João Fernando Ramos

Quando é que o prazo acaba?

Eu percebo que seja incómodo fazer a mesma pergunta, 21 vezes, à Procuradora Geral da República, mas essa é a pergunta que muitos portugueses fazem nesta altura, mesmo aqueles que não gostam nada de José Sócrates. Afinal quanto tempo se pode manter a suspeição sobre uma pessoa, que foi detida, presa numa cadeia, libertada e que está sujeita diariamente a um julgamento na comunicação social, com constantes fugas de informação no sistema de justiça? Porque se podem assim prolongar os prazos, com novos dados a surgirem todos os dias na imprensa? E se isto acabar em nada?

Nenhum cidadão, nem mesmo a senhora Procuradora Geral, gostaria de um dia ficar presa numa teia como esta, por muito culpado que seja. Olhamos para escândalos de grande dimensão noutros países do mundo e não há memória de um arrastar tão estrondoso de um caso a envolver tantas coisas que são todos os dias dadas como provadas na comunicação social, que cita “boas fontes” do processo.

Esta é das investigações que tem que contar com todos os meios, mas tem também que ser exemplar no cumprimento de prazos e de metas.

Teremos que esperar pelo fim de mais um prazo para perceber se este será mesmo o tempo da acusação, como foi inequivocamente afirmado. A não ser assim, de novo, ficaremos ainda mais receosos no olhar para um dos mais importantes sistemas de qualquer democracia, o que não é mesmo nada tranquilizador.

Entendemos que investigar alguns crimes é complexo, mas numa democracia funcional ninguém, nem o pior dos bandidos, pode um dia ter a sua vida assim devastada durante tanto tempo, sem uma acusação.

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