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PS decide sobre pensões depois de Governo revelar "condições" para aumento. "Para não sabermos por comentadores", diz Mariana Vieira Silva

PS decide sobre pensões depois de Governo revelar "condições" para aumento. "Para não sabermos por comentadores", diz Mariana Vieira Silva

A viabilização da proposta de Orçamento do Estado está garantida - e o PS garante que não vai "desvirtuar" o documento entregue pelo Governo -, mas os socialistas insistem que a "luz verde" dada pelos deputados não significa que não haverá propostas de alteração da fase da especialidade.

João Alexandre /
Mariana Vieira da Silva, deputada e ex-ministra do Governo de António Costa, diz, no entanto, que os socialistas precisam de mais números por parte do Executivo de Luís Montenegro.

"O PS espera poder ter a sua resposta para percebermos - e para não sabermos por comentadores televisivos em alguns canais - o que é que o Governo prevê fazer em matéria de pensões. Para podermos decidir, aqui no parlamento, que é onde essa decisão tem lugar", diz, em declarações à Antena 1, no programa Entre Políticos. E acrescenta: "O PS quer saber se existem condições. E é essa a reflexão que faremos na especialidade".

Segundo a leitura da socialista - que critica a "falta de respostas" do Governo -, até ao momento, o Executivo está "numa espécie de negação da governação".

"Recusam-se a fazer o exercício que cabe a um Orçamento de Estado, que é fazer as contas, assumir previsões. Não aquelas que fazem para os programas eleitorais, mas as realistas, e saber quais são as dificuldades financeiras e apresentá-las para que o parlamento possa votar.

PSD ironiza com "preocupação emergente" dos socialistas com as contas públicas

O PSD lembra o aumento extraordinário de pensões feito pelo atual Governo e critica a posição dos socialistas sobre novos aumentos para os pensionistas.

"O que nós sabemos é que existe uma previsão do saldo orçamental para 2025 de 0,3%, que rondará os 800 a 850 milhões de euros. Aquilo que o PS diz que precisa de saber - que é o valor da margem - é isto", refere Hugo Carneiro.


O deputado e vice-presidente do grupo parlamentar do PSD acusa ainda os socialistas de falta de coerência: "Ainda antes de o Orçamento do Estado ser aprovado, o PS apresentou e aprovou - com a ajuda do Chega - a redução do IVA sobre a eletricidade e a isenção das portagens em determinadas autoestradas do país. Para o PS era absolutamente indiferente a situação das contas públicas".

E insiste: "Portanto, esta preocupação emergente sobre a margem não deixa de ser caricata e causar até algum riso".

PS vota contra descida do IRC, mas garante sentido de responsabilidade. PSD diz que socialistas já foram a favor da redução


O PS garante que a decisão está tomada e que vai mesmo chumbar as propostas para a redução do IRC.
Além do Governo - que apresenta uma proposta de redução em um ponto percentual -, o Chega também já anunciou que, na especialidade, vai propor uma redução mais significativa do imposto.

Mariana Vieira da Silva avisa que o PS já se decidiu pelo voto contra, mas defende que os socialistas são um partido com sentido de responsabilidade.

" Votamos contra] Porque somos a favor de reduções do IRC que sejam direcionadas ao aumento de salários, ao investimento, à capitalização das empresas e à inovação. Agora, o PS já garantiu que não contribuirá nem para o desequilíbrio das contas públicas, nem para o desvirtuar deste Orçamento", diz a ex-ministra, que reitera: " A tentativa de chegarmos a acordo sobre o Orçamento não aconteceu, mas [o PS ]também não andará aqui a contribuir para um processo de especialidade que coloque o país em dificuldades".

Pelo PSD, Hugo Carneiro lembra as negociações entre PS e Governo antes da entrega da proposta de Orçamento do Estado e acusa os socialistas de terem mudado de posição.

"A certa altura das negociações, o PS aceitou a redução do IRC em um ponto percentual em 2025, mas queria condicionar o Governo nos anos de 2026, 2027 e por aí fora. Ora, eu não sei como é que o PS pode votar contra a redução em 2025 quando no papel que enviou à AD disse que estaria disposto a aprovar", afirma o deputado social-democrata.

Ainda assim, o vice-presidente do grupo parlamentar do PSD confia que haverá um desfecho positivo para o Governo na fase da especialidade: "Teremos que aguardar pela especialidade, mas não vejo como é que o PS pode votar contra, seria uma grande incoerência".
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