Portugueses de Houston preparam-se para receber o furacão Rita

Os portugueses residentes em Houston, no Estado do Texas, estavam quinta-feira a preparar-se "com algum receio" para o ciclone Rita, cuja chegada à cidade está prevista para as 2.00 horas de sábado.

Fernando Santos, da Agência Lusa /
Milhares de pessoas deixaram Houston ao mesmo tempo, o que provocou filas de horas de trânsito EPA

"Estou a ficar com receio, mas seja o que Deus quiser", disse à Agência Lusa José Lourinho, que quinta-feira reforçou com chapas de madeira as janelas da sua casa na rua Jura Drive, de Houston.

"O que me causa mais medo são duas árvores grandes que tenho aqui, uma à frente e outra atrás da casa, e que podem cair, mas será o que Deus quiser", acrescentou.

Os três netos do casal, que residiam numa parte baixa da cidade, estão já em sua casa onde também estão a pernoitar desde quinta-feira o seu filho Nelson e a nora Dori.

O ciclone Rita, que quinta-feira se encontrava ao largo do Texas, com categoria 5 na escala Saffir/Simpson e com ventos que atingiram os 280 quilómetros/hora, deve tocar a costa texana na cidade de Galveston às 02:00 de sábado com ventos da Categoria 3 (177,6 a 208 quilómetros/hora).

Houston fica a 96 quilómetros de Galveston.

Segundo o Censo de 2000, vivem apenas 16 pessoas de origem portuguesa entre os 250 mil habitantes de Galveston, mas há 1.466 residentes de origem portuguesa entre os quase dois milhões de habitantes da vizinha Houston.

Na área metropolitana da cidade de Houston, contudo, o número de residentes de origem portuguesa eleva-se, segundo o Censo 2000, a 3.754 pessoas.

"Não, não estamos a pensar sair da cidade, porque estamos numa parte um pouco alta de Houston e por isso não estamos à espera de inundações. O único problema poderá ser o vento, mas esperamos que a casa resista", disse à Agência Lusam, Maria do Carmo Lourinho, que se prepara para enfrentar o terceiro ciclone desde que em 1981 chegou a Houston.

Só os residentes em parques de casas móveis e em zonas baixas da cidade de Houston receberam ordem de evacuação.

O casal Lourinho tem ainda memórias do ciclone Alicia (Agosto de 1983) e do Allison (Junho de 2001) que, embora não tenham gerado pânico em Houston, deixaram más memórias.

"O ciclone de 1983 derrubou árvores e um abrigo saliente da casa, mas os prejuízos não excederam em muito os 3.000 dólares", revelou José Lourinho.

O Allison passou por Houston entre 5 e 9 de Junho de 2001, provocando inundações com a água a atingir os 94 centímetros de altura.

"Se não visse aqui em Houston tanta gente refugiada de Nova Orleães por causa do furacão Katrina não tinha medo, mas perante este cenário tenho de levar as coisas a sério", indicou Jorge Fife, dono do restaurante "Taste of Portugal" na Jones Road, de Houston, contactado quinta-feira.

Jorge Fife, que encerrou o restaurante e o manterá fechado até terça-feira, vai usar as instalações do estabelecimento para refúgio a partir da noite de hoje.

"Na minha casa, a cerca de quilómetro e meio do restaurante, tenho 36 árvores fortes e, se elas caem, a casa fica como um bolo", revelou Jorge Fife, antes de explicar a sua estratégia para a passagem do ciclone.

"No restaurante não tenho janelas voltadas para sul e a cobri-lo está uma placa de cimento", acrescentou.

Os automóveis estão já guardados num armazém longe do perigo das árvores eventualmente derrubadas.

"Amigos que conheço já abandonaram a cidade. Um, de nome Joaquim Horta, disse que era altura de ir passar uma semana a Portugal, para onde partiu quarta-feira", acrescentou.

"O Fernando Assunção, natural da Torreira, partiu com a esposa para a cidade de Austin, aqui no Texas, onde tem amigos ou familiares, e o mesmo fez Mário Cebolão, que se encontra no estado de Carolina do Norte, à espera que o Rita passe. Estão todos bem", assinalou.

O Rita é o 17º ciclone da presente temporada, um período que na área das Caraíbas e costas sul e sudeste dos Estados Unidos decorre anualmente entre 1 de Junho e 30 de Novembro.

Segundo Jorge Fife, quinta-feira era um pouco tarde para os residentes que quisessem abandonar a cidade de Houston.

"Tenho junto a mim três ou quatro bombas de gasolina, mas nenhuma tem combustível para vender", disse.

Segundo números referidos na imprensa do Texas, mais de 1,3 milhões de residentes dos estados do Texas e Luisiana receberam ordem de evacuação.

PUB