Mundo
Guerra no Médio Oriente
Irão. Prémio Nobel da Paz Narges Mohammadi condenada a mais seis anos de prisão
O advogado de Mohammadi confirmou a nova condenação da ativista iraniana de direitos humanos. É a oitava sentença contra a Prémio Nobel da Paz 2023 em 25 anos de contestação ao regime de Teerão, contra a pena de morte no país e contra o rígido código de vestuário para as mulheres.
A Prémio Nobel da Paz tinha sido detida a 12 de dezembro de 2025, na cidade de Mashhad, no
nordeste do país, juntamente com outros ativistas, depois de discursar
numa cerimónia em memória de um advogado encontrado morto.
"Foi condenada a seis anos de prisão por reunião e conspiração para
cometer crimes", indicou o seu advogado, Mostafa Nili, numa publicação na rede social X, acrescentando que a
ativista também está proibida de sair do país durante dois anos.Narges Mohammadi, de 53 anos, já tinha sido condenada, noutro processo, a 18
meses de prisão por "atividades de propaganda" e a dois anos de exílio
na cidade de Khosf, na província de Khorasan do Sul, no leste do país,
explicou o causídico.
De acordo com a lei iraniana, as penas de prisão não podem ser cumpridas consecutivamente. Esta última sentença é passível de recurso.
Mostafa Nili está esperançoso que a saúde debilitada de Mohammadi, permita que ela seja temporariamente "libertada sob fiança para tratamento médico".
Em dezembro de 2024, a Prémio Nobel da Paz foi libertada durante três semanas por motivos médicos relacionados com "a sua condição física após a remoção de um tumor e de um enxerto ósseo", recordou o advogado.
Narges cumpre há uma semana uma greve de fome, uma das múltiplas realizadas nas diversas vezes em que foi julgada, condenada e detida pelo seu ativismo.
Reivindica desta vez "o direito a fazer um telefonema", a "ter acesso aos advogados no Irão" e a receber visitas, de acordo com a advogada Chirinne Ardakani, a partir de Paris.
Pressão sobre a família
Em janeiro último, a partir da prisão, Narges Mohammadi denunciou uma operação de pressão levada a
cabo pelas autoridades de Teerão, na casa do seu irmão na cidade
iraniana de Mashhad.
Num comunicado divulgado em 22 de janeiro pela rede X, a fundação com o nome da laureada com o Prémio Nobel da Paz disse ter conhecimento de que agentes de segurança invadiram a casa da família, em Mashhad, e realizaram uma busca na residência.
No texto publicado no perfil da ativista, a fundação refere que este ataque faz parte da crescente e contínua pressão exercida sobre a família de Narges Mohammadi nos últimos meses.
Num comunicado divulgado em 22 de janeiro pela rede X, a fundação com o nome da laureada com o Prémio Nobel da Paz disse ter conhecimento de que agentes de segurança invadiram a casa da família, em Mashhad, e realizaram uma busca na residência.
No texto publicado no perfil da ativista, a fundação refere que este ataque faz parte da crescente e contínua pressão exercida sobre a família de Narges Mohammadi nos últimos meses.
A ativista não vê os dois filhos, que vivem em Paris, desde 2015.
A última chamada telefónica com a família data de 14 de dezembro e esta foi informada da greve de fome por um prisioneiro recentemente libertado.
A última década de Mohammadi foi passada atrás das grades.
Mesmo atrás das grades, a Prémio Nobel não se manteve em silêncio, organizando protestos no pátio da prisão e realizando greves de fome.
A agência de notícias Efe relatou no início do ano, citando fontes que não se quiseram identificar, que a detenção de Narges Mohammadi tem sido marcada por espancamentos e negação de assistência médica, o que, especialmente devido ao seu histórico de problemas cardíacos, colocou a sua vida em grave perigo.
Nesse mesmo contexto, um dos detidos recentemente libertados do Centro de Detenção de Inteligência de Mashhad descreveu o estado físico de Narges Mohammadi e de seu companheiro, Pouran Nazemi, como "alarmante".
c/agências