ONG denuncia. Pelo menos 30 mortos em protestos no Irão

Cerca de três dezenas de manifestantes foram mortos nos últimos dez dias por todo o Irão, denunciou a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA). De acordo com a Reuters, estes grupos de Direitos Humanos reportam ainda que mais de mil pessoas foram presas.

Carla Quirino - RTP /
Imagem desta terça-feira mostra forças de segurança usando gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes no bazar de Teerão. AFP

Os protestos começaram a 28 de dezembro, quando os comerciantes foram para as ruas da capital iraniana, Teerão, para demonstrar descontentamento perante a queda acentuada do valor do Rial Iraniano em relação ao dólar americano no mercado aberto (1 dólar - 42000 RI).

A moeda nacional já tinha caído para um valor recorde no ano passado, altura em que a inflação subiu 40 por cento.

Com a economia enfraquecida pela má gestão e corrupção, juntaram-se ainda as sanções internacionais sobre o programa nuclear do Irão.

A insatisfação da população desencadeou protestos por todo o país. As manifestações engrossaram com comerciantes e estudantes universitários espalhando o movimento por outras cidades.

A Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), com sede em vários países, reportou que pelo menos 29 pessoas foram mortas durante os últimos 10 dias de protestos em todo o território.

Duas das mortes confirmadas até à noite de segunda-feira diziam respeito a elementos das forças de segurança. Outras quatro mortes foram de jovens com menos de 18 anos. A Euronews avança com 35 mortes, de acordo com vários outros grupos de Direitos Humanos.

Porém, as autoridades iranianas não publicaram qualquer balanço oficial de mortos; confirmaram apenas que pelo menos dois membros dos serviços de segurança morreram e mais de uma dúzia ficaram feridos. Já o Governo reconhece dificuldades económicas com a moeda nacional a cair a pique e insta o diálogo.

A HRANA também avançou que 64 manifestantes ficaram feridos e 1.200 foram presos durante a agitação, que foi desencadeada por uma crise económica e se espalhou pelas 27 das 31 províncias.

As mais recentes manifestações em Teerão, aconteceram esta terça-feira. De acordo com a agência noticiosa AFP, os manifestantes entoavam slogans contra as autoridades clericais. 

Nos registos de imagens que circuraram nas redes sociais/AFP pode observar-se forças de segurança iranianas a dispararem gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes num bazar de Teerão.

De acordo com a BBC, nos vídeos do protesto de terça-feira no Grande Bazar de Teerão ouvia-se a multidão a cantar "Morte ao ditador", uma referência ao ayatollah Khamenei.

Mais tarde, os manifestantes foram vistos a fugir por entre uma nuvem de gás lacrimogéneo enquanto gritavam "Shameless" contra o grupo de polícias de choque nas proximidades.

O chefe da polícia, Ahmadreza Radan, citado na terça-feira pela comunicação estatal, afirmou que iria controlar as manifestações.

"Prometo que vamos lidar com o último desses desordeiros", insistiu Radan.

O Irão está também na mira de Washington. Na sexta-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou com uma intervenção dos EUA se as forças de segurança iranianas matassem manifestantes pacíficos, declarando: "Estamos prontos para avançar".

A República islâmica enfrenta uma onda de protestos que se está a revelar ser a mais grave desde as manifestações nacionais de 2022-2023, desencadeadas pela morte de Mahsa Amini, que se encontrava sob custódia policial após ter sido presa por alegadamente violar o rígido código de vestuário feminino.
PUB