Provável vitória de Angela Merkel e fim da era Schroeder

A Alemanha poderá ter pela primeira vez na sua história uma mulher como chanceler federal, a democrata- cristã Angela Merkel, a avaliar pelas sondagens sobre as eleições legislativas de 18 de Setembro.

Francisco Assunção da Agência LUSA /

O Governo SPD/Verdes, liderado pelo social-democrata Gerhard Schroeder, há sete anos no poder, já não parece capaz de provocar um volte-face nos últimos dias de campanha eleitoral, apesar da popularidade do actual chanceler.

Schroeder optou por provocar eleições antecipadas a um ano do fim da actual legislatura, depois de uma histórica derrota do SPD no importante "land" da Renânia do Norte-Westfália, a 22 de Maio deste ano.

A decisão de Schroeder de referendar a sua política de reformas sócio-económicas, muito contestadas nos meios laborais, foi apoiada pela direcção do SPD e pelo parceiro de Governo, os Verdes, embora o risco de perder as eleições antecipadas seja grande.

As sondagens mais recentes continuam a dar maioria absoluta ao bloco democrata-cristão, a CDU/CSU, e aos Liberais, à frente dos partidos do Governo, SPD e Verdes.

A CDU/CSU surge nas referidas sondagens com cerca de 43 por das intenções de voto, e os Liberais com oito por cento, num total de 51 por cento.

Por sua vez, o SPD recolhe nos mesmos inquéritos cerca de 32 por cento, e os Verdes perto de oito por cento, ou seja, os dois partidos somados têm uma desvantagem de mais de 10 por cento em relação ao centro-direita.

O cenário mais provável após as eleições é, segundo os analistas, a formação de uma coligação de Governo entre a CDU/CSU e os Liberais, a mesma constelação que já governou a Alemanha entre 1982 e 1998, sob a chefia de Helmut Kohl.

A outra alternativa, se o bloco de centro-direita não tiver maioria absoluta, é uma grande coligação entre a CDU/CSU e o SPD, modelo já ensaiado entre 1966 e 1969, desta vez sob a direcção de Angela Merkel, mas muito provavelmente sem o seu rival Gerhard Schroeder no gabinete.

Esta última hipótese, capaz de estragar os cálculos de Angela Merkel, adensou-se após a formação de uma aliança eleitoral entre os ex-comunistas da Alemanha de Leste e dissidentes do SPD, o Linkspartei- PDS, que tem recolhido cerca de 10 por cento das intenções de voto nas sondagens, e pode tornar-se a terceira força política no Parlamento Federal.

Como uma aliança SPD/Verdes/PDS não vem à questão, como Schroeder reiterou várias vezes durante a campanha eleitoral, a grande coligação seria a única solução válida, se nem Merkel nem Schoeder dispuserem de uma maioria absoluta no futuro Bundestag.

O Linkspartei-PDS marca também o regresso à actividade política do ex-presidente do SPD, Oskar Lafontaine, que saiu do Governo em 1999, em litígio com Schroeder, e recentemente se demitiu do SPD e passou a cooperar com os neocomunistas, criticando duramente a política do chanceler.

Schroeder endureceu o seu discurso, nos últimos dias, acusando os conservadores e Liberais de quererem desmantelar o sistema social alemão, que no seu entender só o SPD pode modernizar com êxito.

Mas nem a vitória do actual chanceler no debate televisivo com Angela Merkel, no domingo passado, conseguiu inverter a tendência de voto dos alemães, que parecem apostar na mudança, a julgar pelas sondagens.

O tema central da campanha eleitoral tem sido o desemprego, que atinge actualmente 4,7 milhões de pessoas, e é, simultaneamente, o grande "handicap" de Schroeder e o grande trunfo de Merkel.

Temas como a Constituição Europeia ou o futuro financiamento da União Europeia têm estado ausentes do debate, mas em contrapartida discute-se a eventual adesão da Turquia à UE, que a CDU/CSU recusa e o SPD apoia.

Nos últimos dias, o aumento em flecha do preço dos combustíveis, após a catástrofe natural que atingiu os Estados Unidos e a região do Golfo do México, fértil em petróleo bruto, tem gerado também controvérsia entre Governo e oposição.

Angela Merkel acusou o executivo de Gerhard Schroeder de responsabilidades na subida dos preços dos combustíveis, por ter introduzido um imposto ecológico.

Por sua vez, o chanceler alegou que o imposto serviu para baixar os descontos para as pensões de reforma, atribuindo a culpa do aumento dos combustíveis à ânsia de lucros das petrolíferas, e não ao Estado.

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