Paulo Dentinho

O holocausto por uma palavra a mais

Talvez tenha visto num filme, talvez alguém me tenha dito, talvez tenha lido num livro. Não sei. Mas sei que a frase me ficou, essa onde alguém refere que ter uma arma e sacar dela implica sempre estar disposto a levar o gesto até às últimas consequências, isto é: disparar. Matar o outro. Ou ser morto pelo outro.

A recente escalada verbal entre Trump e Kim Jong-un dá pouco espaço à diplomacia, a única que ainda pode impedir que alguém resolva levar o gesto bélico até às últimas consequências.

A opção militar será um salto no desconhecido. Estamos a falar de armas nucleares. E, pelo vistos, com capacidade para chegar a milhares de quilómetros de distância. E isto sem falar na devastação imediata que ocorreria na península coreana, desde logo em Seul, a escassas dezenas de quilómetros da fronteira entre as duas Coreias.

O regime de Pyongyang tem armas nucleares, e conseguiu-as sofrendo sanções, mais ou menos robustas, ao longo vários anos. O regime quer sobreviver e arranjou esta solução. Hoje tem capacidade para criar um holocausto e, eventualmente, permitir a outros (igualmente não recomendáveis) de ter acesso a esses meios de destruição massiva. O mundo pode ficar ainda mais perigoso.

Aceitar uma Coreia do Norte com poderio nuclear pode levar ainda outros países da região a quererem, também eles, dotar-se dessa arma para efeitos de dissuasão face a Pyongyang. O cenário será ainda mais catastrófico.

Já se percebeu que as sanções não estão a servir para grande coisa, e mostram a incapacidade norte-americana em lidar com a Coreia do Norte. Moderar a linguagem e encontrar canais de comunicação com a Coreia do Norte seria a atitude mais razoável. Tal como se fez com o Irão. Negociar a eliminação do programa nuclear. Mas isso implica aceitar o regime.

Há que começar por algum lado. Puxar a arma é que me parece muito pouco avisado. As últimas consequências desse gesto terão custos brutais para o planeta e para a humanidade.

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