Tutela decreta encerramento da UnI

O ministro do Ensino Superior emitiu um despacho provisório de encerramento da Universidade Independente, considerando que o seu funcionamento decorre "em manifesta degradação pedagógica".

Agência LUSA /
O relatório da Inspecção-Geral do Ensino Superior concluiu que "a entidade instituidora da UnI atravessa uma situação calamitosa" Lusa

"Tomei a decisão de proferir um despacho de encerramento compulsivo da UnI, despacho que é, por força da lei, provisório. Já mandei notificar a universidade que, nos termos da lei, tem dez dias úteis para se pronunciar, fazendo os considerandos ou as alegações que entender", afirmou Mariano Gago, em conferência de imprensa.

Segundo Mariano Gago, o relatório da Inspecção-Geral do Ensino Superior concluiu que "a entidade instituidora da UnI atravessa uma situação calamitosa, que se estende à universidade, provocando grande perturbação académica e indignação geral".

"Os conflitos na empresa proprietária (SIDES) têm afectado contínua e persistentemente o funcionamento da Universidade em sectores chave da sua organização pedagógica, minando a credibilidade dos seus cursos e motivando grande apreensão dos estudantes, que reclamam em massa a possibilidade de transferência para outros estabelecimentos de Ensino Superior", afirmou o ministro.

No encontro com os jornalistas, o ministro explicou que decorreram, em simultâneo, dois processos relativos à UnI: um sobre a parte académica e outro referente à viabilidade económico-financeira da instituição.

Sobre este último, o responsável considerou que se "exige uma análise mais detalhada", pelo que só no início da próxima semana deverão ser divulgadas as conclusões.

Mariano Gago reiterou, mais uma vez, que a Universidade Independente foi "repetidamente avaliada e inspeccionada" desde a sua criação, em 1994, não tendo sido apurados "problemas graves" no seu funcionamento até ao ano passado.

Reitor Jorge Roberto diz ser possível "normalizar a situação"

O reitor da Universidade Independente (Uni), Jorge Roberto, salientou que decisão do ministro do Ensino Superior sobre o encerramento compulsivo da UnI é "meramente provisória", pelo que existe "oportunidade" para "normalizar a situação".

Em comunicado aos alunos afixado à porta da UnI, o reitor Jorge Roberto refere que "é obrigação de todos - alunos, docentes, funcionários, órgãos académicos e sociais da SIDES - aproveitar esta oportunidade para demonstrar que a normalidade regressou à UnI".

Jorge Roberto apela ainda ao regresso por parte dos alunos e docentes, informando que "todos os órgãos e serviços administrativos, societários e académicos funcionarão no horário normal a partir de terça-feira, 10 de Abril".

Na nota dirigida aos alunos, o reitor enfatiza que decorre um prazo de 10 dias para demonstrar que "a alegada degradação pedagógica não se verificou nos níveis referidos verbalmente pelo ministro, nem se verifica na presente data".
PUB