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Lixo elétrico e eletrónico. Electrão bate recorde ao reciclar 45 mil toneladas em 2025

Lixo elétrico e eletrónico. Electrão bate recorde ao reciclar 45 mil toneladas em 2025

São mais de 45 mil toneladas, o que corresponde a um aumento de 26 por cento face a 2024.

Nuno Patrício - RTP /
O lixo eletrico e electrónico descartado por cada um de nós equivale a cerca de 4,5 quilos por pessoa. Foto: Electrão/DR

A reciclagem de equipamentos elétricos e eletrónicos atingiu, em 2025, o valor mais elevado de sempre em Portugal. Nunca a Electrão - Associação de Gestão de Resíduos teve um valor tão elevado na recolha e envio deste material para reciclagem.

No ano em que a Associação de Gestão de Resíduos celebra 20 anos, a Electrão refere que a grande força motriz do crescimento destes valores reside na rede de recolha própria da associação, que representou 84 por cento de todo o equipamento enviado para reciclagem.Para se ter a noção do que é deitado fora, o lixo elétrico e eletrónico descartado por cada um de nós equivale a cerca de 4,5 quilos por pessoa.


Em apenas seis anos, esta rede quase triplicou: das cerca de 13 mil toneladas recolhidas em 2019 para mais de 38 mil toneladas em 2025.

A expansão territorial também contribuiu para este sucesso: no final de 2025, existiam 15.522 locais de recolha, mais 1.919 do que no ano anterior, aumentando significativamente a proximidade ao cidadão.

Ricardo Furtado, diretor de Elétricos e Pilhas, sublinha que “o ano foi marcado por metas mais exigentes e pela pressão do mercado paralelo, que continua a desviar equipamentos que deveriam ser corretamente descontaminados e reciclados”.

O dirigente alerta que, apesar dos números históricos, “é preciso envolver ainda mais portugueses neste desígnio nacional”.
Grandes eletrodomésticos lideram recolhas

Um pouco por todo o país somos por vezes confrontados com grandes eletrodomésticos deixados ao abandono nas ruas. Uma prática ilegal e prejudicial ao meio ambiente, visto que este tipo de resíduo não é biodegradável e, mesmo que o fosse, continuaria a constituir uma prática menos civilizada.

Efetivamente, são os grandes eletrodomésticos - máquinas de lavar, secar e similares - o grupo de resíduos mais significativo e recolhido em 2025, totalizando 22.909 toneladas, um salto de 51 por cento face a 2024.

Seguiram-se:
  • Pequenos eletrodomésticos (aspiradores, torradeiras);
  • Equipamentos de regulação de temperatura (frigoríficos, arcas congeladoras);
  • Informática e telecomunicações (incluindo telemóveis);
  • Ecrãs;
  • Monitores e televisores;
  • Lâmpadas.

Um forte e válido motivo que continua a levar a Electrão a investir em iniciativas de mobilização social como pilares do sistema, dos quais fazem parte projetos como “Quartel Electrão” e “Escola Electrão” , com elevado impacto na recolha deste tipo de equipamento.

Outro fator decisivo foi a recolha porta-a-porta de grandes eletrodomésticos, já ativa em 12 concelhos da Área Metropolitana de Lisboa e da região Oeste.

O programa combate diretamente o mercado paralelo, que continua a desviar equipamentos para canais informais, onde os resíduos são frequentemente tratados sem condições e sem recuperação de materiais valiosos.

Iniciativas que levaram os operadores da rede Electrão a contribuír com 5.809 toneladas para reciclagem, mas também a reforçar o papel como elo crítico entre consumidores e o sistema oficial, ajudando a encaminhar milhares de equipamentos para um fim mais eficiente, seguro para o meio ambiente e economicamente mais viável.

Luta contra o mercado paralelo prioritário
O desvio de resíduos elétricos para circuitos informais permanece como uma das maiores ameaças ao cumprimento das metas europeias de recolha. Uma prática ilegal que a Electrão continua a desincentivar e a combater, num fenómeno que exige “responsabilidade partilhada” entre autoridades, produtores, distribuidores e cidadãos.

Além de representar um impacto ambiental significativo, o mercado paralelo provoca a perda de materiais essenciais — incluindo matérias-primas críticas — que poderiam ser reintroduzidas numa economia que se quer circular.
Mais de 1.600 toneladas ganham uma segunda vida

Para o cidadão comum, o que parece estragado e inútil - e que por vezes acaba numa rua ou em locais mais escondidos - a Electrão vê com potencial de reutilização ou recuperação de componentes.

Com uma forte aposta na reutilização, este programa olha para uma segunda vida útil deste tipo de resíduos, na medida em que estes possam ser reparados ou reaproveitados. Para ter uma noção mais real, só em 2025, foram identificadas 1.632 toneladas de aparelhos com potencial para segunda vida.

No projeto de recolha porta-a-porta, essa avaliação é feita logo no momento da recolha, permitindo salvar equipamentos que, de outra forma, seguiriam diretamente para reciclagem.

A associação tem ainda desenvolvido iniciativas como a Academia REPARA e promovido a doação de equipamentos através da plataforma ondedoar.pt.
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