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Episódio 20260610 de 0

Serge Prokofiev - Os anos 20 e a vida no estrangeiro (1917-1929)

Aos 28 anos Serge Prokofiev demonstrava aos conterrâneos e ao mundo um génio criativo fulgurante, sobretudo ao piano.
Estamos em 1917, naquele que acabaria por ser um dos anos mais produtivos do compositor: para além da ópera O Jogador, da 1ª Sinfonia e do 1º Concerto para Violino, Prokofiev haveria de escrever nesse ano mais uma cantata e duas sonatas para piano, isto para além de outra obra de certo modo inesperada a que chamou Visões Fugitivas, também para teclado. Um registo bem diferente do habitual, neste caso predominantemente impressionista. Ainda em Petrogrado, o compositor concebeu, nesse mesmo ano de 1917, mais duas sonatas.
A Sonata para Piano nº 3, baseada em rascunhos da adolescência, com um único andamento, onde revela o espírito agitado de sempre, e a Sonata para Piano nº 4, que reflete o espírito divertido e otimista do compositor pouco antes da revolução de outubro. Os acontecimentos políticos apanharam Prokofiev algo desprevenido.
Ao mesmo tempo que Moscovo e Petrogrado entravam em grande tumulto, o compositor concebeu em Kislovodsk, a 1600Km da capital, uma cantata intitulada Sete Ao Todo Sete, baseada nalguns dos escritos mais antigos do mundo, concebidos na antiga Mesopotâmia 3000 anos antes de Cristo. O conteúdo descreve um universo controlado por sete deuses demoníacos e respetivos poderes destrutivos e lança um apelo ao espírito da terra para afastar esses maus espíritos. Mais tarde Prokofiev haveria de explicar que o estilo primitivo da obra reflete a energia das forças revolucionárias que marcaram aquele ano. Após a conclusão da cantata, Prokofiev ficou 'sem nada para fazer uma vez que a Rússia não precisava de música naquele momento', e decidiu tentar a sorte na América, pelo menos até que a turbulência na terra natal passasse. Em março de 1918 partiu para os Estados Unidos, onde viveu durante dois anos, em São Francisco na Califórnia. A permanência na América incluiu uma agenda de concertos por todo o país, designadamente em Nova Iorque e Chicago. Mas alguns contratempos no campo das encomendas acabaram por originar dificuldades financeiras e Prokofiev decidiu então rumar a Paris, já que não queria regressar à Rússia temendo que interpretassem esse regresso como um fracasso da sua incursão no estrangeiro.
Haveria de passar os 16 anos seguintes, entre 1920 e 1935, em diversos locais da Europa Ocidental, vivendo sobretudo como pianista, interpretando as suas próprias obras, designadamente o Concerto para Piano nº 3, estreado em 1921.
Na mesma altura Prokofiev escreveu a ópera O Amor das Três Laranjas, uma história com um misto de magia e fantasia.
Em 1922 mudou-se para uma cidade nos Alpes da Baviera onde viveu mais de um ano a fim de se concentrar em composições como a Sonata para Piano nº 5. Em 1923 o compositor casou-se com a soprano espanhola Carolina Codina, mais conhecida como Lina. Viriam a ter dois filhos: Sviatoslav, nascido em 1924, e Oleg, quatro anos mais novo.
Por essa altura, Prokofiev compôs a ópera O Anjo de Fogo, um retrato da luta entre o bem e o mal.
Em 1925 o compositor está em Paris onde apresenta a Sinfonia nº 2, sem grande sucesso, diga-se, mas impressionando positivamente o famoso empresário da dança, Sergei Diaghilev, a ponto de ter encomendado um novo bailado a Prokofiev.
Le Pas d'Acier (O Caminho de Aço) é uma partitura modernista destinada a retratar a industrialização da União Soviética, designadamente a expansão dos caminhos de ferro, o tal caminho de aço. O bailado foi recebido com entusiasmo tanto pelo público como pela crítica parisiense

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