Fátima: "Não foram aparições, foram visões"

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No livro "Fátima: Das Visões dos Pastorinhos à Visão Cristã", D. Carlos Azevedo explica por que é que no fenómeno de Fátima se deve falar de visões e não de aparições, como vulgarmente acontece.

Em declarações à RTP, o bispo considera que é preciso "alinhar" a linguagem utilizada com o que efetivamente foi o milagre de Fátima e chamar-lhe "visões".

Aliás, foi esta também a designação dada pelo Papa emérito Bento XVI no seu comentário teológico à terceira parte do segredo de Fátima.

Ao lembrar que na Igreja há lugar para revelações privadas adianta: "Basta pensar que Maria, Mãe de Jesus, não aprendeu português para dialogar com Lúcia, para nos interrogarmos sobre como acontece o processo comunicativo do que se entende por visão".

À RTP, o bispo-delegado do Conselho Pontifício da Cultura no Vaticano explica que na verdade o que aconteceu foi uma visão, "uma perceção interior", um fenómeno místico real da própria pessoa.

No livro, ao longo do capítulo II, esclarece que "o vidente vê uma situação invisível através de uma sensibilidade interior, regista-a na sua interioridade subjetiva, na mente, no pensamento, na faculdade imaginativa e reelaborativa, no coração afetivo e emocional, na fantasia".

Neste contexto considera que "não é fundamental averiguar se as visões e audições são autênticas ou verdadeiras mas perceber o contexto objetivo, ajudar o vidente a integrar e compreender as motivações inconscientes das visões".

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