"Hora de abrir a pestana". André Pestana concorre a Belém como candidatura alternativa

Ficou conhecido por ser o rosto do Sindicato de Todos os Profissionais de Educação (S.T.O.P.) e das greves nas escolas em 2022 e 2023 e agora acredita que "é hora de abrir a pestana". André Pestana é professor de carreira e ativista social assumido, e decidiu ser também um dos 11 candidatos a Belém porque quer "ser a voz dos sem voz", além de "elevar a luta pelos serviços públicos a outro patamar".

Foi ainda em dezembro de 2024, mais de um ano antes das Eleições Presidenciais de 2026, que o coordenador nacional do S.T.O.P. anunciou a intenção de se candidatar e, assim, declarar “guerra à precariedade, à destruição dos serviços públicos, às listas de espera que continuam a existir, à escola depósito em que está a ser transformada a escola pública”.

Na altura, André Pestana disse que seria uma candidatura independente e "a favor dos trabalhadores, para os trabalhadores", recusando rótulos de esquerda ou direita. Biólogo de formação e ativista, decidiu concorrer a Belém em resposta a um desafio que “50 ativistas sociais” lhe lançaram e por acreditar representar uma alternativa ao sistema político tradicional.

“Cinquenta anos após o 25 de Abril, 50 ativistas sociais desafiaram André Pestana a candidatar-se à Presidência da República”, declara na página oficial de candidatura.

Cerca de um ano depois formalizou a candidatura sob o mote "é hora de abrir a pestana" e como “uma candidatura alternativa, claramente, ao que não temos tido”.
“Uma esquerda diferente”
Num debate com outros candidatos, transmitido pela Antena 1, assumiu que quer “representar uma esquerda claramente diferente, mais democrática”.

“Quem me conhece sabe que eu sou claramente de esquerda, só que não me quero confundir com a esquerda que a maioria das pessoas associa, seja a esquerda do antigo bloco de leste, de regimes ditatoriais, seja a esquerda associada a governos do Partido Socialista”, explicou o candidato, acrescentando que a sua candidatura é “a única que defende claramente acabar, por exemplo, com os subsídios milionários aos partidos políticos”.

Se fosse presidente, André Pestana queria acabar com “este país a duas velocidades, de ter cidadãos de primeira e de segunda”, alegando que “há condições e há dinheiro para que todos os que trabalham em Portugal possam trabalhar e viver em dignidade”.

Na candidatura realça as desigualdades existentes em Portugal, onde há pessoas a receber pensões de menos de 500 euros por mês e, ao mesmo tempo, empresas com lucros recorde. Ideia que reforçou numa entrevista à RTP, ao admitir que é um dos 11 candidatos à Presidência da República, "sobretudo porque (…) o Governo diz que o país e a Economia vão bem mas, por exemplo, temos cada vez mais pessoas sem-abrigo".

"Temos, por exemplo, também reformas de miséria. Temos milhares e milhares de salários, dos nossos cidadãos (…) que não permitem ter uma alimentação e uma habitação digna. E temos também situações, atrás de situações, na saúde com urgências fechadas. E agora com a proposta do pacote laboral ainda nos querem explorar mais, ainda querem precarizar mais a nossa juventude”.

Mas na sua ótica, "os portugueses têm que saber" que, "ao contrário do que nos dizem", "há dinheiro suficiente (...) para todos os que trabalham e vivem em Portugal poderem fazê-lo com dignidade". Para tal, adiantou, "é preciso ter coragem de enfrentar os privilégios de uma minoria”.

Caso fosse eleito, o candidato de 48 anos admite que priorizava a Constituição. André Pestana considera que o Estado tem a obrigação de garantir habitação, saúde pública, escola pública e serviços públicos à população, e assume-se como um "candidato antissistema", contra o financiamento de partidos políticos e ainda defende um salário máximo nacional de 10 salários mínimos.
Do sindicalismo à corrida a Belém
André Pestana é sobretudo conhecido como uma figura de confronto cívico e ativismo, que tem assumido lutas muito viradas para a defesa dos direitos dos trabalhadores, justiça social, reforço dos serviços públicos e combate às desigualdades. Nascido e criado em Coimbra, é conhecido dos portugueses pelo trabalho no sector da Educação e pela participação em movimentos de protesto e ação sindical.

É professor e doutorado em Biologia, na área das alterações climáticas, foi dirigente do partido Movimento Alternativa Socialista (MAS) e é coordenador nacional do S.T.O.P., sindicato que fundou em 2018 e que ganhou destaque por mobilizar milhares de trabalhadores da Educação em greves e manifestações, especialmente no ano letivo de 2022 e 2023. Pestana já tinha sido sindicalista do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa da Federação Nacional dos Professores (SPGL/FENPROF).

Desde 2001, como professor do ensino secundário, deu aulas em escolas de várias zonas do país e sempre como professor precário, tendo efetivado apenas em 2023.

Passou pela Juventude Comunista Portuguesa (JCP), pelo Bloco de Esquerda (BE) e mais tarde pelo MAS, tendo, posteriormente, interrompido a militância partidária.