Formado em Engenharia do Ambiente, o candidato é também doutorado em Filosofia Social e Política pela Universidade do Minho. Fez parte da fundação do Livre, integra a atual direção e é deputado no Parlamento desde 2024.
Jorge Pinto nasceu e Amarante, cidade onde apresentou oficialmente a candidatura à Presidência da República, a 1 de novembro, afirmando querer ser “menos do mesmo” e trazer para o centro da campanha temas essenciais à vida democrática portuguesa.
“Candidato-me porque Portugal vive um momento decisivo e não posso assistir de lado. Desde muito novo que aprendi a dizer Presente quando a democracia, os direitos humanos e a justiça social precisam de defesa, e hoje não é diferente. A esquerda progressista não pode ficar sem voz nesta eleição, nem o país pode ter um Presidente ausente”, lê-se na página do candidato apoiado pelo Livre.
Para Jorge Pinto, “esta candidatura quer afirmar um Presidente presente, que una o país, proteja o Estado Social e responda, com coragem, às crises do nosso tempo: da habitação ao clima, da igualdade à própria saúde da República. É uma candidatura centrada na justiça, na empatia e numa política externa progressista, colocando Portugal do lado da paz, dos direitos humanos e do multilateralismo”.
Na apresentação da candidatura, considerou que as eleições de 18 de janeiro serão "particularmente importantes", até porque o país tem neste momento "uma maioria parlamentar de mais de dois terços de direita e extrema-direita, ambos os governos regionais de direita, Lisboa, Porto e Braga também com presidências de direita".
"Precisamos de um Presidente da República que seja um contrapeso democrático. Um Presidente da República que tenha a coragem e a clareza de dizer o que fará caso o nosso regime e os alicerces do nosso regime estejam sob ameaça", vincou.
E prometeu que, perante qualquer "tentação" de "revisão drástica" da Constituição sem uma ampla discussão, Jorge Pinto chamaria os portugueses de volta às urnas para que tal discussão tivesse lugar.
O deputado do Livre apresentou-se ainda como "europeísta" e "ecologista", defendendo que Portugal deve ter uma "voz" ativa na transformação da União Europeia e um papel de liderança no combate às alterações climáticas.
Identificando-se como alguém do "Portugal semi-interior", Jorge Pinto sublinhou a importância da diversidade territorial e afirmou que é essa diversidade que "torna o país mais forte".
Eduardo Jorge Costa Pinto tem 38 anos e é natural de Amarante, distrito do Porto. Formado em Engenharia do Ambiente, é também doutorado em Filosofia Social e Política, com uma tese sobre "republicanismo, ecologia e pós-produtivismo". Esteve envolvido na fundação do Livre, integrando a atual direção (Grupo de Contacto), e é deputado na Assembleia da República desde 2024.
Escreveu vários livros, incluindo a obra "Rendimento Básico Incondicional – Uma defesa da Liberdade", publicado em 2019 em colaboração com outros autores, que venceu o prémio de Melhor Ensaio atribuído pela Sociedade Portuguesa de Filosofia. Publicou também a obra "A Liberdade dos Futuros", onde desenvolve a tese de "como uma política assente na promoção da autonomia pode contribuir para uma sociedade mais justa num planeta sustentável", além de várias bandas desenhadas.
O candidato, antigo militante do PS, viveu vários anos fora de Portugal, passou pela Lituânia, Índia, França, Itália e Bruxelas, onde trabalhou nas instituições europeias e fez voluntariado numa associação de refugiados.
Na Grande Entrevista na RTP Notícias, a 6 de novembro, Jorge Pinto apresentou a sua experiência profissional no estrangeiro, nomeadamente como funcionário europeu, e assumiu-se como um retrato da sua geração.
“Voltei com um certo espírito de missão”, afirmou Jorge Pinto. “Eu acredito que posso fazer de Portugal o país que ele pode ser, um país onde valha a pena viver, onde todos têm lugar”, defendeu.O candidato apoiado pelo Livre intitulou-se como um “defensor do projeto europeu mas também de associativismo com a diáspora portuguesa”.
“Não quero que a minha idade seja uma distração", afirmou Jorge Pinto, apelando a que se olhe "para aquilo que eu fiz até agora”.
Além disso, Jorge Pinto afirmou estar convicto de que possui perfil para o cargo, já que tem um “percurso pessoal, cívico, associativo, político” que demonstra o seu “empenho e ligação aos ideais de defesa da República portuguesa”.
Política
Presidenciais 2026
Jorge Pinto, o candidato mais novo que é "orgulhosamente de esquerda"
O candidato apoiado pelo Livre é o mais jovem na corrida à Presidência da República. Jorge Pinto, de 38 anos, tem "muito orgulho em ser de esquerda" e considera que a sua corrida a Belém "fazia falta" porque "não surgiu uma candidatura extra partidária que agregasse as esquerdas".
Cristina Sambado - RTP | Foto: Mariana Soares Ferreira - RTP