País
Marcelo recebeu Seguro em Belém. Reunião dos presidentes terminou sem declarações
Ainda não eram 16h00 quando a comitiva automóvel de António José Seguro chegou ao Palácio de Belém, a residência oficial do Presidente da República. Três horas e meia depois a reunião terminou sem declarações aos jornalistas. Nota da Presidência sublinha "reunião muito cordial" onde foram abordados assuntos de política nacional e internacional".
Um presidente eleito pontual com encontro marcado com outro presidente pontual, Marcelo Rebelo de Sousa, característica pouco comum nos órgãos políticos do país mas que parece irá manter-se em Belém.
António José Seguro venceu ontem a segunda volta das presidenciais com uma votação recorde de 66,82 por cento, mais do dobro da votação de André Ventura, que terminou a noite com 33,18 por cento. Esta tarde foi recebido em audiência pelo presidente cessante em Belém.
José António Seguro teve este domingo o voto de mais de 3,4 milhões de eleitores, o que garantiu o feito de ultrapassar Mário Soares no escrutínio da reeleição, em 1991.
Ventura, longe da derrota que muitos atribuem ao líder do Chega, garantiu mais de 1,7 milhões de votos, o que lhe permitirá reafirmar-se - como vinha já reclamando ao longo da campanha - como o novo líder da direita. A noite de domingo não passou sem que Ventura garantisse que chegará a primeiro-ministro.
Presidente cessante recebeu o presidente eleito
Chegado ao Palácio de Belém pelas quatro da tarde, o presidente eleito foi recebido pelo chefe da Casa Civil, Fernando Frutuoso de Melo. Marcelo Rebelo de Sousa encontrou-se com Seguro na Sala das Bicas, dirigindo-o depois para o gabinete oficial do chefe de Estado. Presidente cessante e presidente eleito estiveram reunidos durante cerca de três horas e meia.
Presidente cessante recebeu o presidente eleito
Chegado ao Palácio de Belém pelas quatro da tarde, o presidente eleito foi recebido pelo chefe da Casa Civil, Fernando Frutuoso de Melo. Marcelo Rebelo de Sousa encontrou-se com Seguro na Sala das Bicas, dirigindo-o depois para o gabinete oficial do chefe de Estado. Presidente cessante e presidente eleito estiveram reunidos durante cerca de três horas e meia.
Seguro saiu direto sem qualquer declaração aos jornalistas. O mesmo silêncio da parte de Marcelo Rebelo de Sousa, que à despedida o havia acompanhado à Sala das Bicas.
Numa nota da Presidência, é dado conta de uma "reunião em ambiente muito cordial" durante a qual "foram abordados assuntos de política nacional e internacional, que vão requerer a atenção prioritária do novo Presidente".
"Marcelo Rebelo de Sousa convidou depois o seu sucessor a uma visita no Palácio, para conhecer as instalações onde exercerá funções a partir de 9 de março, e rever a sala do Conselho de Estado, onde foi conselheiro entre 2011 e 2014", acrescenta a nota.
O silêncio à saída, a intempérie e o pacote laboral
A posse do candidato socialista está marcada para dentro de um mês, a 9 de março. Entretanto, a passagem de testemunho começou a fazer-se esta segunda-feira, com Seguro a ser recebido na residência oficial de Belém pelo presidente cessante, Marcelo Rebelo de Sousa.
A posse do candidato socialista está marcada para dentro de um mês, a 9 de março. Entretanto, a passagem de testemunho começou a fazer-se esta segunda-feira, com Seguro a ser recebido na residência oficial de Belém pelo presidente cessante, Marcelo Rebelo de Sousa.
Marcelo dá assim por terminados dois mandatos de cinco anos, concluindo uma década que teve momentos marcantes, políticos e não-políticos, como uma pandemia que exigiu medidas draconianas para controlar um coronavírus que ameaçou desde a saúde à economia mundiais.
Da conversa entre os presidentes deverá constar a tragédia que se abateu sobre algumas localidades em particular no centro do país, região mais afetada pelas tempestades das últimas semanas, como também assuntos pendentes no Parlamento como o pacote laboral, que deverá constituir um selo de garantia de Seguro, após a decisão de promulgar ou chumbar, ou para a direita ou para a esquerda. Marcelo agendou esta reunião sob a denominação de "Transição Institucional".
José Manuel Pureza, líder do BE, já veio hoje dizer que a posição futura do presidente António José Seguro sobre o pacote laboral será definidora do seu mandato, alertando que "não basta vencer eleitoralmente a extrema-direita".
"Na posição que venha a assumir sobre esta matéria, o novo presidente da República definirá muito de qual é a sua orientação", afirmou o líder bloquista num claro desafio a Seguro ainda antes da sua entrada nos aposentos presidenciais. Também a CGTP tomou posição esta segunda-feira sobre o resultado das eleições, saudando a derrota de André Ventura e lembrando António José Seguro que continuará a exigir "trabalho com direitos" e a retirada do pacote laboral.
"Não basta vencer eleitoralmente a extrema-direita. É necessário vencer politicamente esses movimentos de direita, seja da extrema-direita representada por André Ventura, seja da direita ultraliberal, que é aquela que de facto está aqui subjacente a estas alterações ao Código do Trabalho".