
Vários alertas de ataques aéreos em muitas outras cidades ucranianas, de acordo com as autoridades ucranianas, enquanto em Severodonetsk, no leste do país, prosseguem os "combates de rua". A cidade permanece no centro da ofensiva russa na bacia mineira do Donbass, no leste do país, zona sob controlo parcial dos separatistas pró-russos desde 2014 e que Moscovo espera conquistar na totalidade.
  • Moscovo afirma que tropas ucranianas estão a reteriar-se de Severodonetsk
No sábado, o Ministério da Defesa russo indicou que os soldados ucranianos estavam a retirar-se da cidade: "as unidades do exército ucraniano, tendo sofrido perdas críticas durante os combates por Severodonetsk (até 90% em várias unidades), estão a retirar-se para Lyssychansk". O presidente da câmara de Severodonetsk, Olexander Striuk, afirmou que as tropas russas "conseguiram entrar na cidade e assumir uma grande parte da mesma, dividindo-a em duas, mas as tropas ucranianas conseguiram reposicionar-se, para construir uma linha de defesa".