Albuquerque admite que custos sociais do ajustamento são para continuar

| Eleições na Grécia

“As finanças públicas colapsaram por três vezes e por três vezes colocaram em causa a capacidade de financiamento do Estado”, enfatizou a ministra das Finanças
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A ministra das Finanças levou esta terça-feira nova apologia da austeridade a uma conferência da revista britânica The Economist. Maria Luís Albuquerque advertiu que, embora “decisiva”, a chamada “saída limpa” do programa da troika não deve ser interpretada como um passaporte para o fim dos custos do ajustamento. Falou também de dívida pública, justificando o agravamento constatado pelo Banco de Portugal com incursões nos mercados para reembolsar o FMI.

“A conclusão do programa foi decisiva, mas não afasta de imediato os custos económicos e sociais do ajustamento nem simboliza o culminar de um processo reformista, que tem necessariamente de continuar”, quis vincar Maria Luís Albuquerque no evento promovido pela Economist em Cascais, onde esteve também o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas.
A ministra das Finanças não quis comentar a lista de reformas remetida a Bruxelas pelo Governo grego: ”O que ficou acordado é que a Grécia enviaria a lista de medidas e a troika faria a respetiva avaliação. Naturalmente não me vou antecipar à avaliação da troika”.


Ainda de acordo com a sucessora de Vítor Gaspar na pasta das Finanças, a conclusão do Programa de Assistência Económica e Financeira “não pode sobrepor-se ao facto de este ter sido o terceiro programa em 40 anos de democracia”.

“As finanças públicas colapsaram por três vezes e por três vezes colocaram em causa a capacidade de financiamento do Estado”, apontou.

Estes “três difíceis períodos de ajustamento”, prosseguiu a governante, “podiam ter sido evitados se a importância da sustentabilidade das finanças públicas tivesse sido reconhecida atempadamente”.

Sempre no mesmo tom, Albuquerque afirmaria, a concluir sua prestação de aproximadamente dez minutos, que “o sistema político exigiu um grande esforço dos portugueses porque não soube aprender com os erros anteriores”.
Estado contraiu dívida para pagar ao FMI

À margem da conferência, Maria Luís Albuquerque acabaria por falar dos últimos dados do Banco de Portugal sobre a dívida pública, que confirmam uma subida do rácio sobre o PIB, no conjunto de 2014, para os 128,7 por cento. O peso da dívida soberana aumentou porque o Governo foi ao mercado com vista a antecipar o reembolso ao Fundo Monetário Internacional, admitiu a ministra.

A razão do comportamento da dívida patenteado no boletim de fevereiro, foi, nas palavras de Albuquerque, o “aproveitamento de oportunidades de acesso ao mercado que possibilitam agora iniciar o processo de reembolso ao FMI, assim que esteja concluído o processo de autorização por parte dos parceiros europeus”.
O Governo de PSD e CDS-PP optou por reembolsar antecipadamente 14 mil milhões de euros em dois anos e meio ao FMI, uma intenção que já mereceu luz verde de Bruxelas mas que terá ainda de ser aprovada por parlamentos nacionais.


“As reservas de liquidez, os depósitos, acabaram por crescer um pouco mais do que estava previsto, até pela grande adesão que tiveram os produtos de retalho e o maior número de subscrições do que aquele que estava previsto”, continuou.

À semelhança de Paulo Portas, a titular da pasta das Finanças reafirmaria, ainda assim, que o país está “na trajetória certa de consolidação” e que “não se altera de todo a trajetória de redução da dívida”.

Maria Luís Albuquerque acrescentou ainda que a dívida do setor privado diminuiu, considerando, por isso, que "a consolidação da dívida portuguesa está a avançar tal como tinha sido previsto e como é desejável para a sua sustentabilidade".

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