Mundo
COVID-19
Variante britânica vai "varrer o mundo" e batalha contra a Covid-19 poderá durar uma década
Sharon Peacock, chefe do programa de vigilância genética do Reino Unido para a Covid-19, alertou esta quinta-feira que a variante do coronavírus SARS-CoV-2 detetada em Kent, na Inglaterra, deverá “varrer o país e o mundo, com toda a probabilidade”. Em declarações à BBC, a responsável refere ainda que a luta contra a pandemia deverá durar pelo menos por mais dez anos.
A denominada variante inglesa, detetada pela primeira vez em setembro de 2020 no sudeste de Inglaterra, em Kent, já chegou a pelo menos 50 países e poderá disseminar-se pelo mundo.
“O que realmente nos afeta é a transmissibilidade. Quando o vírus estiver controlado (…) ou quando sofrer mutações para e se tornar menos virulento, então podemos deixar de nos preocupar. Mas, olhando para o futuro, acho que vamos estar a fazer isto durante anos. Ainda vamos continuar a trabalhar nisto por mais dez anos, na minha opinião”, admitiu Sharon Peacock em declarações num podcast da BBC.
No início da semana, a África do Sul tinha suspendido a vacinação com doses da AstraZeneca depois de um estudo das universidades de Oxford e Witwatersrand ter demonstrado uma eficácia “limitada” desta inoculação contra a mutação identificada no país. Em Portugal existem até ao momento dois casos confirmados da variante associada à África do Sul.
Quem o diz é Sharon Peacock, chefe do programa de vigilância genética do Reino Unido para a Covid-19. Em declarações à BBC, a responsável admite que a nova variante “varreu o país” e “vai varrer o mundo, com toda a probabilidade”.
O Genomics UK Consortium para a Covid-19 é constituído por uma rede de laboratórios e órgãos de saúde pública que está atualmente a analisar cerca de 30 mil testes positivos por dia. Cerca de cinco a dez por cento dos testes positivos no Reino Unido são selecionados aleatoriamente para análise do genoma.
Nos últimos meses foram identificadas várias variantes do SARS-CoV-2, algumas bastante mais contagiosas, como é o caso da que foi descoberta no Reino Unido. Em Portugal, a propagação “vertiginosa” desta estirpe obrigou a mais restrições, nomeadamente o fecho das escolas.
Quanto às vacinas, a responsável sublinha que foram elaboradas com base em versões anteriores do vírus, mas que as inoculações aprovadas no Reino Unido parecem estar a ter resultado contra as variantes em circulação no país.
Na quarta-feira, a Organização Mundial da Saúde recomendou o uso da vacina da Oxford/AstraZeneca mesmo em países que enfrentam novas variantes do SARS-CoV-2 e também em pacientes com mais de 65 anos.