Passos Coelho admite agravamento do desemprego este ano

Passos Coelho admite agravamento do desemprego este ano

Na abertura do debate quinzenal desta sexta-feira, o primeiro-ministro considerou que o país está atualmente "em melhores condições" para sustentar o financiamento à economia, mas admitiu que, "infelizmente", haverá um "agravamento do desemprego em Portugal" este ano. Pedro Passos Coelho garante que o Orçamento Retificativo já revê em alta as estimativas do Executivo, que trabalha com vista a uma "consolidação orçamental".

Joana Tadeu, RTP /
Pedro Passos Coelho, acompanhado pelo Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro Carlos Moedas e pelo Secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social, Marco António Costa, fala durante o debate quinzenal na Assembleia da República Tiago Petinga, Lusa

O Governo escolheu como tema do debate quinzenal de hoje "a regularização dos pagamentos do Estado e o financiamento da economia". Na abertura da discussão o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, passou em revista medidas definanciamento da economia que “muitas vezes passam despercebidas” e avisou que não iria anunciar nada de novo.

A discussão acontece um dia depois de o Governo ter aprovado em Conselho de Ministros e entregue no Parlamento um Orçamento Retificativo que o ministro das Finanças garantiu não prever a necessidade de medidas adicionais de austeridade para cumprir as metas, dizendo que as alterações serão compensadas com outras variações, como a redução dos juros da dívida.

"Durante este período estamos em melhores condições para sustentar, mesmo no curto prazo, o crescimento da nossa economia e portanto também lutar por melhores condições de criação de emprego que é hoje com certeza a primeira prioridade nacional", disse Passos Coelho, considerando que o país está atualmente "em melhores condições" para sustentar o financiamento à economia.

O primeiro-ministro garantiu que Portugal terá agora a possibilidade de regularizar as dívidas do Estado que devolverão dinheiro à economia.

Questionado pelo líder do Partido Comunista Português, Jerónimo de Sousa, sobre os números do desemprego, Passos Coelho admitiu que "o Governo viu as suas previsões contidas no Orçamento do Estado para 2012 ultrapassadas relativamente à matéria do desemprego."

Depois do terceiro reexame regular da troika e da atualização das previsões, que serão apresentadas ao Parlamento na próxima semana, o Governo chegou à conclusão de que, "infelizmente", haverá um "agravamento do desemprego em Portugal" este ano.

"Não estou a deitar foguetes, nem a pensar que é tudo adquirido e que este caminho é irreversivel. É preciso renovar a firme determinação em atingir os objetivos traçados. Mas os sinais que vamos tendo mostram-nos que estamos no bom caminho", diz Passos Coelho na AR. Considerando que o processo de consolidação “não é um fim em si próprio, mas um meio para a recuperação da economia”, o primeiro-ministro enumerou as principais medidas adotadas pelo Governo, como o alargamento de prazos para as linhas PME Invest, a criação do programa PME Crescimento, o reforço dos seguros destinados à exportação, a reforma dos instrumentos públicos de capital de risco, o desbloqueamento de mil milhões de euros relativamente à linha do Banco Europeu de Investimento, com quem o Executivo está a negociar uma linha de 5 mil milhões de euros para a economia portuguesa, e a reprogramação dos fundos europeus.

António José Seguro, do Partido Socialista, acusou Passos de ser "rápido na propaganda" e "lento" na decisão "fundamental" de pagar dívidas do Estado e Jerónimo de Sousa considerou que o "pacto de agressão" se traduz num "ataque às condições de vida de muitos portugueses". O líder do PCP perguntou ao primeiro-ministro onde está a "equidade nos sacrifícios" de que fala o Governo e Francisco Louçã, líder do Bloco de Esquerda, afirma que o empobrecimento vai continuar no próximo ano, e acusou o primeiro-ministro de não querer discutir os resultados da sua política.
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