Candiru, a empresa israelita no negócio dos ciberataques

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A maioria dos clientes da Candiru é da Europa Ocidental
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Envolta em secretismo, com cerca de 120 funcionários e localizada num edifício de Telavive, a empresa Candiru vende ferramentas que permitem piratear sistemas informáticos. Com apenas quatro anos de existência, possui já clientes por todo o mundo e estima-se que alcance vendas anuais de 30 milhões de dólares, conta o jornal israelita Haaretz.

Fundada há quatro anos por Isaac Zack, a Candiru é especializada em “cibernética ofensiva”, a tecnologia utilizada para piratear dispositivos como computadores ou telemóveis e espiar os seus utilizadores.

Até agora, a empresa tem optado por não revelar pormenores acerca do seu funcionamento, não possuindo qualquer website onde possa ser consultada informação e pedindo aos seus funcionários que assinem acordos de confidencialidade.

Muitos dos mais de 100 funcionários da Candiru são recrutados diretamente à Unidade 8200 do corpo de informações das Forças de Defesa de Israel, algo comum na indústria da cibersegurança do país, e recebem cerca de 21.400 dólares mensais.

“A empresa possui um sistema de informações que permite aos clientes ver quantos alvos já foram pirateados e que informação foi obtida”, revelou uma fonte ao diário israelita Haaretz. “Além disso, oferece um serviço muito sofisticado que permite que, caso uma das ferramentas de ataque não funcione, seja produzida uma nova mais eficaz”.

A maioria dos clientes da Candiru é da Europa Ocidental. A empresa não possui clientes no continente africano e diz não vender os seus serviços ao Estado hebraico, não por razões políticas mas por questões de negócio.

Política de vendas
A política de vendas da Candiru é restrita, pois várias empresas israelitas semelhantes já estiveram em risco por terem vendido ferramentas a países onde a democracia e os Direitos Humanos não se aplicam.
O nome Candiru é inspirado num peixe parasita da Amazónia capaz de se instalar na uretra humana e que é também conhecido por “peixe-vampiro”, por se alojar nas cavidades das guelras de outros peixes, alimentando-se de sangue.

“Por exemplo, se a Alemanha precisar de equipamento cibernético ofensivo por razões de segurança nacional, a empresa desenvolve-o sem qualquer problema”, explicou outra fonte. Tal não acontece se, “por exemplo, a Turquia fizer pedidos relacionados com tráfico humano”.

Israel considera as ferramentas de “ofensiva cibernética” como semelhantes a qualquer outra arma e, por essa razão, as exportações têm de ser aprovadas pelo Ministério da Defesa, que habitualmente as autoriza desde que não coloquem em risco o país.

O fundador da Candiru, Isaac Zack, foi também fundador da empresa israelita NSO, a mais conhecida de Israel nesta área e que alegadamente vende equipamento a países como a Arábia Saudita e o México.

Este não é, porém, o nome oficial da empresa. Em setembro de 2014, quando surgiu, foi registada com o nome de Grindavik Solutions, sendo alterado para LDF em 2017 e novamente para Grindavik em abril de 2018.

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Candiru, Ciberataques, Cibersegurança, Israel,

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