Quinta do Conde. Mulher morre após esperar mais de 40 minutos por assistência

Os bombeiros de Carcavelos foram mobilizados mas, por estarem a 35 quilómetros de distância, demoraram cerca de 40 minutos a chegar ao local. O INEM já abriu uma auditoria interna.

Joana Raposo Santos - RTP /
Foto: João Marques - RTP

Uma mulher de aproximadamente 70 anos morreu na Quinta do Conde, concelho de Sesimbra, depois de ter esperado mais de 40 minutos por assistência. O alerta foi dado por um neto às 13h43 de quarta-feira. A utente estava em dispneia e cianose, com obstrução da via área.

Em resposta à RTP, o INEM avançou que está a “auditar os procedimentos internos associados à ocorrência” e apontou a falta de meios na margem sul como a razão para o atraso no socorro.

O Instituto de Emergência Médica adiantou ainda que a chamada para o 112 foi realizada às 13h43 e triada como “muito urgente”, pelo que o tempo máximo de espera previsto, de acordo com o novo sistema de triagem, era de 18 minutos.

Segundo a fita do tempo do INEM, às 14h01 (18 minutos depois da chamada inicial) o Comando Sub-Regional da Grande Lisboa da ANEPC disponibilizou uma ambulância dos Bombeiros Voluntários de Carcavelos.

“Às 14h06, a situação foi retriada pelo CODU e a prioridade alterada para P1 – emergente”, ou seja, merecendo resposta imediata.

No entanto, as ambulâncias “mais próximas (Setúbal, Barreiro e Almada) encontravam-se naquele momento ocupadas em ocorrências P1 – emergentes”, explica o INEM.

Às 14h37, a equipa dos Bombeiros Voluntários de Carcavelos, no local, informou que a utente se encontrava em paragem cardiorrespiratória.

Apenas às 14h42 é que a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) de Setúbal, entretanto disponível, foi acionada para o local.
"O tempo é crucial"
Em declarações à RTP, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Carcavelos, João Carlos Franco, avançou que o quartel enviou para o local uma ambulância com dois operacionais. “A equipa, ao chegar ao local, encontrou uma vítima em paragem cardiorrespiratória”, declarou.

O responsável disse que “começa a ser recorrente” os bombeiros de Carcavelos serem mobilizados para ocorrências a distâncias consideráveis, especialmente no pico da gripe.

“Os hospitais começam a ficar sobrecarregados, os bombeiros nessas localidades começam a ter de deixar as macas das ambulâncias nos hospitais, ficando retidas ambulâncias e equipas”, acrescentou.
Entre a chamada do CODU para os bombeiros e a chegada ao local da ocorrência passaram cerca de 40 minutos, devido à distância e ao trânsito na ponte, segundo João Carlos Franco.

“O tempo é crucial”, mas ainda não é possível afirmar que tenha sido “o fator decisivo”, afirmou.
INEM volta a apontar indisponibilidade de meios

Este caso acontece na mesma semana em que um homem de 78 anos morreu no Seixal depois de aguardar quase três horas por assistência.

“Ambas as ocorrências são totalmente alheias ao sistema de triagem por prioridades do CODU, que funcionou de acordo com os procedimentos definidos”, vincou o INEM na resposta à RTP esta quinta-feira.

“O CODU tinha já informação de inexistência de ambulâncias disponíveis no distrito de Setúbal”, refere ainda o INEM, garantindo que “cumpriu a sua função, não tendo a resposta sido mais eficaz devido à indisponibilidade de meios na margem sul do Tejo”.

Esta quinta-feira, já depois de conhecidos estes dois casos, foi noticiada uma terceira morte, desta vez em Tavira.

Neste caso, um homem de 68 anos esteve mais de uma hora à espera de ajuda. A primeira chamada a pedir socorro terá sido pelas 18h07, seguida de uma segunda chamada a questionar a demora dos meios.

A vítima foi inicialmente classificada como prioridade 2 (que requer uma resposta em 18 minutos), passando a P1 (ou sejam, de resposta imediata) aquando da terceira chamada dos familiares, que aconteceu pelas 18h47, informando que o homem já estava em paragem cardiorrespiratória.
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