Reportagem Venezuela. Manifestações pró e contra Maduro voltam às ruas

Na Venezuela, o Governo de Nicolás Maduro parece surdo aos apelos pela entrada da ajuda humanitária no país de milhares de manifestantes, esta tarde. Indiferente ao silêncio do Palácio da Moncloa, o Presidente interino, Juan Guaidó, garantiu-lhes que o auxílio irá entrar na Venezuela a 23 de fevereiro, um mês depois do seu juramento.

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Guaidó anunciou também que 250 mil voluntários estão inscritos para ajudar na distribuição da ajuda, assim como acampamentos humanitários e caravanas de distribuição. Será a "Avalancha Humanitária", afirmou, a "maior mobilização da nossa história".

"Não nos rendemos", garantiu Guaidó, acrescentando "já basta! É o momento de ajudar", os 300 mil venezuelanos que, segundo as suas contas, necessitam de auxílio urgente. "Sim, é possível", responderam dezenas de milhares de venezuelanos, que preenchiam vários quilómetros da Avenida Francisco de Miranda, no leste de Caracas.

O Governo de Maduro contra-atacou, com a sua vice-presidente Delcy Rodríguez a dizer que a ajuda enviada pelos EUA é um carregamento "cancerígeno e está contaminado com armas biológicas". Já o ministro do Petróleo, Manuel Quevedu,  anunciou que a Venezuela pretende criar um bloco comercial com China, Índia e Rússia que dispense pagamentos de petróleo em dólar.

A Rússia deixou entretanto avisos ao Estados Unidos, contra uma intervenção nos assuntos internos da Venezuela. E ofereceu-se para mediar o diálogo entre Maduro e a oposição.

Os vários momentos marcantes desta terça-feira na Venezuela podem ser vistos a seguir, numa recolha efetuada pela RTP.

21h00 - O futuro da Venezuela em jogo

Milhares de venezuelanos estiveram nas ruas esta terça-feira.

Uns, da oposição ao Governo, pediram, em gigantescas manifestações, eleições livres e a entrada da ajuda humanitária no país.

Outros, apoiantes do Presidente Nicolás Maduro, manifestaram-se contra a ingerência norte-americana e o bloqueio ao petróleo do país.

O resumo de um dia de protestos.


20h40 - Juventude invencível com Maduro

O Presidente recebeu representantes do Movimento Juventude Invencível, durante a manifestação em seu apoio na Praça Bolívar, no centro de Caracas.
Na página oficial do Presidente foi publicado um vídeo a celebrar o dia.
Antes disso, o Presidente lançara oficialmente a "Marca País, Venezuela Aberta ao Futuro", uma estratégia que, segundo o próprio, irá permitir diversificar o turismo, as exportações, os investimentos e também promover a identidade cultural e histórica dos venezuelanos.
20h25 - Um país contra Maduro

Vários vídeos publicados no Twitter provam como a Venezuela se organizou para responder ao apelo de Guaidó e se manifestar contra o Presidente Nicolás Maduro e pela entrada no país da ajuda humanitária, esta tarde.
Realizaram-se também manifestações de venezuelanos emigrados para outros países, especialmente no Brasil.

20h15 - Governo contra-ataca

A vice-presidente de Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez, advertiu a população de que o carregamento de ajuda internacional enviado pelos EUA à Venezuela é "cancerígeno e está contaminado com armas biológicas".

Já o ministro do Petróleo, Manuel Quevedu, anunciou ao início da tarde que a Venezuela pretende criar um bloco comercial com China, Índia e Rússia que dispense pagamentos de petróleo em dólar, de forma a contornar as sanções impostas pelos EUA ao país.

20h10 - Relações com Israel

Juan Guaidó anunciou a normalização das relações entre Caracas e Jerusalém.

"Eu estou muito feliz por informar que o processo de estabilização das relações com Israel está em seu auge, algo que é muito importante para nós", afirmou.

20h00 - "Momento de ajudar"

Juan Guaidó anunciou que, a partir do próximo sábado e domingo, todos os voluntários irão receber uma nota da organização para fazer entrar na Venezuela a ajuda humanitária e a realização de "acampamentos humanitários itinerantes".


"Tudo o que fazemos é para evitar continuarmos a ver venezuelanos a sofrer", escreveu no Twitter.

"Já basta. É o momento de ajudar", rematou.

19h51 - Rússia avisa EUA contra intervenção na Venezuela

O ministro dos Negócios Estrangeiros russo avisou o seu homólogo norte-americano, Mike Pompeo, contra qualquer interferência, incluindo militar, nos assuntos internos da Venezuela, refere um comunicado do Ministério russo, após um telefonema entre ambos.

Lavrov acrescentou que a Rússia esta pronta a conversações sobre a Venezuela, de acordo com a Carta das Nações Unidas.

19h33 -A selfie de Guaidó. "Não nos rendemos"

O auto proclamado Presidente interino da Venezuela publicou uma selfie mostrando a multidão reunida hoje atrás dele, em Caracas, após o seu discurso.

"Apesar das dificuldades e de atravessarmos a crise mais profunda, não nos rendemos. Estamos e continuaremos nas ruas. Esta foto, captei-a hoje, para mostrar ao mundo os rostos da esperança e que voltamos a acreditar em nós próprios", escreveu Guaidó. 

19h30 - "Trump, não te queremos aqui"

Na Praça Simon Bolívar, onde se concentraram esta tarde os apoiantes de Nicolás Maduro, centenas de pessoas esperaram horas em filas para assinar uma carta dirigida aos norte-americanos, a denunciar a intervenção dos EUA e o que chamam uma "agressão" contra o seu país".

"Temos de defender a Venezuela", afirmam. "Trump, não te queremos aqui", afirmou uma mulher.

19h20 - Candidato Presidencial

Em prisão domiciliar, condenado a 14 anos, o opositor Leopoldo López, líder do partido Vontade Popular, poderia ser candidato se houvesse eleições presidenciais na Venezuela. É o que diz sua mulher e porta-voz, Lilian Tintori, perante os manifestantes da oposição, em Caracas.


Também Rafaela Requesens, irmã do deputado detido Juan Requesens, falou à multidão. Atrás dela, imagens de jovens diziam "ditadura nunca mais".

19h05 - Ponto de apoio no Brasil

O líder da oposição venezuelana anunciou aos manifestantes anti Maduro, que o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, autorizou a instalação de um segundo ponto de recolha de auxílio humanitário em Roraima, o estado que faz fronteira com a Venezuela e que recebeu milhares de venezuelanos em fuga da pobreza.

"E em breve abrirão um terceiro e um quarto" pontos de apoio, garantiu. Ficarão localizados em Aruba e em Curaçao, nas Caraíbas.

O anúncio recebeu um enorme apoio dos milhares de manifestantes reunidos em apoio a Guaidó.

19h00 - "Sí, se puede" gritam os manifestantes

"A ajuda humanitária vai entrar na Venezuela, está garantido! Pois o usurpador não terá outra escolha além da de deixar a Venezuela. Não é a primeira vez que a Venezuela terá de se livrar de um tirano, esperemos que seja a última!", afirmou o auto proclamado Presidente interino perante dezenas de milhares de apoiantes.

"Esta é uma ordem dirigida às forças armadas: deixem entrar a ajuda humanitária de uma vez por todas, fim à repressão", acrescentou, apoiado por gritos dos manifestantes "Sim, é possível!" ("Sí, se puede!"), num eco do slogan do ex-Presidente norte-americano Barack Obama.


18h48 - 250.000 a postos

As palavras com que Juan Guaidó anunciou a entrada da ajuda humanitária na Venezuela, no discurso em Caracas, durante a manifestação de dezenas de milhares de pessoas contra a decisão de Nicolás Maduro bloquear o auxílio.

"Venezuela, temos uma data! Um mês depois de jurarmos perante os venezuelanos, no dia 23 de fevereiro será o dia em que entrará a ajuda humanitária na Venezuela."

"A partir de hoje vamos organizar-nos para a maior mobilização da nossa história!", declarou, numa transcrição do seu discurso publicada na sua página do Twitter.
Guaidó apelou a cerca de 250 mil voluntários inscritos para participar no encaminhamento da ajuda, para se manterem a postos. "Pois nós deveremos formar caravanas", disse.

18h40 - Governo bloqueia YouTube

Um grupo da juventude da oposição ao Governo de Maduro afirma que este ordenou o bloqueio da rede social YouTube. E ensina como contornar a proibição.
18h30 - O que quer a oposição

Dois manifestantes da marcha dos opositores a Maduro em Caracas, resumem as exigências dos venezuelanos.

18h25 - Rússia quer ajudar

O vice ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Ryabkov, afirmou esta tarde, que Moscovo está pronto a ajudar no início do diálogo entre o Governo e a oposição na Venezuela.

"Já foram feitas várias propostas", afirmou, citado pela agência russa TASS.

"Temos mantido contactos muito importantes com o Governo deste país e estamos prontos a oferecer os nossos bons serviços para facilitar o processo de encontrar meios para sair da situação", afirmou ainda Ryabkov, citado pela TASS.

A Rússia é um dos países que continua a reconhecer Nicolás Maduro como legítimo Presidente venezuelano.

18h20 - Opção militar fora da mesa

O ministro dos Negócios Estrangeiros diz que a Europa não está a ponderar uma intervenção militar, entre as soluções para a Venezuela.

Augusto Santos Silva deixou essa garantia, esta tarde, no Parlamento.
O MNE português afirmou ainda que Portugal não é partidário de Juan Guaidó nem adversário de Nicolás Maduro.

18h10 - Dezenas de milhar contra Maduro

Várias pessoas têm publicado nas redes sociais, imagens da marcha da oposição, pela entrada da ajuda humanitária e para apoiar Juan Guaidó. Aqui, o aspeto da Avenida Francisco de Miranda, em Caracas, às 12h00 locais.

18h00 - Ajuda vai entrar a 23 de fevereiro

Depois de chegar de mota à manifestação dos opositores a Maduro, Juan Guaidó iniciou um comício com o anúncio de que a ajuda humanitária vai entrar na Venezuela a 23 de fevereiro.


O líder da oposição ao Presidente Nicolás Maduro, repetiu também a mensagem dos últimos dias. As Forças Armadas deviam deixar entrar a ajuda no país.

Guaidó denuncia ainda a presidência de Maduro como ilegítima.

17h50 - Reportagem em direto 

Um repórter da NTN24 mostra como decorre a manifestação em apoio à ajuda humanitária, na Avenida Francisco de Miranda, Caracas.
17h40 - Paramilitares roubam ajuda

Na rede Twitter surgem vídeos a acusar paramilitares - milícias apoiantes de Nicolás Maduro - de estarem infiltrados entre a população pera roubar medicamentos e alimentos incluídos na ajuda militar dos EUA à Venezuela.
17h30 - Genocídio, acusa Guaidó

Em entrevista exclusiva à TV brasileira DW, Juan Guaidó fala em "genocídio silencioso" na Venezuela. A proibição da entrada da ajuda humanitária, afirma, será um "crime contra a humanidade".
17h00 - Milhares marcham contra Maduro



Com gritos por "Liberdade!" e por "Guaidó!", dezenas de milhar de venezuelanos manifestam-se para pedir ao exército que desobedeça às ordens do Governo e deixe entrar no país a ajuda humanitária norte-americana.

"Pedimos às autoridades militares que permitam a passagem da ajuda, e até que a protejam, para que ela chegue onde é mais necessária", declara Juan Perez, de 68 anos, à Agência France Presse.

A ajuda está parada em Cucuta, na Colômbia, junto a uma ponte que liga ambos os países. Foi enviada para aliviar o sofrimento de milhares de venezuelanos, mas Nicolás Maduro considera-a a primeira etapa de uma estratégia de invasão por parte dos Estados Unidos da América.

Os manifestantes contra Maduro reuniram-se em todo o país, muitos vestidos de branco levando aos ombros ou ao alto a bandeira da Venezuela.

Em Caracas, marcham na zona leste da cidade, o local onde Juan Guaidó, reconhecido como Presidente interino por meia centena de países, incluindo da União Europeia, é esperado para um discurso.

16h50 - Caracas vermelha

Os apoiantes de Nicolás Maduro pintaram de vermelho, a cor do regime, o centro de Caracas.

Em entrevista à BBC, o Presidente garantiu que "a Venezuela não é um país onde reine a fome".



16h39 - Na defesa da revolução

Os socialistas, no poder há duas décadas, juntaram-se no centro de Caracas esta terça-feira, para pedir "respeito pela soberania da pátria".

Alguns milhares reuniram-se, incluindo muitos funcionários públicos, erguendo cartazes a apelar à "Defesa do País".

"Estamos aqui a apoiar a revolução [bolivariana]. Estamos contra a invasão que os gringos querem realizar aqui", disse Marcos Velasquez, de 32 anos, empregado pelo Ministério da Alimentação.


16h35 - Insultos a Maduro

Em resposta ao apelo de Guaidó, por manifestações em toda a Venezuela, centenas de pessoas saíram à rua junto à fronteira com a Colômbia, onde espera entrada a ajuda humanitária enviada pelos EUA.

Na cidade de Urena, os manifestantes vestiram-se de branco e marcharam a dançar e a lançar insultos contra o Governo.


"Queremos uma Venezuela próspera, como era dantes", diz Mery Marin, eletricista de 25 anos. Afirma que a maioria dos jovens de Urena emigraram para escapar à crise.

De acordo com a ONU, mais de 2,3 milhões de venezuelanos - sete por cento da população - fugiram da Venezuela desde 2015.

16h30 - Ajuda humanitária é urgente

Do alto de um banco de plástico, para ver passar a marcha de milhares de pessoas contra Maduro agitando bandeiras da Venezuela, Arminda Quintana, de 72 anos, deixa um apelo angustiado.

"Têm de deixar entrar a ajuda, porque as pessoas estão a morrer por falta de medicamentos".

"Aos poucos estamos a convencer toda a gente de que Maduro é um impostor e um tirano", acrescenta.

16h00 - Marchas invadem ruas da Venezuela

Liderada pelo presidente do Parlamento e auto-proclamado Presidente da Venezuela, Juan Guaidó, a oposição ao Presidente em exercício Nicolás Maduro, voltou a invadir as ruas de Caracas.  

É a terceira vez, desde 21 de janeiro e após 2 de fevereiro. "Vamos de novo às ruas exigir a entrada da ajuda humanitária que salvará a vida de mais de 300 mil venezuelanos, atualmente em perigo de morte", declarou Guaidó.

O alvo do apelo é o exército, que às ordens de Maduro, tem bloqueado a entrada da assistência, junto à fronteira com a Colômbia. A ponte Tienditas, que liga os dois países está bloqueada e a presença dos soldados foi reforçada.

O enviado especial da RTP a Caracas, Hélder Silva, resumiu os preparativos da marcha da oposição.

As razões da oposição ao regime bolivariano de Maduro são espelhadas nesta reportagem do enviado especial da Antena1, Nuno Amaral, na localidade venezuelana de Santa Helena de Uiarén, na fronteira com o Brasil, a mais de 1200 quilómetros de Caracas.

Surdo aos apelos dos seus opositores, o Presidente Nicolás Maduro sai também à rua, à frente de uma marcha de jovens da esquerda, contra a "intervenção imperialista" americana, na praça Bolívar, no centro da capital.

Enquanto Guaidó lembra também, neste Dia da Juventude, as vítimas da repressão do Governo contra os seus opositores nas últimas semanas, quase todas jovens, a entrada da ajuda humanitária no país tornou-se o principal ponto de tensão entre os dois campos.


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