Pedrógão Grande. Costa afirma que Governo assumirá eventuais responsabilidades políticas

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"O que nos compete é fazer uma reflexão serena sobre a informação disponível e as recomendações apresentadas. As responsabilidades são aquelas que resultam do relatório e assumi-las-emos totalmente"
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O primeiro-ministro afirmou esta quinta-feira que o Governo irá assumir todas as responsabilidades decorrentes do relatório elaborado pela Comissão Técnica Independente sobre os incêndios de Pedrógão Grande e Góis, incluindo, eventualmente, as de ordem política.

António Costa falava aos jornalistas em São Bento, Lisboa, depois de ter estado reunido mais de uma hora com o coordenador da Comissão Técnica Independente, o ex-reitor da Universidade do Algarve João Guerreiro.

"Pela parte do Governo, por respeito pela Assembleia da República, por respeito pelos profissionais que elaboraram este relatório, mas, sobretudo, por respeito pelas vítimas e seus familiares, o que nos compete é fazer uma reflexão serena sobre a informação disponível e as recomendações apresentadas. As responsabilidades são aquelas que resultam do relatório e assumi-las-emos totalmente", frisou.


Mais tarde, interrogado sobre eventuais responsabilidades políticas decorrentes do relatório, António Costa, que tinha ao seu lado os ministros da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, e da Agricultura, Capoulas Santos, respondeu: "Se for caso disso, sim".

O chefe do Governo não quis adiantar qual a apreciação que faz do relatório, mas garantiu desde já que, na próxima semana, o Governo estará em condições de tomar decisões sobre o caso. Na próxima quarta-feira, António Costa irá encontrar-se com as famílias das vítimas.
"Maturidade" da democracia

Nas suas palavras iniciais, o líder do Executivo começou por elogiar "a maturidade" da democracia portuguesa pelo facto de se ter chegado a consenso no Parlamento para que fosse designada uma Comissão Técnica Independente.

"Temos hoje o conhecimento com base na qualificação técnica e científica sobre o que aconteceu em Pedrógão Grande e Góis e sobre as causas estruturais para a reforma que é necessário fazer na floresta, nos mecanismos e prevenção e combate aos incêndios. Os membros da comissão fizeram um trabalho muito exigente, num espaço de tempo muito apertado, tendo trabalhado com grande rigor científico, mobilizando redes internacionais de conhecimento e que, ao longo destes meses, exerceram as suas funções com discrição", afirmou.

Em relação às recomendações constantes no relatório, que foi esta quinta-feira entregue ao presidente da Assembleia da República, António Costa referiu a marcação de um Conselho de Ministros extraordinário no próximo dia 21.

"As recomendações serão analisadas, mas, à partida, são o nosso programa para completar a reforma da floresta e para as reformas de prevenção e combate aos incêndios florestais. As decisões do Governo, naturalmente, não antecipam, nem limitam o debate que se fará na Assembleia da República", advertiu, deixando aqui uma nota política.

Neste ponto, o primeiro-ministro manifestou a sua vontade de que o relatório da Comissão Técnica Independente possa constituir a base "de um consenso político e social alargado, permitindo ao país tomar as medidas necessárias para prevenir e evitar a repetição de novas tragédias como as que ocorreram este verão".

Questionado sobre medidas concretas que o Governo vai tomar, António Costa disse que o seu executivo irá fazer uma "reflexão serena" sobre o teor do relatório, tirando depois as ilações que entender tirar.
PSD responsabiliza Costa e MAI
As declarações de António Costa surgem depois de o relatório da Comissão Técnica ter sido entregue no Parlamento e divulgado publicamente. Ainda antes de o primeiro-ministro falar sobre o assunto, o PSD veio a público defender que o relatório mostra que “o Estado falhou” e responsabilizou a ministra da Administração Interna e o primeiro-ministro que a mantém em funções.

"O PSD não pede a demissão da ministra da Administração Interna porque o PSD não pede a demissão de nenhum membro do Governo, mas chama a atenção de que, a partir do momento em que temos este relatório nas nossas mãos, é absolutamente impossível que o poder político fique alheado destas conclusões", afirmou o deputado social-democrata Carlos Abreu Amorim.

Por sua vez, o líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, defendeu que, perante as conclusões da comissão independente, a ministra da Administração Interna "já está demitida, só não sabe quando".

c/ Lusa

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