PCP expulsa deputada Luísa Mesquita do partido

O PCP decidiu expulsar Luísa Mesquita do partido. A decisão, adoptada pela direcção da organização regional de Santarém, é o culminar de um braço-de-ferro que teve início em 2006, quando o partido pediu à deputada para abandonar o seu lugar na bancada comunista.

Carlos Santos Neves, RTP /
Imagem de arquivo de Luísa Mesquita na Assembleia da República RTP

A deputada foi acusada de violar o dever de lealdade para com o partido, que já lhe tinha retirado a confiança política.

Luísa Mesquita fez saber que vai prosseguir o seu mandato enquanto deputada independente, o que levará o PCP a descer, em representatividade, para quarta força política, atrás do CDS-PP.

A direcção da organização regional do PCP de Santarém evoca "grave violação" dos estatutos do partido para justificar a sua decisão.

Num comunicado de sete pontos difundido terça-feira, a direcção da organização regional lembra o processo desencadeado em Junho de 2006 com "a recusa", por parte de Luísa Mesquita, "de colocar o lugar de deputada à disposição", no quadro do princípio da "renovação sustentada" da bancada comunista.

"A atitude partidária adoptada por Luísa Mesquita de ostensivo incumprimento de princípios estatutários, de compromissos políticos e éticos assumidos e de afrontamento ao Partido, com recurso a calúnias e à mentira, é incompatível com a sua qualidade de membro do PCP", sustenta, em comunicado, o secretariado da direcção dos comunistas de Santarém.

Contactada pela RTP, Luísa Mesquita considerou inqualificável a atitude do partido. Quanto ao comunicado da direcção da organização regional de Santarém, o conteúdo, afirma, toca o insulto.

"Não há verdades. Há mentiras, há uma ausência total de nível e de rigor e há mesmo insultos inqualificáveis que, naturalmente, não podem ser assumidos por um partido político", disse Luísa Mesquita.

A deputada apontou baterias à direcção do PCP e ao secretário-geral Jerónimo de Sousa, que, asseverou, "não pode justificar com ausência de conhecimento tudo aquilo que se passou".

"Havia um objectivo que tinha de ser conseguido contra tudo e contra todos. E o objectivo era a saída da Assembleia da República", prosseguiu. "Isto era de tal maneira um objectivo forte que o PCP não tinha ninguém para me substituir. Ou seja, a segunda pessoa da lista, a terceira e a quarta não estavam disponíveis para me substituir na Assembleia da República. E foi preciso chegar à quinta".

"Luísa Mesquita mente"

"Luísa Mesquita mente e ao mentir atinge o Partido, quando nega a ausência de um compromisso que a mera leitura dos estatutos do Partido a que pertencia explicitamente refere", advoga o PCP de Santarém.

A deputada eleita pelo círculo de Santarém mantém o mesmo argumento que evocou no ano passado para recusar o pedido da direcção.

Luísa Mesquita diz ter recebido, da liderança do PCP, a garantia de que ao figurar nos lugares elegíveis da lista comunista para as legislativas de 2005 cumpriria o mandato até 2009.

A primeira consequência da posição de força da deputada surgiu em Novembro de 2006, quando o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, lhe retirou parcialmente a confiança política. Dizendo-se traída pela direcção, a deputada manteve-se fiel à sua versão dos acontecimentos e voltou a descartar a possibilidade de abandonar a bancada.

Já em Outubro deste ano, entregue a um périplo pelo distrito de Santarém sob a bandeira do ensino e da investigação, Luísa Mesquita optou por ficar à margem das jornadas parlamentares comunistas. No mesmo mês, o PCP retirava-lhe a confiança política nas qualidades de deputada e vereadora na Câmara Municipal de Santarém.
PUB