Presidente da E-Redes evita novas previsões sobre reposição da rede elétrica

Presidente da E-Redes evita novas previsões sobre reposição da rede elétrica

O presidente da E-Redes, José Ferrari Careto, fez sábado à noite, na RTP Notícias, um resumo do que tem estado a ser feito no terreno para recuperar a rede elétrica, a par das dificuldades que estão a ser encontradas.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Ainda não há prazos para a recuperação total do fornecimento de eletricidade em Leiria e Pombal Foto: Paulo Cunha - Lusa

O responsável reconheceu que, esta manhã, existiam ainda 56 mil clientes sem energia, dentro do cenário de recuperação previsto de 95 por cento dos lares afetados pela depressão Kristin.

Ao longo do dia, contudo, a situação degradou-se com o impacto da chuva e do vento da tempestade Marta, o que levou a um "retrocesso", admitiu Ferrari Careto.
"Neste momento temos, na zona de impacto da Kristin, 123.000 casas sem energia e, no total do país, 167.000 clientes também sem energia", precisou.
Prometendo sempre "transparência" na informação prestada, o responsável pela E-Redes admitiu que os planos iniciais, de ter a rede recuperada a 98 por cento para o próximo sábado, terão de ser adiados, não se comprometendo com novas previsões.

"Esta sequência de tempestades cria uma situação muito difícil", explicou, pela "dimensão do impacto, com muita chuva e muito vento", mas, sobretudo, o prolongamento das condições atmosféricas negativas, tem "interrompido ou prejudicado" a recuperação que estava a ser conseguida.

Também o trabalho é "muito complicado", devido aos danos estruturais na rede, de "difícil recuperação" e "muito significativos", que "afetaram subestações e linhas de alta-tensão".

O problema resume-se a "muitos postes partidos, muitas linhas danificadas, numa extensão muito grande", referiu.

Os trabalhos implicam, no caso das linhas de alta-tensão, "repor torres de trinta metros e que pesam de cinco a oito toneladas". A solução imediata tem sido reparar torres muito rapidamente ou colocar as linhas pelo chão.
Leiria e Pombal preocupam
No terreno está um efetivo de 2.500 pessoas, "370 das quais são estrangeiras", de Espanha, França, Itália e Irlanda, presentes após contacto com várias empresas de distribuição parceiras da E-Redes.

Zonas de Pombal e Leiria são as de maior preocupação, "pela dimensão absoluta" e por terem sido as mais devastadas "do ponto de vista da rede" elétrica nacional e onde "duas subestações foram impactadas", acrescentou o presidente da E-Redes. 

Em Leiria, "felizmente repusemos a subestação de Ranha" esta sexta-feira, revelou Ferrari Careto. Já quanto à de Andrines a situação é mais complicada "do ponto de vista de engenharia, do ponto de vista físico", que passa pela reposição de torres e "por estender cabo por zonas muito alagadas".

"Estamos a fazer tudo para que a obra fique pronta o mais rapidamente possível", garantiu.Foram afetados 6.000 km de linhas, contudo o responsável pela E-Redes recusa admitir que o sistema seja "frágil", lembrando que o país foi severamente afetado.

"Não temos memória de um evento meteorológico e das suas consquências, que tivessem afetado as redes em Portugal com esta dimensão e com este impacto", recordou Ferrari Careto, defendendo que nunca se registou um impacto "desta natureza". 

"É absolutamente inusitado", acrescentou.

A E-Redes mantém também que as torres cumpriam as normas previstas, estando preparadas, "tipicamente para ventos entre os 150 a 180 km/h", acrescentou. A velocidade do vento que levou à queda de múltiplos postes, sobretudo de alta tensão, ainda está em estudo.

"Estamos focados no futuro" e na recuperação rápida dos estragos, explicou.

Antes da tempestade Kristin e perante os alertas, a empresa ativou o Plano de Operações em Crise, que colocou de prevenção todo o dispositivo, "e reforçamos equipas", ou seja, "o que se faz tipicamente neste tipo de situações", acrescentou Ferrari Careto.
O "enterramento" de linhas
Os trabalhos de constatar os estragos e iniciar a recuperação têm estado a decorrer "ininterruptamente desde a madrugada de dia 28" de janeiro, garantiu o presidente da E-Redes. 

Logo após a Kristin, "estavamos preparados para fazermos imediatamente um levantamento de estragos", acrescentou, lembrando que, nestas tempestade é impossível determinar de antemão o que poderá suceder.

As condições atmosféricas e o impacto da tempestade também dificultaram o levantamento, por dificuldade de acesso ao terreno, referiu Ferrari Careto, confessando-se preocupado porque "grande parte dos trabalhos de recuperação são feitos em altura e sob risco eletrico" e manuseando equipamento pesado.

Circunstâncias de segurança dos trabalhadores que têm de ser equilibradas com a necessidade de rápida recuperação da rede.

Sobre o "enterramento" das linhas o presidente da E-Redes prefere, antes de se pronunciar, "fazer um levantamento", admitindo contudo, perante o que sucedeu, se fazer uma revisão dos planos já existentes.

"O que é necessário é encontrar um ponto de equilíbrio ótimo entre enterrar mais linhas e o custo associado", recomendou, lembrando que tal trabalho não cabe exclusivamente à E-Redes mas a um conjunto vasto de entidades.
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