Estado da Nação. Portugueses dão nota positiva a Marcelo e Costa

por Inês Moreira Santos - RTP
Miguel Figueiredo Lopes - Reuters

Mesmo perante uma pandemia, o aumento do desemprego e o acentuar de graves problemas socioeconómicos, os portugueses avaliam, maioritariamente, de forma positiva a atuação do Presidente da República e o desempenho do atual Governo. Se houvesse eleições legislativas brevemente, uma grande maioria "de certeza que iria votar" e, segundo a sondagem da Universidade Católica Portuguesa para a RTP e o jornal Público, o partido que mais subiria percentualmente seria o Chega.

Portugal enfrenta uma das maiores crises sociais e económicas dos últimos tempos, muito em consequência dos efeitos da Covid-19. Ainda assim, a Sondagem Social e Política do CESOP–Universidade Católica Portuguesa para a RTP e o jornal Público revela que os portugueses avaliam positivamente a cúpula política do país.

Apresentada na semana em que se debate o Estado da Nação, esta sondagem revela que "cerca de nove em cada dez portugueses avaliam de forma positiva a atuação do Presidente da República". Isto é, 87 por cento dos inquiridos consideram a atuação de Marcelo Rebelo de Sousa "boa" ou "muito boa".
Contudo, "cruzando esta informação com a intenção de voto por partido, observa-se que é entre os eleitores de partidos mais à direita que se encontram maiores percentagens de avaliações negativas". Assim, dos supostos eleitores do Chega, 31 por cento avaliam como "muito má" e 20 por cento como "má". Dos simpatizantes da Iniciativa Liberal, 36 por cento avalia também negativamente a atuação do Presidente da República. E do PSD – partido a que pertence Marcelo Rebelo de Sousa – apenas um por cento avalia como "muito má" e nove por cento como "má".

"Entre os inquiridos que tencionam votar PS, apenas um por cento avaliam de forma negativa a atuação do PR. No caso dos eleitores BE são cinco por cento e CDU 11 por cento", lê-se no documento.

Mas a atuação do Chefe de Estado não é a única com avaliação positiva neste inquérito. Questionados quanto ao desempenho do atual governo, 66 por cento dos participantes avaliaram como "bom" e sete por cento como "muito bom".

Portanto, "o desempenho do Governo é avaliado positivamente por três quartos dos inquiridos", esclarece o relatório, acrescentando que apenas "um em cada cinco avaliam de forma negativa" a atual legislatura.

Também cruzando estes dados com as informações e intenção de voto, observa-se uma "maior percentagem de avaliações negativas entre os potenciais eleitores à direita do que à esquerda do PS".

De facto, dos 21 por cento que avaliam negativamente o desempenho do Executivo liderado por António Costa, a maioria é da Iniciativa Liberal (45 por cento dizem que é "mau" e três por cento dizem que "é muito mau"), do Chega (39 por cento avaliam como "mau" e 33 por cento como "muito mau") e do PSD (22 por cento como "mau" e três por cento como "muito mau").

No entanto, dos potenciais eleitores do BE, 15 por cento consideram "mau" ou "muito mau" o desempenho do Governo e, entre os da CDU, 14 por cento avaliam como "mau".

O inquérito revela ainda que, "21 por cento dos inquiridos acreditam que haveria pelo menos um partido da oposição que seria capaz de fazer melhor do que o atual Governo". Destes, cruzando novamente os dados com a intenção de voto, apenas entre os potenciais eleitores do Chega (73 por cento) e do Iniciativa Liberal (57 por cento) "encontramos uma maioria indicando que outro partido faria melhor".
Desempenho das autoridades na resposta à pandemia
Analisando os dados anteriores, conclui-se que os portugueses avaliam, de forma geral, positivamente tanto a atuação da Presidência da República como o desempenho do Governo.

Mas, considerando a situação atual do país e a resposta das principais autoridades à pandemia da Covid-19, será a opinião dos portugueses também positiva?

Desde o início da pandemia, as opiniões sobre a atuação da Direção-Geral da Saúde têm divergido. Contudo, tendo em conta esta sondagem, a avaliação a esta entidade - representada por Graça Freitas - é positiva.

Dos inquiridos, 44 por cento avaliam a atuação da DGS como "razoável" e 44 por cento, também, avaliam como "boa" ou "muito boa".

Na maioria das conferências de imprensa da DGS sobre a situação epidemiológica do país, a ministra da Saúde participa, em representação do Governo, ao lado de Graça Freitas. E, à semelhança da DGS, a atuação de Marta Temido foi avaliada como "razoável" por 44 por cento dos participantes neste inquérito. Há ainda 40 por cento que consideram que a atuação da ministra tem sido "boa" ou "muito boa", na resposta à Covid-19.

Quanto à atuação do primeiro-ministro neste contexto, 51 por cento avaliam-na positivamente. Mas 36 por cento dos inquiridos consideram que a atuação de António Costa tem sido apenas "razoável".

Já o Presidente da República parece ter uma atuação melhor aos olhos dos portugueses - 46 por cento consideram que tem sido "boa" e 15 por cento "muito boa". Ainda assim, há 28 por cento que pensam que a atuação de Marcelo Rebelo de Sousa na resposta à pandemia tem sido "razoável".

As autoridades locais têm desempenhado um papel fundamental no controlo e prevenção da Covid-19, tendo sido, por isso, também avaliadas quanto à atuação na resposta à pandemia. Os participantes consideram que a câmara municipal da sua localidade tem agido, maioritariamente, de forma positiva.

Observa-se, assim, que 47 por cento das pessoas avaliam como "boa" ou "muito boa" a atuação das autarquias, e 31 por cento diz que tem sido "razoável".
Intenção de voto

As opiniões quanto ao desempenho do Governo e à atuação na resposta à pandemia são positivas, como já vimos. Mas, se houvesse eleições legislativas em breve, o cenário mantinha-se favorável ao atual Executivo?

Na semana em que se debate o Estado da Nação, esta sondagem da Universidade Católica Portuguesa analisa a Intenção de Voto dos portugueses.

Nas últimas eleições foi claro que muitos portugueses manifestaram o seu descontentamento, ou o seu desinteresse, pela política em Portugal, ao absterem-se de ir às urnas. Mas, embora a abstenção seja cada vez maior, nos últimos anos, a maioria dos inquiridos (65 por cento) revela que "de certeza que iria votar".

Segundo a sondagem, apenas seis por cento dizem que "de certeza que não iriam votar" e três por cento "não tencionariam ir".

"A partir destas respostas não é possível prever um valor para a abstenção", esclarece o relatório. Apenas se pode concluir que, das pessoas que aceitaram participar na sondagem, a maioiria diz que iria votar de certeza.

Considerando estes 65 por cento que dizem votar, o "PS é o partido com mais intenções de voto, mas não o suficiente para a maioria absoluta".

Analisando a Intenção de Voto deste grupo, o Bloco de Esquerda, o Chega e a CDU estariam "em empate técnico, mas com resultados desta sondagem a darem ligeira vantagem aos dois primeiros", assim como, o CDS-PP, a Iniciativa Liberal e o PAN também estariam "em empate técnico".

Face a estes resultados, verificariam-se "algumas subidas e descidas de dois ou três pontos percentuais (PS, PSD, BE, CDS, IL)".

"Mas a subida do Chega destaca-se das demais oscilações", refere o relatório. "Trata-se de um partido que elegeu um deputado em Lisboa com 1,29 por cento do total nacional de votos e que nesta sondagem aparece com a dimensão eleitoral de partidos como o BE ou a CDU".

"Os dados deste inquérito mostram inequivocamente que este é o partido que mais está a crescer nesta legislatura", destaca ainda o documento, que frisa que são apenas "sondagens" e que as comparações a resultados eleitoriais devem ser feitas "com algum cuidado".

Segundo as estimativas desta sondagem, se neste momento se realizassem eleições legislativas (para a Assembleia da República), o PS seria o partido mais votado (com cerca de 39 por cento), seguido do PSD (com 26 por cento), do BE e do Chega (com sete por cento dos votos), da CDU (com seis por cento) e do CDS, Iniciativa Liberal e Pan (cada um com três por cento).

Comparando a Avaliação Política e a Intenção de Voto, em análise nesta sondagem, conclui-se que, mesmo perante um crise sanitária, social e económica, os portugueses confiam no desempenho das autoridades políticas e, se houvesse novas eleições legislativas, uma maioria desejaria manter no poder o atual partido do Governo.
Ficha Técnica
Este inquérito foi realizado pelo CESOP–Universidade Católica Portuguesa para a RTP e para o Público entre os dias 13 e 18 de julho de 2020. O universo alvo é composto pelos eleitores residentes em Portugal.

Os inquiridos foram selecionados aleatoriamente a partir duma lista de números de telemóvel e telefone fixo, também ela gerada de forma aleatória. Todas as entrevistas foram efetuadas por telefone (CATI). Os inquiridos foram informados do objetivo do estudo e demonstraram vontade de participar.

Foram obtidos 1482 inquéritos válidos, sendo 50 por cento dos inquiridos mulheres, 35 por cento da região Norte, 21,6 por cento do Centro, 30 por cento da Área Metropolitana de Lisboa, 6,3 por cento do Alentejo, 3,8 por cento do Algarve, 1,8 por cento da Madeira e 1,6 por cento dos Açores.

Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição da população por sexo, escalões etários e região com base no recenseamento eleitoral e nas estimativas do INE. A taxa de resposta foi de 41 por cento. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1482 inquiridos é de 2,5 por cento, com um nível de confiança de 95 por cento.
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