Venezuela. Aprovada em primeira leitura abertura da produção de petróleo a privados

Venezuela. Aprovada em primeira leitura abertura da produção de petróleo a privados

A Assembleia Nacional da Venezuela aprovou esta quinta-feira, em primeira leitura, uma lei que abre totalmente a produção de petróleo ao setor privado.

Graça Andrade Ramos - RTP /
Assembleia da Venezuela aprovou dia 22 de janeiro de 2026, em primeira leitura, a abertura da produção de petróleo a privados Leonardo Fernandez Viloria - Reuters

O país tem as maiores reservas de petróleo do mundo.

Até agora, a produção de petróleo era do domínio exclusivo do Estado ou de consórcios nos quais o Estado detinha uma participação maioritária. 

A nova lei estipula que "as empresas privadas domiciliadas na República Bolivariana da Venezuela" poderão explorar petróleo após a assinatura de contratos.

A "primeira leitura" refere-se ao processo legislativo de debate e votação de um projeto de lei num Parlamento.

A reforma necessita de ser aprovada em segunda leitura, e acontece três semanas após a dramática deposição do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.

Esta quinta-feira, um responsável norte-americano avisou que a Administração Trump vai permitir à China a aquisição do petróleo venezuelano, mas não a preços "injustos e abaixo do mercado" praticados por Caracas antes da deposição do presidente Nicolás Maduro pelos EUA, a três de janeiro.
Petróleo mais caro
O governo de Donald Trump exigiu que a maior parte do petróleo produzido pela Venezuela seja vendida aos Estados Unidos, frisou o responsável, sob anonimato. Afirma igualmente que os EUA vão controlar indefinidamente as vendas de petróleo venezuelanas."Graças à operação decisiva e bem-sucedida do presidente (Donald) Trump, o povo da Venezuela receberá um preço justo pelo seu petróleo da China e de outras nações, em vez de um preço baixo e corrupto", disse o responsável à agência Reuters.
Há anos que Pequim tem sido o principal comprador do petróleo da Venezuela, com as vendas a permitirem a Caracas pagar parte dos empréstimos avultados pedidos à China, em acordos de dívida por petróleo.

Na semana passada, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse que os EUA estavam a receber cerca de 45 dólares por barril de petróleo venezuelano, em comparação com os cerca de 31 dólares que a Venezuela recebia antes da detenção de Maduro.

As empresas de trading, Trafigura e Vitol, venderam cerca de 11 milhões de barris de petróleo num acordo inicial de fornecimento entre a Venezuela e os EUA, referente ao crude retido no país, representando cerca de um quarto do acordo de dois mil milhões de dólares.

A Trafigura concluiu a sua primeira venda de petróleo bruto a um cliente num acordo com a empresa espanhola Repsol, enquanto a Vitol negociou carregamentos para refinarias americanas, incluindo a Valero e a Phillips 66, e para a sua refinaria em Itália, disseram fontes.

As importações de petróleo da China provenientes da Venezuela deverão cair drasticamente a partir de Fevereiro, uma vez que menos petroleiros conseguiram sair do país depois de os EUA terem reivindicado o controlo das vendas do produtor da OPEP, disseram traders e analistas na semana passada.
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