Foi ainda em dezembro de 2024, mais de um ano antes das Eleições Presidenciais de 2026, que o coordenador nacional do S.T.O.P. anunciou a intenção de se candidatar e, assim, declarar “guerra à precariedade, à destruição dos serviços públicos, às listas de espera que continuam a existir, à escola depósito em que está a ser transformada a escola pública”.
Na altura, André Pestana disse que seria uma candidatura independente e "a favor dos trabalhadores, para os trabalhadores", recusando rótulos de esquerda ou direita. Biólogo de formação e ativista, decidiu concorrer a Belém em resposta a um desafio que “50 ativistas sociais” lhe lançaram e por acreditar representar uma alternativa ao sistema político tradicional.
“Cinquenta anos após o 25 de Abril, 50 ativistas sociais desafiaram André Pestana a candidatar-se à Presidência da República”, declara na página oficial de candidatura.
“Quem me conhece sabe que eu sou claramente de esquerda, só que não me quero confundir com a esquerda que a maioria das pessoas associa, seja a esquerda do antigo bloco de leste, de regimes ditatoriais, seja a esquerda associada a governos do Partido Socialista”, explicou o candidato, acrescentando que a sua candidatura é “a única que defende claramente acabar, por exemplo, com os subsídios milionários aos partidos políticos”.
Se fosse presidente, André Pestana queria acabar com “este país a duas velocidades, de ter cidadãos de primeira e de segunda”, alegando que “há condições e há dinheiro para que todos os que trabalham em Portugal possam trabalhar e viver em dignidade”.
Na candidatura realça as desigualdades existentes em Portugal, onde há pessoas a receber pensões de menos de 500 euros por mês e, ao mesmo tempo, empresas com lucros recorde. Ideia que reforçou numa entrevista à RTP, ao admitir que é um dos 11 candidatos à Presidência da República, "sobretudo porque (…) o Governo diz que o país e a Economia vão bem mas, por exemplo, temos cada vez mais pessoas sem-abrigo".
"Temos, por exemplo, também reformas de miséria. Temos milhares e milhares de salários, dos nossos cidadãos (…) que não permitem ter uma alimentação e uma habitação digna. E temos também situações, atrás de situações, na saúde com urgências fechadas. E agora com a proposta do pacote laboral ainda nos querem explorar mais, ainda querem precarizar mais a nossa juventude”.
Mas na sua ótica, "os portugueses têm que saber" que, "ao contrário do que nos dizem", "há dinheiro suficiente (...) para todos os que trabalham e vivem em Portugal poderem fazê-lo com dignidade". Para tal, adiantou, "é preciso ter coragem de enfrentar os privilégios de uma minoria”.
Caso fosse eleito, o candidato de 48 anos admite que priorizava a Constituição. André Pestana considera que o Estado tem a obrigação de garantir habitação, saúde pública, escola pública e serviços públicos à população, e assume-se como um "candidato antissistema", contra o financiamento de partidos políticos e ainda defende um salário máximo nacional de 10 salários mínimos.
Do sindicalismo à corrida a Belém
André Pestana é sobretudo conhecido como uma figura de confronto cívico e ativismo, que tem assumido lutas muito viradas para a defesa dos direitos dos trabalhadores, justiça social, reforço dos serviços públicos e combate às desigualdades. Nascido e criado em Coimbra, é conhecido dos portugueses pelo trabalho no sector da Educação e pela participação em movimentos de protesto e ação sindical.
É professor e doutorado em Biologia, na área das alterações climáticas, foi dirigente do partido Movimento Alternativa Socialista (MAS) e é coordenador nacional do S.T.O.P., sindicato que fundou em 2018 e que ganhou destaque por mobilizar milhares de trabalhadores da Educação em greves e manifestações, especialmente no ano letivo de 2022 e 2023. Pestana já tinha sido sindicalista do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa da Federação Nacional dos Professores (SPGL/FENPROF).
Desde 2001, como professor do ensino secundário, deu aulas em escolas de várias zonas do país e sempre como professor precário, tendo efetivado apenas em 2023.
Passou pela Juventude Comunista Portuguesa (JCP), pelo Bloco de Esquerda (BE) e mais tarde pelo MAS, tendo, posteriormente, interrompido a militância partidária.