Mundo
Guerra no Médio Oriente
Netanyahu diz que Israel vai desmantelar "regime de terror" de Teerão
O primeiro-ministro israelita denunciou o governo iraniano dos ayatolahs como um "regime de terror destinado a desaparecer", numa mensagem direta a Teerão.
A ameaça foi proferida primeiro na despedida do anterior chefe da Mossad, David Barnea, e repetida esta terça-feira, na tomada posse de Roman Gofman, sucessor na liderança do serviço de informações externas de Israel.
O governo iraniano vai "ruir" e "nós vamos ajudar a que isso aconteça", afirmou o primeiro-ministro isarelita.
O vaticínio tinha sido deixado logo na noite de segunda-feira, no discurso de despedida de Barnea, quando o primeiro-ministro israelita afirmou que "os alicerces deste regime terrorista no Irão racharam".
"Nunca mais voltará a ser o que era, e digo-vos: no fim, cairá", afirmou. O regime de Teerão subiu ao poder há 47 anos e jurou destruir Israel, financiando e armando diversos grupos na região, como o Hezbollah libanês e o Hamas palestiniano, para cumprir este objetivo.
"Que todos os que tramam o mal contra Israel saibam que os seus planos vão falhar", afirmou Netanyahu. "O preço que pagarão será demasiado alto. O preço que o Irão já pagou é demasiado alto", disse.
O primeiro-ministro de Israel aliou-se ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para iniciar em março uma guerra com o regime iraniano. Ao fim de um mês de ataques e bombardeamentos, incluindo do Irão a alvos em diversos países vizinhos do Golfo Pérsico, foi decretada uma trégua para dar espaço à diplomacia.
Apesar da ofensiva e da morte de diversos dos seus líderes, o governo iraniano tem-se mantido no poder. A Administração Trump parece agora relutante em retomar os bombardeamentos, procurando garantir em vez disso um dos seus principais objetivos oficiais, o fim do programa nuclear iraniano e o confisco das suas reservas de urânio enriquecido.
Nos bastidores, Netanyahu tem tentado acicatar novamente Trump para uma estratégia musculada, objetivo não concretizado até agora.
Esta segunda-feira, o primeiro-ministro de Israel foi forçado por Trump a recuar no seu objetivo de atacar o bastião da guerrilha libanesa do Hezbollah, em Beirute. Apesar de manter a ofensiva militar terrestre, lançada contra o Líbano nas últimas duas semanas e severamente criticada pela comunidade internacional, Netanyahu vê-se cada vez mais isolado.
Segunda-feira, o Irão rompeu o diálogo que mantinha com os EUA através de mediadores, devido à ofensiva das Forças de Defesa de Israel no Líbano. Teerão exige que o acordo de paz com os norte-americanos inclua o recuo de Israel na luta contra o Hezbollah.
Segunda-feira, o exército iraniano disse estar pronto a "alargar os seus alvos" no conflito com os EUA e Israel, e ameaçou bombardear o norte de Israel se o ataque planeado contra Beirute se concretizasse.
Netanyahu, cujo governo está periclitante e poderá cair nas eleições legislativas previstas para 2026, respondeu depois a Teerão durante a troca de diretores da Mossad, num discurso sobretudo para consumo interno.