EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Processo de destituição de Donald Trump passa para as mãos do Senado

Processo de destituição de Donald Trump passa para as mãos do Senado

Pela terceira vez na História dos Estados Unidos, um Presidente passa à fase seguinte do processo para ser destituído. Depois de, na quarta-feira (esta madrugada em Lisboa), a Câmara dos Representantes norte-americana ter aprovado duas acusações contra Donald Trump - abuso de poder e obstrução aos trabalhos do Congresso -, cabe agora ao Senado decidir o futuro do Presidente.

Joana Raposo Santos - RTP /
Donald Trump irá responder pelos dois crimes de que é acusado no Senado, onde os republicanos têm uma clara maioria Jonathan Ernst - Reuters

“Reunimo-nos aqui hoje, sob a cúpula deste templo de democracia, para exercer um dos poderes mais solenes que este órgão pode assumir: o impeachment dos Presidente dos Estados Unidos”, começou por dizer Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes, no discurso que antecedeu as votações.

“Se não agirmos agora, estaremos a negligenciar o nosso dever. É trágico que as ações imprudentes do Presidente tornem necessário o impeachment. Ele não nos deu outra escolha”.

João Ricardo de Vasconcelos, correspondente da RTP em Washington

A acusação de obstrução aos trabalhos do Congresso foi aprovada com 229 votos a favor, 198 contra e uma abstenção. Pouco antes, a acusação de abuso de poder foi também aprovada, esta com 230 votos favoráveis, 197 contra e uma abstenção.

As votações marcam o culminar de três meses de investigação dos democratas às suspeitas de que Donald Trump pressionou o homólogo ucraniano a investigar Joe Biden, um dos principais rivais do Presidente nas eleições de 2020, e o seu filho, Hunter Biden.

Na sessão na Câmara de Representantes, Nancy Pelosi assegurou que Donald Trump é uma “ameaça constante à segurança nacional e à integridade das eleições” dos EUA.

Já depois das votações, Pelosi lançou no Twitter uma mensagem a Trump. "Ninguém está acima da lei, senhor Presidente", escreveu, fazendo ainda um apelo à defesa da democracia.

Probabilidade de destituição é baixa
O Presidente dos EUA passará agora a responder pelos dois crimes de que é acusado no Senado, onde os republicanos têm uma clara maioria, ao contrário do que acontece na Câmara dos Representantes.

Esta maioria republicana leva a crer que as hipóteses de destituição de Donald Trump são baixas. Seria necessária uma maioria de dois terços de votos favoráveis no Senado para que Donald Trump fosse o primeiro Presidente dos Estados Unidos a ser demitido.

O julgamento será conduzido pelo juiz John Roberts, mas serão os senadores a servir de juízes, perante os advogados nomeados pelo Presidente.

O líder norte-americano torna-se assim no terceiro Presidente dos EUA a passar à fase seguinte do processo para ser destituído, depois de Andrew Johnson, em 1868 e de Bill Clinton, em 1998, ambos absolvidos no Senado. No momento da votação dos congressistas, Donald Trump encontrava-se num comício em Michigan durante o qual disse “não sentir verdadeiramente que esteja a ser destituído”.

Já no final da sessão na Câmara dos Representantes, a Casa Branca disse estar confiante de que o Senado irá exonerar o Presidente. “Este dia marca o culminar de um dos mais vergonhosos episódios políticos na história da nossa nação”, declarou Stephanie Grisham, porta-voz da Casa Branca.

“Sem receber um único voto republicano, e sem fornecer qualquer prova que prove as acusações, os democratas empurraram contra o Presidente, através da Câmara dos Representantes, artigos ilegítimos para o impeachment”.

“O Presidente está confiante de que o Senado vai restaurar a ordem e a justiça, que foram ignoradas nos procedimentos da Câmara. Ele está preparado para os próximos passos e confiante de que será exonerado”, concluiu.

c/ agências

PUB