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Guerra no Médio Oriente
Palestinianos de Gaza encaram eleições em Israel com ceticismo: "Não esperamos milagres, apenas que a guerra termine"
Os habitantes do enclave dizem que o resultado das legislativas israelitas pode influenciar o futuro de Gaza, mas receiam que o sofrimento dos civis continue independentemente do vencedor.
À medida que Israel se prepara para eleger um novo parlamento, muitos palestinianos da Faixa de Gaza acompanham a campanha eleitoral com uma mistura de expectativa, desconfiança e resignação.
Embora alguns esperem que uma mudança política possa contribuir para o fim da guerra e para o início da reconstrução, a maioria manifesta dúvidas de que as eleições tragam melhorias concretas para os mais de dois milhões de habitantes do enclave.
"Qualquer governo colocará os interesses israelitas acima de tudo"
“Não esperamos milagres”, disse à Al Jazeera Mohammed Eliyan, de 36 anos, deslocado do campo de refugiados de Jabalia. Embora considere que uma derrota do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu possa reduzir a pressão militar sobre Gaza, admite não acreditar em mudanças profundas. “Continuam a ser o nosso inimigo e não espero melhorias dramáticas”, afirmou.
O mesmo cepticismo é partilhado por Islam Salem, de 41 anos. O palestiniano reconhece que o resultado das eleições poderá influenciar o futuro dos seus filhos, mas considera improvável uma alteração substancial da política israelita. “Qualquer governo colocará os interesses israelitas acima de tudo”, resumiu.
Vários habitantes de Gaza afirmam ao jornal britânico The Guardian, sentir que a tragédia humanitária vivida no território "se transformou num elemento da disputa eleitoral israelita". Muitos receiam que, independentemente de quem vença as eleições, a continuação da guerra, as restrições à circulação e a lenta reconstrução permaneçam como realidade quotidiana.
Esperança de voltar a casa
A preocupação é particularmente evidente entre os milhares de deslocados internos que perderam as suas casas durante o conflito.
Hanan Abu al-Maaza, de 57 anos, diz ter sido obrigada a fugir de casa em Beit Lahiyaa e deslocar-se repetidamente desde o início da guerra e disse: “Esperamos apenas viver em segurança e voltar às nossas vidas”.
Para muitos residentes, o resultado eleitoral é importante sobretudo porque poderá determinar se haverá condições para o retorno das populações deslocadas e para a recuperação das localidades destruídas.
Manar Owaida, de 23 anos, considera que Netanyahu representa uma posição mais radical do que os seus adversários políticos, mas recorda que a política israelita relativamente aos palestinianos tem mantido uma linha de continuidade ao longo dos anos. Ainda assim, admite conservar “um pouco de esperança” de que uma nova liderança possa aliviar o bloqueio e reduzir a violência.
Muitos palestinianos observam as eleições com receio de que uma campanha dominada por questões de segurança e nacionalismo produza posições ainda mais duras em relação a Gaza. Alguns testemunhos afirmam que o debate político em Israel raramente inclui propostas centradas nas necessidades dos civis palestinianos ou na reconstrução do território.
Apesar das diferenças de opinião sobre os candidatos israelitas, os testemunhos recolhidos pela Al Jazeera e pelo Guardian convergem numa ideia essencial: a prioridade para a população de Gaza não é quem vencerá as eleições, mas sim o fim das hostilidades, o regresso a casa e a possibilidade de reconstruir vidas marcadas por anos de conflito.
Os israelitas vão às urnas esta terça-feira numa eleição renhida que poderá decidir o futuro político do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e influenciar a política de Israel em relação aos palestinianos. A votação opõe a coligação da oposição liderada pelo antigo chefe militar Gadi Eisenkot ao bloco de direita e extrema-direita liderado por Netanyahu, acusado pelos adversários de enfraquecer as instituições democráticas do país.
Tratam-se das primeiras eleições israelitas desde o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023.