Compositor do mês
Serge Prokofiev - Os anos 30 e o regresso a casa (1929-1936)
Serge Prokofiev - Os anos 30 e o regresso a casa (1929-1936)
1929 começou por ser um ano bom para Serge Prokofiev. O estrondoso sucesso da ópera O Filho Pródigo e a frequente apresentação em concerto da Sinfonia nº 1, da Suíte Cítia e do Concerto para Piano nº 3 tinham melhorado significativamente as finanças do compositor. Parte desse dinheiro foi gasto no aluguer de um castelo em França onde a família Prokofiev passou o verão.
É nesse contexto que é finalizado o Divertimento Op. 43. Depois desse verão, a vida de Prokofiev deu, porém, uma guinada inconveniente na sequência dum acidente de viação enquanto levava a família de volta a Paris: o carro capotou, e para lá do susto, Prokofiev sofreu uma séria lesão muscular na mão esquerda. Ficou, portanto, impossibilitado de tocar, nomeadamente numa digressão que incluiria uma passagem por Moscovo.
Nessa altura compôs mais um bailado intitulado Nas Margens do Dniepr cuja ação decorre na sua Ucrânia natal.
No início de 1930 Prokofiev, já com a mão esquerda recuperada, inicia uma digressão pelos Estados Unidos e em jeito de prova lança-se na composição do Concerto para Piano nº 4 justamente concebido como um exercício para a mão esquerda.
Seguiu-se o Concerto para Piano nº 5, o último da carreira do compositor, concluído no verão de 1932, estreado pelo próprio Prokofiev como solista, com a Filarmónica de Berlim dirigida pelo mítico maestro Wilhelm Furtwangler. O público aplaudiu efusivamente. O compositor, porém, não ficou satisfeito. Achou que não tinha acrescentado nada de novo ao seu repertório, e sentiu-se de tal modo que não voltou a compor concertos para piano.
Nos anos 30, tanto a Europa como a América sofriam com a Grande Depressão, circunstância que inibiu novas produções de ópera e bailado, embora o público para os recitais de Prokofiev como pianista não tenha diminuído. Mas Serge via-se mais como compositor e, com saudades de casa, começa a construir as bases dum futuro regresso à União Soviética, agendando cada vez mais estreias no país natal.
Uma das empreitadas foi a banda sonora do filme O Tenente Kijé de Aleksandr Faintsimmer. O enredo é bastante satírico e retrata a futilidade dum czar empenhado em homenagear um militar sem saber que a figura não passava de um embuste.
Outra das obras de Prokofiev, a Suíte Noites Egípcias, evoca a figura de Cleópatra, rainha do Egipto, descrevendo a relação amorosa com Júlio César e depois com Marco António. O final, como seria de esperar, é trágico, com o suicídio do casal perseguido pelo novo imperador romano César Augusto.
E chegou a vez de Prokofiev apresentar a última encomenda antes do regresso à União Soviética: o Concerto para Violino nº 2, uma obra recheada de belas melodias. Depois da estreia, o compositor regressou definitivamente ao país de origem, corria o ano de 1935.
No horizonte estaria já uma das suas obras mais famosas senão mesmo a mais famosa: Pedro e o Lobo, um conto sinfónico para narrador e orquestra, escrito para o Teatro Infantil de Moscovo da encenadora Natalya Sats. Uma obra lúdica baseada numa história com animais, em que cada animal é ilustrado por um instrumento diferente da orquestra. O personagem humano, concretamente um menino chamado Pedro, é evocado pelo conjunto de cordas.
Prokofiev tinha nessa altura 45 anos, e o seu apetite por histórias levou-o ainda a conceber a banda sonora de outro filme, A Rainha de Espadas de Mikhail Romm, baseado num conto de Alexandr Pushkin, cuja ação decorre em São Petersburgo por volta do ano 1800. As filmagens chegaram a começar, mas foram interrompidas, ou seja, o filme não chegou a estrear devido a uma nova política que exigia dos realizadores apenas filmes baseados em temas contemporâneos. Não ficou, portanto, o filme, mas ficou a música.
No próximo episódio abordamos um dos marcos centrais do legado de Prokofiev: o bailado Romeu e Julieta
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