Mundo
UE suspende "por tempo indefinido" negociações do acordo comercial com os EUA
O Parlamento Europeu decidiu suspender os trabalhos sobre o acordo comercial da União Europeia com os Estados Unidos na sequência das ameaças do presidente norte-americano sobre a Gronelândia e de aplicar tarifas a países europeus.
Na terça-feira, o Parlamento Europeu tinha suspendido o processo de ratificação do acordo comercial com os EUA no seguimento das ameaças de Washington de impor tarifas a países europeus, na sequência da defesa da Gronelândia contra as investidas de Donald Trump.
Agora, a UE recusa mesmo ratificar o acordo enquanto persistirem as ameaças sobre a Gronelândia e de aplicar tarifas a países europeus.
Agora, a UE recusa mesmo ratificar o acordo enquanto persistirem as ameaças sobre a Gronelândia e de aplicar tarifas a países europeus.
"Perante ameaças contínuas e crescentes, incluindo ameaças tarifárias, contra a Gronelândia e a Dinamarca e os seus aliados europeus, não nos restou alternativa senão suspender o trabalho sobre as duas propostas legislativas de Turnberry (Escócia) até que os Estados Unidos (EUA) decidam retomar um caminho de cooperação em vez de confronto", afirmou o presidente da comissão de Comércio do Parlamento Europeu e relator para as relações comerciais com os EUA, Bernd Lange, esta quarta-feira.
A assembleia da UE tem debatido as propostas legislativas para remover muitas das tarifas de importação da UE sobre os produtos americanos, uma parte fundamental do acordo assinado em Turnberry, na Escócia, no final de julho.
No acordo assinado por Trump e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, Bruxelas concordou com tarifas de 15% sobre a grande maioria dos produtos europeus – incluindo automóveis e semicondutores –, enquanto a entrada dos bens industriais norte-americanos na UE ficariam isentos de taxas.
Desde então, as exportações europeias têm enfrentado uma tarifa de 15% nos Estados Unidos, mas a UE só pode começar a cumprir a sua parte do acordo após a ratificação do Parlamento Europeu – uma decisão que foi agora adiada indefinidamente.
Entretanto, Trump ameaçou a Dinamarca, França, Alemanha, Países Baixos, Suécia, Finlândia, Noruega e Reino Unido com tarifas de 10% a partir de 1 de fevereiro caso se oponham à sua aquisição da Gronelândia.
Numa conferência de imprensa na sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, onde decorre esta semana uma sessão plenária, Lange denunciou um “ataque aos interesses económicos e à soberania territorial da União Europeia".
“É totalmente claro que houve uma quebra do acordo da Escócia pelo Presidente Trump, (...) ao anunciar tarifas de 10% sobre bens europeus a partir de 1 fevereiro e depois de 25% se a Gronelândia não for para os Estados Unidos”, afirmou o presidente da comissão de Comércio do Parlamento Europeu.
No acordo assinado por Trump e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, Bruxelas concordou com tarifas de 15% sobre a grande maioria dos produtos europeus – incluindo automóveis e semicondutores –, enquanto a entrada dos bens industriais norte-americanos na UE ficariam isentos de taxas.
Desde então, as exportações europeias têm enfrentado uma tarifa de 15% nos Estados Unidos, mas a UE só pode começar a cumprir a sua parte do acordo após a ratificação do Parlamento Europeu – uma decisão que foi agora adiada indefinidamente.
Entretanto, Trump ameaçou a Dinamarca, França, Alemanha, Países Baixos, Suécia, Finlândia, Noruega e Reino Unido com tarifas de 10% a partir de 1 de fevereiro caso se oponham à sua aquisição da Gronelândia.
Numa conferência de imprensa na sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, onde decorre esta semana uma sessão plenária, Lange denunciou um “ataque aos interesses económicos e à soberania territorial da União Europeia".
“É totalmente claro que houve uma quebra do acordo da Escócia pelo Presidente Trump, (...) ao anunciar tarifas de 10% sobre bens europeus a partir de 1 fevereiro e depois de 25% se a Gronelândia não for para os Estados Unidos”, afirmou o presidente da comissão de Comércio do Parlamento Europeu.
Com “esta pressão”, considerou, Trump “está a entrar numa nova qualidade de relações” e está “agora a usar as tarifas como um instrumento”. “Vamos aguentar o procedimento até haver uma clareza sobre a Gronelândia e até que as ameaças terminem. Não há possibilidade de compromisso enquanto houver ameaças”, insistiu.
Mais perto de usar “bazuca europeia”
Na mesma conferência de imprensa, Lange adiantou que a comissão a que preside no Parlamento Europeu deverá propor à Comissão Europeia, na próxima segunda-feira, que inicie o procedimento para ativar o instrumento anticoerção comercial, a chamada “bazuca europeia”.
“Espero que os coordenadores decidam pedir o início do procedimento de investigação do instrumento anticoerção. Claro que, entre agora e segunda-feira, há muito tempo e veremos o que acontece", adiantou, ressalvando: “Neste momento, não vejo grandes movimentos da parte dos EUA, mas há surpresas diárias da Casa Branca e da Truth Social, a nova plataforma de comunicação do Governo norte-americano”.
Entretanto, foi convocada uma reunião de emergência para debater a relação entre a União Europeia e os Estados Unidos. O encontro marcado para quinta-feira, em Estrasburgo, que reúne os líderes dos 27, foi anunciado por António Costa, presidente do Conselho Europeu.
Num discurso no Parlamento Europeu, Von der Leyen e António Costa foram unânimes: a Europa prefere negociar mas está pronta para agir.
Inicialmente pensado tendo em vista a China, a “bazuca europeia” nunca foi utilizado até ao momento e permite restringir as atividades de empresas norte-americanas na UE.
O presidente francês, Emmanuel Macron, tem sido um dos mais vocais na defesa deste mecanismo. Num discurso no Fórum de Davos, na terça-feira, Macron disse que a UE pode ser forçada a usar a “bazuca” contra os EUA.
“Podemos ser colocados numa posição em que teremos de usar o instrumento anticoerção contra os Estados Unidos. Isto é uma loucura. É o resultado da imprevisibilidade e da agressão inútil”, afirmou Macron, exortando os outros Estados-membros da UE a não hesitarem em aplicar a “bazuca”.
Mais perto de usar “bazuca europeia”
Na mesma conferência de imprensa, Lange adiantou que a comissão a que preside no Parlamento Europeu deverá propor à Comissão Europeia, na próxima segunda-feira, que inicie o procedimento para ativar o instrumento anticoerção comercial, a chamada “bazuca europeia”.
“Espero que os coordenadores decidam pedir o início do procedimento de investigação do instrumento anticoerção. Claro que, entre agora e segunda-feira, há muito tempo e veremos o que acontece", adiantou, ressalvando: “Neste momento, não vejo grandes movimentos da parte dos EUA, mas há surpresas diárias da Casa Branca e da Truth Social, a nova plataforma de comunicação do Governo norte-americano”.
Entretanto, foi convocada uma reunião de emergência para debater a relação entre a União Europeia e os Estados Unidos. O encontro marcado para quinta-feira, em Estrasburgo, que reúne os líderes dos 27, foi anunciado por António Costa, presidente do Conselho Europeu.
Num discurso no Parlamento Europeu, Von der Leyen e António Costa foram unânimes: a Europa prefere negociar mas está pronta para agir.
Inicialmente pensado tendo em vista a China, a “bazuca europeia” nunca foi utilizado até ao momento e permite restringir as atividades de empresas norte-americanas na UE.
O presidente francês, Emmanuel Macron, tem sido um dos mais vocais na defesa deste mecanismo. Num discurso no Fórum de Davos, na terça-feira, Macron disse que a UE pode ser forçada a usar a “bazuca” contra os EUA.
“Podemos ser colocados numa posição em que teremos de usar o instrumento anticoerção contra os Estados Unidos. Isto é uma loucura. É o resultado da imprevisibilidade e da agressão inútil”, afirmou Macron, exortando os outros Estados-membros da UE a não hesitarem em aplicar a “bazuca”.
No discurso ansiosamente aguardado em Davos, Donald Trump não mostrou recuos em relação ao seu objetivo relativamente à Gronelândia. O presidente norte-americano argumentou que nenhuma nação além dos Estados Unidos pode garantir a segurança da Gronelândia e exigiu "negociações imediatas para a aquisição da Gronelândia”.
“Têm duas possibilidades: ou dizem sim, e ficaremos muito agradecidos, ou dizem não, e lembrar-nos-emos”, declarou Trump,
A única garantia dada por Trump foi de que não vai usar a força para conquistar a ilha.
“Têm duas possibilidades: ou dizem sim, e ficaremos muito agradecidos, ou dizem não, e lembrar-nos-emos”, declarou Trump,
A única garantia dada por Trump foi de que não vai usar a força para conquistar a ilha.
c/agências