João Fernando Ramos

Quando é que o prazo acaba?

Eu percebo que seja incómodo fazer a mesma pergunta, 21 vezes, à Procuradora Geral da República, mas essa é a pergunta que muitos portugueses fazem nesta altura, mesmo aqueles que não gostam nada de José Sócrates. Afinal quanto tempo se pode manter a suspeição sobre uma pessoa, que foi detida, presa numa cadeia, libertada e que está sujeita diariamente a um julgamento na comunicação social, com constantes fugas de informação no sistema de justiça? Porque se podem assim prolongar os prazos, com novos dados a surgirem todos os dias na imprensa? E se isto acabar em nada?

Nenhum cidadão, nem mesmo a senhora Procuradora Geral, gostaria de um dia ficar presa numa teia como esta, por muito culpado que seja. Olhamos para escândalos de grande dimensão noutros países do mundo e não há memória de um arrastar tão estrondoso de um caso a envolver tantas coisas que são todos os dias dadas como provadas na comunicação social, que cita “boas fontes” do processo.

Esta é das investigações que tem que contar com todos os meios, mas tem também que ser exemplar no cumprimento de prazos e de metas.

Teremos que esperar pelo fim de mais um prazo para perceber se este será mesmo o tempo da acusação, como foi inequivocamente afirmado. A não ser assim, de novo, ficaremos ainda mais receosos no olhar para um dos mais importantes sistemas de qualquer democracia, o que não é mesmo nada tranquilizador.

Entendemos que investigar alguns crimes é complexo, mas numa democracia funcional ninguém, nem o pior dos bandidos, pode um dia ter a sua vida assim devastada durante tanto tempo, sem uma acusação.

A informação mais vista

+ Em Foco

Os dados do sistema de Informação de Fogos Florestais da União Europeia (EFFIS) indicam que só entre os dias 14 e 15 de outubro arderam em Portugal continental cerca de 200 mil hectares.

    Acionar o artigo 155 da Constituição espanhola representa um momento único na História de Espanha. O Governo de Madrid já definiu os setores que quer controlar de imediato.

    Impostos, orçamentos, metas para o próximo ano. A RTP descodifica a proposta de Orçamento do Estado apresentada pelo ministro das Finanças esta sexta-feira.

      Mário Centeno também deixou no ar a ideia de que, na discussão da especialidade do OE2018, seja posto um ponto final nos cortes do subsídio de desemprego.